Em poucos meses, Ederson se colocou como um dos jogadores mais importantes do Manchester City. Além de sua excelente participatividade na construção de jogo, o goleiro coleciona grandes defesas, em especial no clássico contra o Manchester United. E se o time de Pep Guardiola mantém a invencibilidade na Premier League, o brasileiro pode ser considerado o grande responsável por isso. Neste domingo, ele pegou um pênalti aos 46 do segundo tempo, garantindo o empate por 0 a 0 contra o Crystal Palace em Selhurst Park. A derrota, de qualquer forma, significaria uma perda menor do que as sofridas pelos Citizens ao longo dos 90 minutos: Gabriel Jesus contundiu o joelho durante o primeiro tempo, enquanto Kevin de Bruyne terminou o jogo saindo de campo com a perna imobilizada.

O Manchester City dominou a partida, mas não foi exatamente o time intenso de outras jornadas da Premier League. Por mais que controlasse a posse de bola e se impusesse no campo de ataque, faltava um pouco mais de capricho na criação. Vale ponderar, no entanto, que Pep Guardiola aproveitou a sua rotação – Bernardo Silva e Gabriel Jesus começaram entre os titulares, com Sergio Agüero e Raheem Sterling aparecendo no banco.

Embora o City tenha criado as primeiras chances claras, o Palace respondeu. Ederson quase complicou as coisas em uma saída errada, mas se redimiu pouco depois, em grande defesa após arremate de Patrick van Aanholt. Mas naqueles instantes, as preocupações se voltaram a Gabriel Jesus. O brasileiro caiu no gramado sentindo dores no joelho por volta dos 10 minutos e, depois de ser atendido pelos médicos, voltou a campo. Jogou por mais 12 minutos e chegou a finalizar uma vez. Contudo, aos 22, foi às lágrimas por conta da lesão e acabou substituído por Agüero – o segundo machucado da partida, após o capitão Scott Dann também deixar o Palace. O diagnóstico oficial do brasileiro deve ser anunciado apenas nas próximas horas, mas Guardiola anunciou na coletiva que ele deve se ausentar “durante um mês ou dois”.

Minutos depois, Agüero quase abriu o placar ao Manchester City. Um chute prensado do argentino desviou na zaga, antes de carimbar a trave. De qualquer maneira, os Citizens eram inoperantes, para o volume de jogo que tinham. O time conseguia penetrar pouco na área, considerando o bom trabalho das linhas de marcação do Crystal Palace. As Águias, que renascem sob o comando de Roy Hodgson, demonstram novo vigor defensivo e já tinham dado trabalho a outros adversários de boa campanha na Premier League. Não seria diferente contra os líderes.

Na volta para o segundo tempo, o City intensificou a pressão. Os visitantes passaram a arriscar mais as finalizações, mesmo que fosse difícil encontrar as brechas. E então, quem cresceu foi o goleiro Hennessey. O galês efetuou duas grandes intervenções, para barrar uma cabeçada de Agüero e também um desvio de Leroy Sané. A entrada de Sterling no lugar de Gündogan contribuiu aos celestes, ganhando nova energia na linha de frente. A insistência, porém, também gerou os seus riscos.

A partir dos 30 minutos, o Crystal Palace começou a ameaçar no ataque. E só não abriu o placar porque Andros Townsend foi completamente incompetente, isolando uma bola que sobrou livre em seu pé, dentro da área. Por mais que a iniciativa estivesse do lado do City, a reação do Palace era constante. O que poderia ter garantido a vitória nos acréscimos. Sterling derrubou Wilfried Zaha dentro da área. Pênalti que Luka Milivojevic cobrou muito mal, sem força, no meio do gol. O que não tira os contornos do heroísmo de Ederson, bloqueando o chute com as pernas, antes que a defesa neutralizasse o rebote. No contra-ataque, quando até parecia que os celestes poderiam reverter totalmente a situação, De Bruyne se machucou, assim como Jason Puncheon. Ao final, ainda houve tempo para uma cabeçada perigosa de Benteke, mas nada que tirasse o zero do placar.

O empate, após 18 vitórias consecutivas, pouco atrapalha o Manchester City na tabela. A equipe de Pep Guardiola ainda lidera isoladamente a Premier League, agora com “apenas” 14 pontos de vantagem sobre o Chelsea, segundo colocado. O Crystal Palace, por sua vez, arranca um resultado bastante comemorado em Selhurst Park e aparece um ponto acima da zona de rebaixamento – embora o West Ham, logo abaixo, tenha um jogo a menos na conta.

A preocupação ao City, sobretudo, fica para o depois. De Bruyne e Gabriel Jesus são jogadores fundamentais na engrenagem de Guardiola, especialmente o belga. Perdê-los em um momento da temporada no qual a exigência física é grande tem o seu impacto ao restante do grupo, ainda mais considerando o elenco enxuto dos celestes. As lágrimas do brasileiro e a imobilização do belga, entretanto, geram um temor maior. Que o diagnóstico não seja tão duro quanto as imagens.