A violência de torcedores foi o tema da rodada do Campeonato Brasileiro, mesmo com o torneio chegando as suas últimas definições. E não foi só por aqui que a barbárie nos estádios marcou o final de semana. O comportamento da torcida do Celtic foi classificado como ‘vergonhoso’ pela organização do Campeonato Escocês. Os ultras dos Bhoys atearam fogo, arremessaram bombas de fumaça e destruíram cadeiras do estádio Fir Park, na visita ao Motherwell.

A diferença em relação ao Brasil? É que as punições não se limitarão a perda de mandos de campo ou quaisquer outras medidas temporárias. Ainda que a depredação do estádio tenha sido grave, não é nada tão forte quanto a briga em Joinville, que deixou quatro pessoas feridas gravemente. Mas, independentemente de qualquer parâmetro, o Celtic resolveu banir 128 desses hooligans de seus jogos, ainda que de maneira preventiva. Uma atitude contundente, quase impossível de se esperar de Vasco ou Atlético Paranaense.

Além disso, o Celtic lançou uma investigação interna sobre os eventos, a fim de apurar quem realmente teve culpa nos atos de vandalismo. “Eventos como os de sexta-feira não representam o apoio ao Celtic. Eles causam embaraço ao nosso grande clube de futebol e são absolutamente indefensáveis. Está claro que este é um elemento em que não há hesitação em desrespeitar o nome do Celtic. É algo que não toleraremos e não temos outra opção a não ser tomar esse tipo de ação”, manifestou-se a diretoria do Celtic, em nota oficial. Aliás, não foi a primeira vez que o clube precisou lidar com a destruição causada por sua Brigada Verde nesta temporada

O histórico recente da torcida do Celtic não é favorável. Em novembro, vários foram os casos de agressão registrados pela polícia holandesa, durante visita ao Ajax pela Liga dos Campeões. Há um cenário propício para a volta do hooliganismo na Inglaterra, como analisa em seu blog o jornalista Mauro Cezar Pereira. Manifestações contra a passividade nos estádios e em prol do nacionalismo são válidas, mas também é preciso ter cuidado quando alimentam um ranço. Exatamente o que está acontecendo na Escócia.

As maneiras de combater esse ressurgimento da violência ainda precisam ser aperfeiçoadas. Não basta atacar os hooligans de uma maneira em que outros torcedores sejam prejudicados – a transformação de torcedores em espectadores no futebol britânico, de certa forma, é um resultado de erros. De qualquer forma, não dá para culpar a passividade das autoridades desta vez. O Celtic está certo em afastar os violentos. Não quer esperar uma tragédia, como a que ocorreu no Brasil. E que, como em tantos outros casos passados, faz crer que dificilmente resulte em mudanças profundas na forma como as autoridades lidam com esse caos.