Quando Cristiano Ronaldo conquistou sua terceira Bola de Ouro, em janeiro de 2015, afirmou que seu objetivo era alcançar Lionel Messi. O argentino voltaria a faturar a premiação no ano seguinte, até que o camisa 7 cumprisse as suas palavras nesta segunda. As condecorações se dividiram e o troféu da France Football ainda será entregue nas próximas semanas. Mas, perante a Fifa, o craque do Real Madrid e de Portugal se reafirmou pela quinta vez como o melhor do mundo. Das mãos de Ronaldo Fenômeno e Maradona, recebeu o The Best, que torna o seu desejo real menos de três anos depois da declaração. Com 43,16% dos votos, CR7 é coroado pelos gols e pelas campanhas vitoriosas em 2016/17.

Não existiam muitas dúvidas sobre quem conquistaria o The Best desta vez. Que Messi tenha feito partidas exuberantes e anotado mais gols na última temporada, Cristiano Ronaldo ficou com o brilho das taças. Não entrou tantas vezes em campo quanto em outras campanhas, mas liderou o Real Madrid na reconquista do Campeonato Espanhol. E, mais importante, levou os merengues ao bicampeonato da Liga dos Campeões, algo que nenhum clube experimentava desde 1990. Assim, ficava fácil imaginar qual a tendência na votação da Fifa, que costuma valorizar renome e feitos, mais até que puramente as performances ao longo do ano. E, neste aspecto, a superioridade do português se torna inquestionável, especialmente por sua capacidade de decidir os grandes jogos.

O prêmio de Cristiano Ronaldo marca, além do mais, uma década de hegemonia entre as duas grandes lendas da atual era no futebol mundial. São dez anos em que CR7 se alterna com Messi nos prêmios de melhor do mundo. Dominância que ressalta o patamar sobrenatural de ambos, assim como a reputação que os referenda. E, acima de tudo, a maneira como os dois craques conseguem se manter em alto nível por tanto tempo. O trabalho e o talento da dupla, também pela competição entre si, os ajudou a alcançar tal longevidade espantosa. O profissionalismo e a ambição inesgotável de Cristiano permitiram que ele tirasse a diferença para o seu “eterno rival” – a quem ressaltou o tratamento respeitoso e cordial nesta noite.

A predominância de Cristiano Ronaldo e Messi é tão grande que, de certa forma, banalizou as premiações de melhor do mundo. Que os dois são os melhores de sua época, não há dúvidas, mas isso garante um protagonismo que nem sempre reflete necessariamente o que aconteceu em campo. A alternância entre os dois fenômenos torna bem mais relativa a discussão literal sobre quem foi o melhor. Fica mais fácil apontar quem consegue se impor sempre, com o português e o argentino brilhando quase sempre nas principais competições, ainda que estejam inseridos em sistemas coletivos altamente competitivos em seus clubes. Serão sempre o primeiro nome a ser lembrado nos times em que jogaram.

E o empate entre Cristiano Ronaldo e Messi, com cinco troféus cada, amplia a discussão: quem terminará à frente nesta disputa? Mais velho e com um estilo de jogo mais dependente da capacidade física, o português teoricamente está mais próximo do final de carreira. No entanto, tende a se readaptar em uma posição de menor desgaste, que pode auxiliar em sua longevidade, considerando ainda a maneira exemplar como se cuida. Messi, por sua vez, possui a seu favor a idade e a capacidade de poder se adaptar a outras funções mais recuadas. O que fica, por fim, é uma discussão inacabável. Que, acima dos fanatismos cegos, exalta dois jogadores lendários que se complementam. Que não seriam tão grandes sem o outro. E, neste momento, assim como foi bem mais frequente nos últimos anos, é Cristiano Ronaldo que se engrandece ao máximo.

Confira os vencedores dos outros prêmios do Fifa The Best

Melhor jogadora: Lieke Martens (Rosengard / Barcelona e seleção holandesa)

Melhor goleiro: Gianluigi Buffon (Juventus e seleção italiana)

Melhor técnico (masculino): Zinedine Zidane (Real Madrid)

Melhor técnico (feminino): Sarina Wiegman (Seleção holandesa)

Fair Play Award: Francis Koné (Zbrojovka Brno)

Fan Award (melhor ação de torcida): Celtic, celebrando os Leões de Lisboa

Prêmio Puskás: Olivier Giroud (Arsenal)

Seleção FIFPro: Gianluigi Buffon, Daniel Alves, Sergio Ramos, Leonardo Bonucci, Marcelo, Toni Kroos, Luka Modric, Andrés Iniesta, Lionel Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar.