Quando Yonghong Li comprou o Milan, haviam muitas suspeitas sobre os seus investimentos. O processo de aquisição do clube demorou a se concretizar, diante dos depósitos insuficientes realizados pelo grupo Sino-Europe Sports, liderado pelo empresário. Existiam empecilhos do governo chinês, faltavam garantias financeiras e houve mesmo a saída de investidores. Assim, Li assumiu a linha de frente do processo. A partir de um empréstimo suntuoso, iniciou o pagamento dos €740 milhões à Fininvest, de Sílvio Berlusconi. Já no mercado de transferências, gastou alto para realizar a reformulação do elenco – embora alguns depósitos tenham demorado a cair. Neste momento, no entanto, suspeito castelo de areia rossonero enfrenta um forte vendaval. Na imprensa italiana, levantam informações sobre a falência do magnata.

A notícia é do Corriere della Sera, um dos principais jornais do país. Segundo a publicação, uma das companhias de Yonghong Li entrou em processo de insolvência e seus patrimônios serão leiloados na Taobao, um site chinês similar ao eBay. A situação do empresário seria crítica, com tribunais ordenando a venda para pagar dívidas com bancos. Além disso, as entidades regulatórias de seu país investigam práticas ilícitas. Em meio ao mar de lama, Li não teria o dinheiro para bancar o empréstimo que permitiu a compra dos rossoneri e muito menos seus elevados juros. Ainda conforme o Corriere, ele possuiria apenas €100 milhões disponíveis para a transação inicial, com €300 milhões saindo da americana Elliott e os €340 milhões restantes retirados de fundos offshore. Ao final, o periódico conclui que, de fato, Li é muito rico, mas o tamanho de sua fortuna não está claro e as garantias não são suas – o que alimenta a dúvida se ele não entrou em uma jogada maior do que poderia.

Em nota oficial divulgada pelo Milan, Yonghong Li negou as acusações. “Eu vi que, nas últimas 48 horas, algumas empresas de mídia irresponsáveis publicaram notícias mentirosas que denegriram o clube, minhas companhias, minha família e a mim. Desde o dia em que comprei o Milan, enfrentei dificuldades e estive sob uma pressão sem precedentes. Diante dessas notícias, queria acalmar o ambiente ao redor do clube e do elenco. Não entendemos o propósito destas alegações, mas elas chegaram ao ponto no qual o clube está sendo severamente afetado, assim como minhas companhias e minha família”, afirmou o empresário.

“Queria aproveitar a oportunidade para explicar – esperando que seja a última vez – que a situação em relação aos meus ativos é segura e sólida. Tanto o clube quanto minha empresa estão em trabalho constante. Eu, desta maneira, espero que não sejam dados créditos às últimas notícias e que as atenções sejam dadas sobre aquilo que todos nós nos importamos: a gestão do time e as melhorias, com todos mantendo o apoio a Rino Gattuso. Faremos tudo para levar o clube de volta ao topo”, complementou, no que mais pareceu uma tentativa de oferecer ‘pão e circo’ aos torcedores milanistas.

Apesar do posicionamento de Li, a notícia repercute na Itália. Atual mandatário da federação italiana, Roberto Fabbricini não negou a preocupação. “Precisamos de atenção especial, cuidado e cautela. Eu ainda tenho fé no Milan como clube, diante de sua herança no esporte italiano. Mas se há um grande problema, ele precisa ser encarado pelos rossoneri e pela Lega Serie A. É uma preocupação que devemos ter, mas precisamos tentar entender. Uma declaração como a de ontem nos deixa calmos, mas não completamente”, afirmou à RMC Sport. O dirigente também apontou que buscará se reunir com o executivo-chefe rossonero, Marco Fassone, para discutir o tema.

Além das suspeitas iniciais e da reportagem do Corriere della Sera, outra peça importante no quebra-cabeças sobre Yonghong Li foi publicada pelo The New York Times em novembro. O jornal americano divulgou uma investigação sobre o empresário. Afirma que o “império da mineração” administrado pelo magnata não é conhecido nem mesmo entre os mineradores da China. O escritório da companhia estava vazio e sequer havia quitado o aluguel. Seus negócios estariam divididos entre diferentes pessoas. Nestes meandros, a matéria tece uma rede de relações cheia de lacunas, em que o entorno deixa mais dúvidas do que certezas. Entre estas nebulosidades, o Milan vê seu futuro cada vez menos claro. E de mãos atadas, aguardando os próximos capítulos.