O Milan conquistou uma virada milagrosa contra o Cagliari. Mario Balotelli e Giampaolo Pazzini apareceram no fim do jogo e, em três minutos, transformaram a derrota por 1 a 0 em vitória por 2 a 1, triunfo que não só trouxe alívio para o técnico Clarence Seedorf como também deixou os rossoneri na nona colocação da Serie A. Entretanto, o resultado positivo não apaga a pixotada no gol sofrido pela equipe. Em uma saída desastrosa de Marco Amelia, a defesa se embananou com a bola e deu a brecha para Marco Sau balançar as redes.

Logicamente, não dá para crucificar o goleiro só por um lance. Mas também não dá para considerar Amelia totalmente inocente. É um arqueiro mediano. Assim como a grande maioria que passou pela meta do Milan durante a gestão de Silvio Berlusconi. Os rossoneri contaram com defesas fortíssimas no período mais vitorioso de sua história, é verdade. Mas os méritos vêm mais de Franco Baresi, Paolo Maldini, Alessandro Nesta, Frank Rijkaard e outros gênios da linha do que da maioria que o presidente levou para calçar luvas no clube.

Em quase 28 anos de gestão, dá para cravar que Berlusconi acertou em cheio na contratação de apenas dois goleiros para o Milan. A melhor transferência foi também a mais cara: € 5,5 milhões por Dida, então no Cruzeiro. Os problemas no passaporte adiaram a afirmação do brasileiro na meta rossonera. Entretanto, quando conseguiu ter sequência, o camisa 1 foi protagonista na conquista de duas Ligas dos Campeões e figurou entre os melhores do mundo. Já na outra compra, Berlusconi não tinha muito aonde errar: foi buscar Giovanni Galli, ídolo da Fiorentina e um dos selecionados pela Itália para a Copa de 1986. O veterano ficou apenas quatro anos no San Siro, o suficiente para ser bicampeão da Champions.

Após uma temporada de baixa, Galli foi preterido por outro arqueiro mais jovem, Sebastiano Rossi, que vinha com moral do Cesena. Absoluto no gol durante a década de 1990, o italiano possuía suas qualidades, mas estava longe de ser espetacular. Com a excelente linha de zaga que tinha à frente, Rossi empilhou taças em Milão, mas não foi além de uma mísera convocação pela seleção italiana. Talvez o maior símbolo da falta de brilho na meta milanista durante tanto tempo.

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Não dá para dizer, no entanto, que o clube não tentou trazer grandes nomes. Talvez a aposta mais frustrada tenha sido Jens Lehmann, que chegava badalado do Schalke 04 para suprir a decadência de Rossi, em 1998/99.  Só que o alemão decepcionou. Preterido por Massimo Taibi e Christian Abbiati, foi vendido para o Borussia Dortmund na temporada seguinte, com apenas cinco jogos disputados pela Serie A.

Já nos últimos anos, desde que Dida perdeu espaço, Christian Abbiati tem vencido a concorrência de quem quer que apareça – seja Amelia, Storari ou Roma. O problema é que o italiano até pode fazer suas partidas espetaculares, mas é inconstante demais. Seus problemas físicos deram oportunidades para seus reservas nesta temporada. E, enquanto Gabriel precisa amadurecer um pouco mais para assumir tamanha responsabilidade, Amelia fez o que fez neste domingo.

Por mais que tenha confiança da casa e venha de quatro temporadas seguidas como titular, Abbiati já tem 35 anos e demonstra que seu físico pode comprometer ainda mais sua regularidade. Talvez haja tempo de menos para preparar Gabriel – que, aos 21 anos, ainda não deu provas suficientes de que se tornará um goleiro de primeiro escalão. E, considerando as fragilidades da defesa, seria bom se Seedorf olhasse com carinho para o mercado pensando em um (bom, é claro) reforço para o gol. Por mais que Berlusconi não viva sua melhor fase financeiramente e nem goste tanto de investir em figurões para a posição.

Todos os goleiros do Milan de Berlusconi na Serie A:

Titulares: Giuliano Terraneo > Giovanni Galli > Andrea Pazzagli > Sebastiano Rossi > Massimo Taibi > Christian Abbiati > Dida > Zeljko Kalac > Christian Abbiati

Reservas: Giulio Nuciari, Davide Pinato,Francesco Antonioli, Mario Ielpo, Jens Lehmann, Valerio Fiori, Marco Storari, Flavio Roma, Marco Amelia, Gabriel