Exatamente uma semana depois da saída de Thomas Tuchel, o Borussia Dortmund já tem novo dono em seu banco de reservas. E a primeira impressão deixada pelo nome do escolhido da diretoria aurinegra é ótima: Peter Bosz, responsável pela excelente (e um tanto quanto surpreendente) campanha do Ajax na Liga Europa. O holandês assina contrato pelas próximas duas temporadas, deixando os Godenzonen após somente um ano à frente do time. Segundo a Voetbal International, respeitada publicação holandesa, conflitos de ideias na comissão técnica dos Ajacieden aceleraram a saída do treinador. Entrou em rota de colisão com os membros do estafe mais ligados à cultura do clube, entre eles Dennis Bergkamp. Sem se sentir prestigiado pela diretoria, o comandante preferiu tomar novos rumos, apesar de sua intenção inicial de permanecer.

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O Borussia Dortmund será o sétimo clube treinado por Bosz e, sem dúvidas, o de maior projeção. Antes de chegar ao Ajax, o maior sucesso do holandês foi à frente do Vitesse, entre 2013 e 2016. Sob suas ordens, os aurinegros trabalharam muito bem os jovens talentos à disposição, com um futebol ofensivo, e se acostumaram a fazer boas campanhas na Eredivisie, classificando-se à Liga Europa. Também teve duas passagens pelo Heracles, conquistando a segunda divisão na primeira delas, e um breve sucesso pelo Maccabi Tel-Aviv, onde estava antes de assinar com os Godenzonen – e onde também trabalhou com Jordi Cruyff, o que é visto como algo primordial para sua ida a Amsterdã. Ídolo do arquirrival Feyenoord, foi figura notável em Roterdã na primeira metade dos anos 1990. O ex-atacante disputou inclusive a Euro 1992, além de atuar como diretor técnico entre 2006 e 2009.

Como jogador, Bosz chegou a ter uma passagem rápida pela Bundesliga, atuando pelo Hansa Rostock. Retorna ao país com uma missão considerável, para conduzir um clube de tradição de volta a campanhas mais competitivas. E, a princípio, os seus ideais tendem a se encaixar rapidamente no Signal Iduna Park. Seu jogo de transições rápidas e muita ofensividade, além de marcação bastante adiantada, faz parte da filosofia dos aurinegros. Além disso, a capacidade para lançar jovens jogadores, sem temer os riscos, vai ao encontro à política de contratações dos germânicos, cada vez mais apostando em prodígios.

É interessante notar como Bosz sai de um ambiente de conflito para assumir outro onde os bastidores também estavam conturbados, com os desentendimentos entre Tuchel e a diretoria. De qualquer maneira, a confiança no holandês indica novos tempos. Será o segundo treinador de seu país a assumir o Borussia Dortmund, depois de Bert van Marwijk – cuja a visão sobre futebol, aliás, vai em sentido bastante distinto. O comandante vice-campeão do mundo em 2010 chegou aos Signal Iduna Park em 2004, após bom trabalho no Feyenoord, campeão da Copa da Uefa em cima dos próprios aurinegros. Permaneceu apenas dois anos, em tempos de vacas magras, com uma grave crise financeira que se deflagrava no clube. Bosz assumirá em situação bastante diferente e, a princípio, com boa capacidade de emplacar um projeto de longo prazo.

Obviamente, há questionamentos sobre Bosz. O treinador não possui larga experiência em um nível maior de exigência e seu trabalho no Ajax demorou a engrenar, incluindo o começo oscilante na Eredivisie e a eliminação para o Rostov nas preliminares da Champions. Além disso, discute-se o apego demasiado às estratégias ofensivas, que por vezes priva seus times de alternativas de jogo – como bem visto na decisão da Liga Europa. De qualquer maneira, os prós parecem maiores que os contras. Até pela renovação de ares, o Borussia Dortmund será um time bastante interessante a se observar na próxima temporada.