John W. Henry vive o ápice de sua trajetória à frente do Liverpool. O empresário americano, que se tornou acionista majoritário do clube em 2010, enfrentou diversos problemas e sofreu críticas ao longo deste período. No entanto, agora aproveita o sucesso do time de Jürgen Klopp, às portas de disputar a decisão da Liga dos Campeões contra o Real Madrid. Em entrevista à Associated Press, o dirigente falou sobre as suas expectativas. E não poupou suas alfinetadas a Philippe Coutinho e Luis Suárez, diante das escolhas de ambos ao deixarem o clube. Vale lembrar que a permanência de Coutinho tinha virado uma questão de honra ao americano, embora a vontade do brasileiro tenha tornado a situação insustentável.

“Talvez seja porque sou americano, mas eu tenho dificuldades para entender por que alguém gostaria de deixar o Liverpool. O clube tem uma história tão rica e tradição, é apoiado por milhões ao redor do mundo, em praticamente todos os países. Você não quer estar em uma posição onde os jogadores desejam ir a outro lugar, mesmo que seja um clube grande como o Barcelona. É difícil de entender por que os jogadores querem ir a uma liga onde a competição é tão fraca. Eles devem jogar 30 ou mais partidas sem sentido por ano, esperando pela Liga dos Campeões. Coutinho e Suárez assistirão no sábado e poderiam estar jogando. Mas a diretoria e todos no nosso departamento de observação fizeram um trabalho excelente, em tirar o melhor daquelas duas situações difíceis”, apontou.

Em compensação, Henry exaltou Mohamed Salah. Falou da importância do egípcio, mas preferiu não se prender apenas aos números. Segundo o mandatário, a personalidade do atacante também é valiosa aos Reds, por seu espírito solidário. Conforme a visão do americano, isso enfatiza os valores pregados em Anfield.

“O recorde de gols de Salah se tornou uma das maiores histórias na Inglaterra nesta temporada. Talvez meus cânticos preferidos em Anfield sejam alguns sobre Mo. Nós estamos orgulhosos além do que ele significou em campo. É altamente importante para um clube global, com valores particulares, ter uma estrela que personifica o que pode ser realizado com unidade, e não com as divisões entre pessoas que vemos tantas vezes hoje em dia”, analisou.

Por fim, o dirigente também comentou sobre a ausência de títulos do Liverpool. Reafirmou como a Liga dos Campeões é importante, até pela história da instituição. Mas não negou que a Premier League permanece como uma obsessão, pensando também na seca que perdura desde 1989/90.

“O Liverpool tem uma história nas competições continentais e isso pode ser mais importante a muitos dos nossos torcedores. A Champions é maior que a Premier League? Muitas pessoas diriam que sim. No entanto, em muitos aspectos, a Premier League é a melhor liga do mundo – não há nada como ela. Os números de espectadores superam os outros campeonatos. O interesse é maior que na Champions, até que esta chegue em sua reta final. Provavelmente porque a maioria dos jogos da Champions não convence no início da competição”, finalizou.