Darren Bent, John Terry, Cesar Azpilicueta

É a defesa que pode levar o Chelsea ao título da Premier League

A tabela do Campeonato Inglês está toda bagunçada. Parece o Campeonato Brasileiro depois de uma dezena de jogos adiados. No momento, o Chelsea lidera com 66 pontos, mas pode ser alcançado pelo Manchester City, que tem três jogos a menos. Liverpool e Arsenal têm 59 e apenas uma partida a menos. O time de José Mourinho está, na 29ª rodada,  como um dos principais favoritos ao título, apesar de não ter um ataque confiável. Como? Na base da defesa.

O português não é inflexível, mas definiu um quarteto. Quer, sempre que possível, formar a dupla de zaga com Gary Cahill e John Terry. Um dos grandes méritos foi recuperar a confiança de Terry e convencê-lo a mudar o estilo. Prefere Branislav Ivanovic na lateral direita e Cesar Azpilicueta na esquerda. No time ideal do português, mesmo David Luiz e Ashley Cole são reservas.

“Você tem que moldar a defesa e encontrar um equilíbrio. Eu gosto mais de Ivanovic na lateral direita que de zagueiro. Gosto muito da estabilidade de Cahill e o entendimento de Cahill com John. E acho que neste momento, Azpilicueta é imbatível. Por muitas e muitas partidas, eu não vi ninguém ganhar de Azpilicueta em um mano a mano”, explicou.

Essa solidez levou o Chelsea a 14 jogos de invencibilidade na Premier League, nove deles sem sofrer nenhum gol, sequência que teve também a participação de Cole e David Luiz. Em 29 rodadas, Petr Cech saiu invicto de 13. Não à toa, o time de Londres tem a melhor defesa do torneio com 22 gols sofridos, cinco a menos que City e Everton.

Nas estatísticas, é o terceiro time que menos concede chutes, apenas 10.2 por jogo, mesma média do City, e o sexto que mais rouba bola, com média de 20.2 por partida. E é mesmo um esforço coletivo para que a defesa seja segura, pois o único jogador que se destaca nos fundamentos individuais é Azpilicueta, com 3,7 desarmes por duelo, a sexta melhor média da liga.

Os dois títulos ingleses que Mourinho conquistou em Stamford Bridge seguiram uma fórmula parecida, mas muito mais eficiente. Em 2004/05, o Chelsea chegou à 29ª rodada com apenas nove gols sofridos e nove pontos de vantagem. Na temporada seguinte, sofreu 18 nos primeiros 29 jogos e abriu oito pontos de dianteira. A atual edição está mais apertada também pelo investimento do Manchester City e pela falta de um atacante decisivo.

Porque em números crus, o ataque do Chelsea está semelhante ao daquele período. Sempre após 29 rodadas, o time de Mourinho havia marcado 54 gols em 2004/05 e 58 em 2005/06. Está com 56 no momento, mas tropeçou mais. Se Samuel Eto’o ou Fernando Torres fossem implacáveis, talvez alguns dos seis empates e três derrotas da equipe fossem transformados em vitórias.

O City tem mais elenco e, ironicamente para um time que falou em vencer quatro títulos na temporada, pode concentrar-se exclusivamente no Campeonato Inglês, porque a missão de reverter a derrota por 2 a 0 para o Barcelona é dura. O Chelsea está mais confortável contra o Galatasaray e pelo menos por mais algumas semanas deve dividir as atenções com a competição europeia. No entanto, até agora, com o pragmatismo de Mourinho, está cabeça a cabeça com o rival.