O nível de intensidade de Roberto Firmino é uma das grandes virtudes do Liverpool nesta temporada. O ataque arrasador depende bastante da fome de gols de Mohamed Salah e da incisividade de Sadio Mané, claro. Mas tamanho poder de destruição dos Reds também se faz graças à movimentação do centroavante. Cai por ambos os lados, cria espaços, aparece para finalizar, serve os companheiros, pressiona sem a bola. E mesmo que não tenha feito sua melhor partida no Estádio Olímpico de Roma (algo que já tinha sido visto na ida em Anfield, aliás), a maneira como o camisa 9 foi onipresente na linha de frente chama a atenção.

Firmino terminou o duelo contra a Roma como o segundo jogador mais participativo do Liverpool. Tocou na bola 58 vezes, duas a menos que Jordan Henderson. E não é nada comum que um atacante lidere estes números, quando as bolas geralmente são carimbadas entre defensores ou meio-campista. Ainda mais em uma partida na qual a Roma teve maior controle da posse de bola, mantendo os Reds um pouco mais resguardados em sua proposta de jogo. De qualquer forma, o centroavante não se conteve, cobrindo quase todos os espaços no campo ofensivo.

Além de sua importância pela faixa central, desta vez acompanhado por dois zagueiros, Firmino auxiliou o trabalho de construção a partir do meio-campo e apoiou os companheiros nas duas pontas. Deu 44 passes, também o segundo melhor do Liverpool no quesito. Se o time jogou em um ritmo menor desta vez, não foi por falta de empenho do camisa 9. Principalmente, criou oportunidades. Uma delas, renderia o gol de Sadio Mané, em sua sétima assistência na Liga dos Campeões.

Somando os dez gols que marcou, Firmino participou diretamente de 17 tentos dos Reds na campanha – menos efetivo apenas que Cristiano Ronaldo nesta Champions, com contribuição direta a 18 dos gols do Real Madrid. Não é pouco ao brasileiro. Além disso, é o primeiro jogador na competição europeia nesta década que, com dois dígitos no número de tentos marcados, também serve pelo menos sete assistências. Nem mesmo CR7 ou Lionel Messi conseguiram tais marcas. Vale lembrar que o camisa 9 ainda está próximo de igualar as oito assistências de Milner, já um recorde histórico na Liga dos Campeões.

Durante o segundo tempo, Firmino encontrou mais dificuldades. Não conseguiu conectar os contra-ataques, diante do bom trabalho feito por Kostas Manolas e Federico Fazio para bloqueá-lo. Apesar disso, seguiu correndo para pressionar na marcação e dificultar a saída de bola da Roma. Deixou o campo apenas aos 42 do segundo tempo, exausto, recebendo o agradecido cumprimento de Jürgen Klopp. Pela maneira como destruiu os giallorossi em Anfield, Salah sai como grande destaque dos confrontos. Mas não seria exagero dizer que o alagoano talvez tenha sido a peça mais importante na engrenagem de Klopp ao longo dos 180 minutos, com dois gols e três assistências.

Firmino não será o mais cotado a brilhar na decisão da Champions, contra o Real Madrid. Mas, sem dúvidas, ele pode fazer a diferença – como vem fazendo durante toda a temporada ao Liverpool. É daqueles jogadores importantes a qualquer time, sobretudo pelo trabalho sem a bola. E que se casou tão bem com a mentalidade proposta por Jürgen Klopp. Depois de enfrentar questionamentos em outros momentos, o camisa 9 parece ser o atleta perfeitamente talhado ao que os Reds querem e fazem.

Todas as participações de Firmino com a bola (Fonte: WhoScored)