A Copa do Mundo de 2018 acabou para a Argentina nas oitavas de final, o que é sempre muito cedo para uma bicampeã mundial, com a ambição de ser novamente dona da taça. Mais ainda por ter um dos melhores jogadores da sua geração, Lionel Messi. Os jogos ruins da primeira fase fizeram os argentinos temerem pelo pior, uma eliminação ainda na primeira fase. O avanço só durou uma fase. Agora, eliminados pela França nas oitavas de final, a pergunta que fica é o que será da Argentina daqui para frente. Quem desta geração ainda continua?

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Javier Mascherano, aos 34 anos e depois de uma Copa do Mundo muito fraca, foi o primeiro a anunciar a aposentadoria. “Acabou toda essa história. Demos tudo até o final. Foi uma partida muito louca que não começamos bem, nos recuperamos e demos a volta, mas o empate deles nos causou muitíssimo dano. Nos custou a levantarmos. A partir de agora, serei um torcedor a mais da seleção argentina. Terminou. Acaba a ilusão”, disse o volante. “Não temos nada para reprovarmos. E quando acontece isso, é assim. Quando você se esforça, tem que aceitar que o rival é melhor e acaba tudo. Espero que no futuro esses garotos possam conquistar algo, que sigam insistindo. Tentando, vão conseguir”, continuou Masche.

Mascherano, pela idade e pelo futebol que apresentou, era uma aposta certa que se aposentaria da seleção. Entre os convocados recentes de Sampaoli, há jogadores que podem fazer o seu papel, como Matías Kranevitter, 25 anos, do Zenit e que passou pelo Atlético de Madrid. O volante Santiago Ascacíbar, ex-Estudiantes e atualmente no Stuttgart, é outro que vale ficar de olho, com 21 anos e bom potencial. Leandro Paredes, de 24, que atua no Zenit, é outro que tem potencial para estar na seleção. Há também Lucas Romero, do Cruzeiro, que tem 24 anos e mostrou bom potencial e versatilidade, atuando inclusive como lateral direito.

Se Mascherano era um nome óbvio para se aposentar, há outros jogadores um pouco mais jovens que parecem em fim de ciclo. Ángel Di María, por exemplo, tem 30 anos, mas apesar do golaço contra a França, no crepúsculo da campanha na Rússia, foi um jogador que rendeu muito pouco, esteve mal quase sempre que esteve em campo. Segue sem render pela albiceleste. Sergio Agüero, aos 30 anos, é outro que brilhou no apagar das luzes, com um gol nos acréscimos, mas também rendeu pouco pela seleção nos últimos anos.

Em situação similar está, Gonzalo Higuaín, 30 anos, outro que rendeu pouco pela seleção. É difícil imaginar a Argentina pensando no fim do ano, como preparação para a Copa América, em um time com Di María, Agüero e Higuaín. Talvez seja necessário abrir espaço para jogadores mais jovens, como o próprio Paulo Dybala, que mal entrou em campo na Rússia, e que tem 24 anos; para Lautaro Martínez, que tem 20 anos; Mauro Icardi, que tem 25. Há outros jogadores com potencial para serem úteis, como Ángel Correa, 23 anos, do Atlético de Madrid; Joaquín Correa, 23 anos, do Sevilla; Lucas Alario, 25 anos, do Bayer Leverkusen.

Há jogadores no próprio elenco argentino que fio à Rússia, e outros convocados recentes, que podem continuar na seleção. Nicolás Tagliafico tem apenas 25 anos e potencial para render mais. Paulo Dybala, evidentemente, tem espaço para mais, assim como Giovai Lo Celso, de 22 anos. Manuel Lanzini, cortado pouco antes da Copa, tem 25 anos e ainda pode render. Cristian Pavón, titular na partida derradeira da Argentina, tem apenas 22 anos e muito potencial para crescer. Gonzalo “Pity” Martínez, de 25 anos, já mostrou potencial no River Plate. Sebastian Driussi, atacante do Zenit, é outro que pintou bem e tem só 22 anos. Além de Ezequiel Barco, 19 anos, atualmente no Atlanta United e Maximiliano Romero, de 19 anos, atacante do Vélez Sarsfield.

Lionel Messi, porém, aos 31 anos, segue como o melhor jogador do time. Resta saber se ele irá querer continuar jogando. Seria até estúpido não contar com o melhor jogador argentino desde Maradona, ainda com idade para render no seu mais alto nível. Talvez seja preciso convencê-lo a fazer parte do projeto e liderar os jogadores mais jovens. Em 2016, após a perda da final da Copa América Centenário para o Chile, nos pênaltis (e que ele perdeu uma das cobranças), ele decidiu se aposentar. Edgardo Bauza, que assumiu o comando do time em seguida, foi ao seu encontro para convencê-lo a seguir. Em 2019 haverá a Copa América no Brasil, uma competição de alto nível que é uma excelente oportunidade para dar espaço para novos jogadores, liderados por um craque como Messi.

Há potencial para renovação na Argentina. Resta saber, primeiro, quem será o técnico depois da Copa do Mundo. Jorge Sampaoli disse que pretende ficar, em entrevista coletiva após a derrota para a França. A partir daí, procurar novos talentos para que o time possa render, na Copa América de 2019, melhor do que foi nessa Copa do Mundo da Rússia, que entrará para a história como uma péssima Copa da Argentina. E é preciso saber se contará ou não com o seu maior craque daqui para frente.