Neste domingo, durante o clássico entre Corinthians e São Paulo, a torcida do Corinthians gritou “Bicha”, imitando os mexicanos com o tradicional “puto”, toda vez que Rogério Ceni cobrava tiros de meta, em uma tentativa de ofender o goleiro alegando que este seja homossexual, como se fosse algo negativo. Nada de novo. No entanto, nos últimos anos, a luta contra a homofobia no futebol passou a se tornar mais evidente, com alguns episódios emblemáticos, como a revelação de Robbie Rogers e Thomas Hitzlsperger como homossexuais. Ainda assim, por mais que o assunto esteja sendo debatido como nunca, a causa ainda encontra grande resistência, e, em especial, um caso na Suécia, neste final de semana, muitíssimo mais grave que as provocações do Majestoso, foi o maior sinal das dificuldades enfrentadas. O advogado Showan Ebadi, conhecido torcedor do Malmö e ativista do grupo “Torcedores Contra a Homofobia”, foi atacado por um grupo de neo-nazistas na noite deste sábado e, internado, corre risco de morte.

O grupo de torcedores Ultra Malmö publicou um comunicado informando o ataque a Showan, com uma mensagem de apoio ao advogado e à sua família: “Todas as nossas preces e amor hoje vão para nosso amigo Showan, que, na noite passada, foi esfaqueado e espancado por nazistas. Showan está agora sedado no hospital. Ele é uma das figuras mais ativas do Malmö e tem contribuído firmemente para construir a cultura da arquibancada do clube hoje em dia. Nossas arquibancadas são um lugar de comunhão, em que todos com um coração azul são bem-vindos. Nós nunca aceitaremos racismo e nazismo em nossas arquibancadas ou em nossa cidade. Convidamos a todos para que mandem suas precer para Showan e sua família. Todo amor para você, Showan. Lute!”.

Showan Ebadi participava de um protesto contra o sexismo, em celebração ao Dia Internacional da Mulher, antes de ser atacado. Há versões afirmando que, segundo os amigos da vítima, o ataque aconteceu após o evento, quando Showan já se dirigia para casa, e outras que dão conta de que o ataque aconteceu a mais pessoas, durante o protesto. De qualquer forma, não há informações claras se o que motivou o espancamento foi o perfil do torcedor de luta contra a homofobia no futebol ou sua participação no ato.

A Suécia tem como uma de suas principais características a tradição de respeito às minorias e de igualdade de direitos, e o que aconteceu a Showan mostra o quanto o mundo do futebol ainda é alheio aos avanços da sociedade. Em alguns campos pela Europa, o problema mais comum é o racismo, que ultimamente se acentuou também nas canchas brasileiras e são apenas um reflexo da sociedade onde estão inseridas, e não um ato isolado vinculado a futebol.

Tudo isso mostra o panorama do esporte em relação a preconceitos. A resistência ao respeito das diferenças encontra no futebol uma de suas bases mais sólidas, e esse episódio é o mais emblemático para que isso fique provado. Esperamos que, embora a retaliação seja às vezes violenta mesmo fisicamente, o combate a pensamentos tão ultrapassados e discriminatórios siga crescendo.