Por Maurício Penedo*

Egillstadir é uma cidade localizada no leste da Islândia. Tem, ao todo, 2.306 habitantes. Dois supermercados e dois postos de gasolina. Na noite desta segunda-feira, o termômetro marcava 4º celsius. Dentro do bar Feiti Fillinn, no centro de Egillstadir, porém, a atmosfera era bem mais quente.

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Aproximadamente 40 pessoas, ou 1,7% da população local, estavam ali para acompanhar Islândia x Kosovo, pela última rodada das eliminatórias europeias para a Copa do Mundo de 2018, na Rússia. Uma vitória simples levava os islandeses para um Mundial pela primeira vez.

Algumas camisas da seleção pairavam no corpo dos presentes, mas nenhum grito de guerra, nenhuma torcida aparente. Contraste máximo com a TV, que mostrava os aficionados no estádio em Reykjavík, capital do país, fazendo a festa nas arquibancadas, famosa após a última Eurocopa.

Com o gol de Sigurdsson, alguns aplausos aqui e ali, ainda contidos. O frio e a tensão ainda eram proeminentes no local. Kosovo era último colocado no grupo, mas reinava a incredulidade dos presentes na classificação do país de cerca de 340 mil habitantes.

Com o segundo gol, marcado por Gudmundsson, após grande jogada de Sigurdsson, os pulos e abraços começaram a aparecer no Feiti Fillinn. O dono do bar começou a entoar o cântico viking, fazendo coro com as arquibancadas em Reykjavík, a 640 kms de distância.

Mas a festa mesmo só ocorreu no apito final. Os narradores e comentaristas islandeses gritavam e gargalhavam na transmissão. Os torcedores no local se dividiam entre abraços e espanto. Sentados no bar, comendo asas de frango e tomando cervejas que custavam 1.200 coroas islandesas o copo (equivalente a R$ 36), comemoravam à sua maneira.

Esqueça o êxtase absurdo que estamos acostumados a ver com os classificados à Copa. No frio de Egillstadir, a comemoração foi muito mais interna de cada presente. Talvez mandando energias para Reykjavík e os 22 soldados. Ou melhor, vikings.

A Rússia que se prepare: se tomarmos o exemplo da Euro, metade da Islândia estará nas ruas de Moscou. A Copa ganha seu primeiro pais com menos de um milhão de habitante, o menor a disputar um Mundial. A honra é toda da FIFA.

*Maurício Penedo, recifense, historiador e jornalista formado pela UFPE, 31 anos. Passagens por Diario de Pernambuco e Globo Esporte. Atualmente trabalho em uma agência digital no Recife. Dentro do Jornalismo, sempre trabalhei com esportes, principalmente futebol europeu e NFL. Careca, meio gago e metido a escritor.