Dia 11 de dezembro de 2011. Em um estádio Volcán lotado, o Tigres aplicava um categórico 3 a 1 no Santos, fechava a Liguilla de forma invicta e conquistava seu terceiro título da Primera División, pondo fim a uma fila de quase três décadas sem vencer o principal torneio nacional. Mais do que isso: com um projeto consistente, os felinos davam pinta de que dariam início, senão a uma época de domínio do cenário azteca, ao menos um período de conquistas e decisões. Passados dois anos, porém, o panorama do time da Universidad Autónoma de Nuevo León (UANL) é bem distante do planejado. E o pior: é difícil entender por quê.

Os Auriazules seguiram praticamente todos os preceitos para dar seguimento a um período vitorioso. Mantiveram um planejamento a longo prazo, incluindo a manutenção do comando técnico, com o brasileiro Ricardo Ferretti, e a permanência de quase todos bons jogadores que passaram pelo estádio Universitario, deram tranquilidade para um grupo tecnicamente qualificado adquirir entrosamento e jogo coletivo e contam uma saúde financeira invejável, podendo apostar em contratações de estrangeiros sempre que necessário.

O brasileiro “Tuca” é o treinador há mais tempo no comando de um clube na elite do futebol mexicano, próximo de completar quatro anos em Nuevo León. Sob sua batuta, nomes fortes (e caros) foram contratados, sendo que poucas foram as perdas, quase que deixando realmente saudades.

Do time-base que levantou a taça do Apertura há dois anos, o meia Manuel Viniegra foi cedido por empréstimo ao Atlas no início desse ano após perder espaço no time, enquanto o artilheiro daquela campanha, Héctor Mancilla, deixou o clube repassado ao Atlas no torneio seguinte. Ainda que o chileno tenha deixado seu legado no Volcán, o bom desempenho do argentino Emanuel Villa, o amadurecimento de Alan Pulido e a descoberta da vocação goleadora de Lucas Lobos deixam pouca margem para apontar sua saída como a real causa dos insucessos.

Mescla de experiência e talento jovem também não serve como desculpa. Juninho, Salcido e os já citados Lobos e Villa comandam o grupo, que conta com uma prolífica máquina de bons nomes na base, capaz de revelar os selecionáveis Alan Pulido e Israel Jiménez ou o seguro goleiro Enrique Palos. Isso sem mencionar o pouco abalável ambiente interno, sempre bem blindado pela direção felina, e o apoio maciço dos torcedores da UANL.

Por todos os motivos listados acima é difícil entender os motivos para universitários não alcançarem títulos ou mesmo chegarem perto de disputá-los. Mas os dados estão aí para comprovar: nos quatro torneios seguintes a campanha no Apertura 2011, o clube obteve vaga no mata-mata em três deles, mas em apenas um alcançou as semifinais. Em disputas continentais, só vexames: queda ainda na Pré-Libertadores para o Unión Española em 2012 e nas quartas de final da Concachampions (após sofrer para avançar na fraca primeira fase) em 2012/13. Nem mesmo na Copa MX, praticamente um torneio de reservas no futebol azteca, o time tem conseguido ir longe, sendo eliminado para o arquirrival Monterrey nas quartas de final da última edição.

Por falar no clube Rayado, para piorar, essa dificuldade de chegar longe mesmo contando com capacidade técnica e favoritismo contrastou com um período no qual o rival dominou o cenário nacional e continental, conquistando de vez seu lugar entre os grandes do futebol azteca. Ainda que o Tigres esteja longe de um período de crise, a falta de possibilidades reais de título já começa a levantar críticas. Principalmente após o fraco início de Clausura, com apenas um ponto somado em quatro rodadas e a lanterna da competição.

“Tuca” teve que responder aos primeiros questionamentos quanto a sua continuidade no cargo após o revés para a UNAM no último fim de semana. E as perspectivas não são muito animadoras, considerando que na próxima semana o calendário reserva uma edição do Clássico Regiomontano que pode afundar ainda mais os felinos na tabela.

Ainda que goze de prestígio junto à direção e a torcida pelo fim da fila, todo crédito tem um preço. Bom elenco e estabilidade no cargo e no ambiente exigem mais que boa campanha na primeira fase (no torneio atual, nem isso). Por muito menos, seu colega Vucetich, idolatrado pela outra metade de Nuevo León, deu adeus ao seu cargo no Tecnológico. Ainda que não acumule tantas conquistas, o brasileiro conta com grande respeito no cenário local. Mas como já deve ter notado há algum tempo: títulos (sempre eles) obrigatoriamente terão que entrar na conta para equilibrar a equação.

