A tarde tinha um clima completamente diferente na Arena Condá. Sim, a última rodada do Campeonato Brasileiro seria disputada naquele gramado. Mas não era isso que movia a multidão antes que o pontapé inicial fosse dado. No primeiro jogo em casa desde o aniversário de um ano do desastre aéreo, a Chapecoense ofereceu um enorme tributo à memória de seus 71 heróis. A entrada em campo contou com 15 pessoas vestindo a camisa do Verdão. Além dos 11 jogadores, também Jakson Follmann, Neto, Alan Ruschel e Rafael Henzel – os milagres vivos, depois de tudo o que aconteceu na Colômbia. Ao lado deles e dos demais atletas, os mascotes também eram especiais, filhos e parentes das vítimas da tragédia.

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E em uma temporada na qual a fuga do rebaixamento já rendeu uma enorme e merecida comemoração em Chapecó, o melhor ficaria reservado para (literalmente) o último minuto do campeonato. Para o momento em que Apodi escorou o cruzamento para Túlio de Melo emendar às redes, decretando a vitória por 2 a 1 sobre o Coritiba e a classificação às fases preliminares da Libertadores. Justamente eles, dois jogadores tão simbólicos na campanha sensacional da Copa Sul-Americana de 2015. Eles que deixaram o Verdão do Oeste no ano seguinte, mas voltaram à Arena Condá para auxiliar na reconstrução, depois de perderem tantos amigos e colegas na Colômbia. Do elenco atual, dois dos atletas mais ligados à memória da Chape Guerreira.

A dimensão total do que significa à Chapecoense esta classificação para a Libertadores, de qualquer forma, veio através dos quatro sobreviventes. Após o apito final, os três atletas entraram em campo. Abraçaram os seus companheiros e agradeceram fervorosamente. Neto claramente dizia “muito obrigado”, enquanto Alan Ruschel chegou a interromper a entrevista dada por Túlio de Melo ao SporTV para exaltá-lo. Poucos conseguiam segurar as lágrimas. Depois, a cena que ficará para sempre, com Follmann dirigindo o carrinho-maca em uma volta olímpica eufórica, acompanhado por Neto, Alan e outros membros do clube.

Rafael Henzel, por sua vez, deu sua contribuição através de seu instrumento de trabalho: a voz. E o narrador não conteve a emoção ao relatar o tento importantíssimo à Chape na Rádio Oeste Capital. As lágrimas saíram, em um misto de lembranças e felicidade por tudo aquilo que conseguiu se construir, apesar de todas as dificuldades. É o lado humano que realmente importa. De arrepiar: