Lionel Messi sobe os degraus do Maracanã como a criança que achou que ganharia o videogame, mas viu o Papai Noel trazer um par de meias. Não conseguia esconder a decepção, ainda que esse presente de Natal antecipado fosse a Bola de Ouro. Um prêmio que poderia coroar o que tantos lhe cobravam: uma grande Copa do Mundo. A questão é que o Mundial de Messi não foi tão marcante, e a conquista individual soa mais como um consolo exagerado do que como uma consagração. Mas… é plenamente compreensível essa escolha por parte da Fifa.

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Messi fez uma boa Copa. Limitado fisicamente durante todo o torneio – sua mobilidade lembrava a do final de temporada do Barcelona, e não a do jogador que está por todos os lados do campo –, foi marcado com mais facilidade do que de costume. Ainda assim, aproveitou-se das poucas oportunidades em que tinha liberdade para decidir.

Foi assim contra Bósnia-Herzegovina, Irã, Nigéria, Suíça e Bélgica. Boas atuações, mas nada espetacular como Maradona em 1986, a dupla Ronaldo em 2002 ou Zidane de 2006, mas ele se destacou. Na semifinal ficou preso na forte marcação. Na decisão contra a Alemanha foi muito bem no primeiro tempo, mas pareceu sentir algo e foi se apagando. O saldo? Uma boa participação, com momentos decisivos, que talvez lhe vale um lugar na seleção do torneio. Mas não foi o melhor jogador. Não foi nem o melhor jogador da Argentina.

O problema é que a eleição da Fifa não é feita por um colegiado que analisa cada caso e chega a um consenso. A eleição era feita por jornalistas, com voto direto em turno único, muitas vezes antes da final. Desta vez, foi um “colegiado” selecionado pela Fifa. Inevitavelmente, grandes personagens e grandes nomes acabam atraindo seguidores. E, nesse ponto, a Copa do Mundo sempre contou sua história em cima de craques que chamaram a responsabilidade para decidir.

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Esse padrão favorece jogadores que sejam destaques individuais de suas seleções. Basta ver quem foram os últimos cinco vencedores da Bola de Ouro: Ronaldo em 1998, Kahn em 2002, Zidane em 2006, Forlán em 2010 e Messi em 2014. Todos chegaram até a última semana da Copa e eram os responsáveis por decidir os jogos de suas equipes. Isso acaba pesando na hora de se dar o voto, ainda mais no caso de registrá-lo antes de sair o campeão.

Nisso, Müller de 2014 pagou pelo mesmo pecado de Ronaldo e Rivaldo em 2002 e Xavi e Iniesta em 2010. Teve de repartir votos com companheiros devido a um time com vários jogadores decisivos. Messi ganhou terreno por ser o jogador decisivo da outra seleção finalista, mesmo que Mascherano talvez tenha feito uma Copa melhor. Até porque as boas atuações do volante se devem justamente ao fato de Alejandro Sabella ter montado uma equipe que se sacrificava muito para que o camisa 10 pudesse decidir.

No final, Messi não fez a Copa que gostaria, que o colocasse definitivamente entre os 3 ou 5 maiores de todos os tempos. Mas fez uma Copa boa, e com perfil que o levou a ganhar a Bola de Ouro. Um prêmio injusto, mas plenamente compreensível.