Curtas

México

- Seleção do site Mediotiempo da 4ª rodada do Clausura: Óscar Pérez (Pachuca); Rodolfo Pizarro (Pachuca), Luis Amaranto Perea (Cruz Azul), Paulo da Silva (Toluca) e Edgar Castillo (Tijuana); Michael Arroyo (Atlante), Rubens Sambueza (América), Luis Rodríguez (Chiapas) e Isaac Brizuela (Toluca); Martín Bravo (Pumas UNAM) e Luis Gabriel Rey (América); T: José Luis Trejo (Pumas UNAM);

Costa Rica

- Derrotado pelo Santos de Guápiles, o Herediano perdeu, além dos 100% de aproveitamento e a invencibilidade, a ponta do Campeonato de Verano da Primera Divisón. Quem se aproveitou da bobeada foi o Cartaginés, que superou o Uruguay e alcançou 10 pontos em 4 jogos, um a mais que os Florenses e a Alajuelense, que bateu o Puntarenas e também soma 9 pontos. Já o Saprissa não passou de um empate por um gol contra o Limón e é o 6º, com 5 pontos;

El Salvador

- Com vitórias sobre Águila, Santa Tecla e Atlético Marte, respectivamente, Isidro Metapán, Alianza e FAS mantiveram os 100% e dividem a liderança do Clausura, todos com 6 pontos após duas rodadas. O Luis Ángel Firpo se recuperou do vexame protagonizado na estreia com um bom triunfo sobre a UES e tem 3 pontos, enquanto o Águila segue na lanterna da Primera Divisón, ainda sem somar pontos;

Guatemala

- De volta à normalidade, o atual tricampeão Comunicaciones venceu o Halcones por 3×0, conseguiu seu primeiro triunfo no Clausura e já é o 2º, ao lado de Iztapa, Universidad SC e Xelajú, todos com 4 pontos. A liderança da Liga Nacional é do Mictlán, que bateu o Malacateco e tem 6 pontos. O Municipal empatou com o Heredia e segue sem vitórias em 9º lugar, com apenas um ponto;

Honduras

- Jogando com um homem a mais durante boa parte do jogo, o Olimpia levou a melhor no Clássico Nacional e assumiu a liderança do Clausura, com 7 pontos em 3 partidas, ao lado do Motagua, que empatou em 3×3 com o Marathón. Com o revés, o Real España é apenas o 6º, com 4 pontos, enquanto o Marathón é o 8º;

Panamá

- Após a rodada contar com quatro empates por 1×1 em cinco partidas disputadas, o Clausura da Liga Panamenha já não tem mais nenhum clube com 100% de aproveitamento depois de duas jornadas. Alianza, Sporting San Miguelito e Plaza Amador seguem na liderança, com 4 pontos, ao lado do Río Abajo, único vitorioso do fim de semana. O Árabe Unido é o 6º, com 2 pontos, enquanto San Francisco e o atua campeão Tauro dividem a 8ª posição, com apenas um ponto cada;

Jamaica

- Com seu duelo contra o Sporting Central Academy agendado para essa terça, o atual campeão Harbour View segue tranquilo na ponta da National Premier League, com 36 pontos em 17 jogos, sete a mais que o vice-líder Montego Bay. O Tivoli Gardens perdeu mais uma, para o Waterhouse, e é o 7º, com 21 pontos, ao lado do Portmore United, que ficou no empate sem gols contra o Boys Town;

Trinidad & Tobago

- No duelo de líderes, o W Connection superou o North East Stars, manteve a invencibilidade e aumentou ainda mais sua vantagem na liderança da TT Pro League, com 32 pontos em 12 partidas. Bem atrás, o time das estrelas do Norte divide a segunda posição com Point Fortin e Police, todos com 17 pontos. O atual campeão Defence Force é o 7º, com 13 pontos, enquanto o San Juan Jabloteh é o vice-lanterna, com 10, após revés para Police em casa;

Nicarágua

- Após um empate sem gols contra o Managua, o Diriangén perdeu o topo do Clausura da Liga Nacional, agora ocupado pelo Walter Ferretti, que bateu o Ocotal e soma 11 pontos em 5 jogos. Com a vitória do Real Estelí (10 pontos) sobre o San Marcos, os Caciques caíram para o 3º lugar, com 9 pontos, e terão a chance de reassumir a ponta na próxima rodada, quando visitam o líder na capital do país.