Elias voltou ao Corinthians para ser feliz (Foto:  Daniel Augusto Jr. / Ag. Corinthians)

Por que a apresentação de Elias mobilizou tantos dirigentes do Corinthians

Elias era a estrela do dia. Era apresentado como novo reforço do Corinthians – uma chegada que até ganhou camisa comemorativa -, mas parecia que era uma reunião geral da cúpula. Na primeira fila da sala de imprensa do CT alvinegro estavam sentados o presidente Mário Gobbi, o vice-presidente geral e os diretores de Cultura, Social, Administrativo, Conselho Deliberativo e Esportes Terrestres. Um ao lado do outro, olhando de perto ao novo jogador. Só reforços realmente importantes mobilizam tanto a cúpula de um clube, ainda mais um clube que não vive uma grande fase (momento em que alguns dirigentes que preferem aparecer pouco).

LEIA MAIS: Briga entre Elias e Sporting parece não ter mais volta

É compreensível pelo momento da contratação. O Corinthians de Tite não existe mais e o de Mano Menezes ainda está na maternidade. Os antigos líderes foram embora. Chicão saiu, Paulo André foi para a China, Alessandro aposentou-se, Danilo perdeu espaço e Emerson está com um pé para fora da porta. O cargo de presidente do elenco alvinegro está vago e, de Portugal, chegou um forte candidato. Se quiser, o jogador de 28 anos será titular até como pivô do time de basquete, apesar de ter apenas 1,73 metros.

Além de abraços e tapinhas nas costas, ele encontrou uma enorme responsabilidade à sua espera. O Corinthians está sendo reconstruído, e Elias é uma das penúltimas peças do quebra-cabeça. Ximenes ainda negocia para ter Rafael Sóbis, do Fluminense, e não descarta um centroavante para fazer sombra a Guerrero. Bom jogador, identificado com a torcida como poucos, o meia precisa ser, dentro de campo, o líder de Mano Menezes. Um pouco como Ronaldo, o para-raio de problemas na sua passagem pelo Parque São Jorge.

“Mal cheguei e já tenho que ser protagonista. Se eu tivesse 10% da conta bancária dele, eu seria três Ronaldos aqui”, brincou. “Com ele era mais fácil, tudo caía nele. Agora o elenco tem que dividir, mas se o bicho pegar, o Corinthians pode contar comigo. Acho que liderança não se impõe, se adquire. Isso eu vou conquistar. Se ele quiser isso, vou trabalhar para que isso aconteça. Foi ele que pediu minha contratação da Ponte Preta, que me levou para a seleção, para o Flamengo. Agradeço muito, mas ele só pediu porque eu mostrei futebol.”

Na briga por Elias, quem mais perde é o próprio jogador

Se em 2011 Paulinho serviu para que a torcida não sentisse tanta saudade de Elias, hoje os papéis estão invertidos. Entre todas as justificativas para a queda de produção do Corinthians, a venda do meia para o Tottenham está no topo da lista. Mano Menezes chegou a dizer que “talvez sejam os dois jogadores do futebol brasileiro com mais semelhanças”. O novo-velho jogador do Corinthians carrega mais a bola e chuta melhor de fora da área, por exemplo, mas articula e marca menos e não é tão forte no jogo aéreo. Baseado no conselho que ele mesmo deu para o seu antecessor-sucessor, sabe que não faz sentido tentar copiar um dos heróis da conquista da Libertadores. “Eu disse para ele: ‘Eu sou Elias, você é o Paulinho. Tem que jogar que nem o Paulinho.’ E ele acabou me dando um título de Libertadores”, comentou.

O discurso de Elias tem frases curtas, e alterna bom humor e referências a Deus. Mas ele sabe bem o que sua contratação representa, e conhece bem o clube a ponto de saber o que falar para agradar rapidamente a torcida. “Cada escolha, uma renúncia, e eu escolhi ser feliz”, disse. Sobre como acompanhou o time conquistar sua primeira Libertadores, contou que encheu o saco da diretoria para conseguir um ingresso para a final da Libertadores contra o Boca. “O Corinthians representa tudo para mim. Tenho cara, corpo e coração de corintiano. Sou maloqueiro.”

O discurso agrada ao torcedor, e certamente à tropa de choque de dirigentes que estiveram a sua apresentação. A torcida e a chefia não esperavam nada menos que isso.

>>>> Ninguém paga tanto quanto você pela camisa de um clube
>>>> O que o seu clube fez durante a Ditadura
>>>> Esse Atlético de Madrid tem um coração do tamanho da Europa