Carvão e cerveja. Foi por produzir esses dois insumos que Dortmund ficou conhecida nacional e internacionalmente num passado remoto. Por mais que oficialmente isso não tenha muito a ver, é muita coincidência o preto e o dourado serem as cores oficiais do brasão da cidade. Não só do brasão.

Foi graças à cerveja – muita cerveja, diga-se de passagem – que nasceu o único clube da cidade e até hoje, que vive a pior crise financeira de sua história, um dos mais populares do país. O Borussia Dortmund nasceu na mesa de um bar, ao menos um ano antes de seus fundadores efetivamente entrarem em campo. Um grupo de amigos resolveu criar a agremiação e a escolha do nome não podia ser mais ligada á cerveja: Borussia era o nome da cervejaria que fornecia a bebida para o boteco onde eles estavam em 19 de dezembro de 1909. Naturalmente, amarelo e preto foram escolhidas as cores do Ballspiel-Verein Borussia 1909 e.V. Dortmund.

Desde então, o clube montou esquadrões considerados até hoje alguns dos melhores da história da Alemanha. O primeiro deles surgiu após a conquista do Mundial de 54, com o bicampeonato em 1956 e 57. Do elenco que foi à Suíça, faziam parte jogadores como Heinrich Kwiatkowski e Erich Schanko, astros com a camisa aurinegra. O terceiro título saiu em 1963, no último campeonato disputado antes da criação da Bundesliga. Dois anos depois, em 1965, o Borussia Dortmund tornou-se o primeiro clube da Alemanha a conquistar um título europeu: a Recopa.

A segunda grande fase do BVB foi vivida na última década, quando conquistou três vezes a Bundesliga – 1995, 1996 e 2002 – e uma Liga dos Campeões em 1997, contra a Juventus. No último título, graças ao exército de brasileiros – Evanílson, Dedê, Amoroso e Éwerthon –, o clube ganhou o apelido de ‘Brasilia Dortmund’.

Além de Kwiatkowski, Dortmund é a cidade natal de Lothar ‘Emma’ Emmerich, que estava no time campeão em 1960 e concorria de igual para igual com Gerd Müller pela artilharia na segunda metade da década de 60. Mais recentemente, Lars Ricken, também um dortmunder, entrou para a história como o jogador mais jovem a marcar um gol pela Bundesliga (aos 17 anos). Em 1997, foi ele o autor do gol do título da Liga dos Campeões.

A casa da família Cruyff

Batizado com o nome do estado onde fica Dortmund – a Renânia do Norte-Vestfália –, o Westfalenstadion foi construído especialmente para receber partidas da Copa do Mundo de 1974, com capacidade par 54 mil espectadores. Para a partida inaugural, nada melhor que o maior dérbi da Alemanha: Borussia Dortmund x Schalke 04, em 2 de abril daquele ano.

Foi praticamente lá que nasceu o famoso Carrossel Holandês no primeiro Mundial sediado pela Alemanha. O time laranja jogou três de suas sete partidas da Copa lá, entre as quais a vitória por 2 a 0 sobre o então campeão Brasil de Zagallo, que ridicularizou os holandeses antes da partida.

Quase 27 anos depois, concluída uma reforma que tornou o estádio o de maior capacidade do país, com 83 mil lugares, outro Cruyff pisou no Westfalenstadion num jogo decisivo. Desta vez foi Jordi, filho de Johan. Com a camisa do Alavés, ele esteve muito próximo de conquistar a Copa Uefa de 2000/1, vencida pelo Liverpool.

Graças à capacidade de seu estádio, que recebe uma média de quase 80 mil torcedores por partida, o Borussia Dortmund ganhou a pecha de ser o clube de maior torcida na Alemanha. Na verdade, o BVB é, sim, um dos mais populares do país e o que mais leva gente às arquibancadas, mas não o de maior torcida.

Sobre o Westfalenstadion

Capacidade: 83.000 (60.285 na Copa)
Inauguração: 2 de abril de 1974
Time da casa: Borussia Dortmund

Uma nova cara

A poeira dos tempos em que Dortmund era conhecida por ser uma cidade mineradora já baixou. Já faz algum tempo que dizer que a região da Renânia do Norte-Vestfália deixou de viver de minas de carvão e de indústrias siderúrgicas. Mais ainda a fama de cidade cervejeira (apesar de ainda ser uma cidade líder na exportação de sua ‘Dortmunder Export’), conquistada na idade média, quando, por sua localização, estava no meio de uma importante rota de comércio.

Muito em função do sucesso econômico dos tempos de exploração mineral, Dortmund tornou-se hoje um centro industrial de alta tecnologia. Não à toa, é conhecida como a capital alemã do setor.

Quase que completamente destruída durante a Segunda Guerra, Dortmund foi completamente reconstruída, razão pela qual quase não há edifícios históricos de grande relevância. Por outro lado, no processo de reconstrução foi planejada a criação de inúmeros parques e muita área verde, graças a minuciosos trabalhos de reflorestamento das áreas mineradas.

Pouco a pouco, a cidade começa a destacar-se por sua cena cultural e a receber grandes eventos. O Wesfalenhalle – uma arena localizada ao lado do estádio – tem ficado notória por receber desde feiras internacionais até mega-concertos de rock, de grupos como Rolling Stones, Pink Floyd, Queen e U2.

Em 2002, Dortmund foi pano de fundo para a tragicomédia “Die Frau, die na Dr. Fabian zweifelte” (A mulher que duvidava do Dr. Fabian), não lançado no circuito brasileiro.

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