De forma incontestável, o Lille está fora da Liga dos Campeões. O LOSC precisava de um milagre para ganhar do Porto em pleno estádio do Dragão, mas deu a lógica. O time português venceu de novo, desta vez por 2 a 0, e acabou com a ilusão dos Dogues, que ainda seguraram um empate sem gols durante o primeiro tempo. A superioridade dos portugueses, porém, foi recompensada.

Os números já mostravam que a tarefa do Lille era das mais complicadas. Em doze partidas contra equipes francesas dentro de sua casa, o Porto sofreu apenas uma derrota: em setembro de 1971, para o Nantes. E os Dragões fizeram valer sua força, com amplo domínio desde o apito inicial. O LOSC se virou como pôde para evitar o gol dos anfitriões e teve raras chances de colocar a cabeça para fora d’água.

Para desespero da torcida do LOSC, a equipe continua seu calvário ofensivo. De nada adiantam as alterações de jogadores, esquemas ou jogadas ensaiadas. O Lille teima em ser inofensivo. Neste segundo jogo diante do Porto, o primeiro chute dos Dogues na direção do gol e que tenha sido digno de nota foi dado aos sete minutos… do segundo tempo. Muito pouco para quem era obrigado a vencer para se classificar.

O Porto enfim aproveitou a completa falta de ideias do setor ofensivo do Lille e, na segunda etapa, garantiu sua tranquila classificação. O LOSC ensaiou alguma reação após o gol marcado por Brahimi, mas foi apenas uma esbaforida de quem não consegue um mínimo de organização e tenta algo na base da empolgação.

A eliminação da Liga dos Campeões deve acelerar alguns processos dentro do Lille, principalmente no que diz respeito à composição do elenco. Sem os milhões de euros provenientes da LC e com as migalhas proporcionadas pela Liga Europa, a diretoria deve trabalhar para reduzir a folha salarial da equipe. Deve-se esperar a saída de jogadores caros, como Mavuba, Kalou ou Basa.

Para se ter uma ideia da bolada que o Lille deixou voar, o Olympique de Marselha ganhou € 32,415 milhões da Uefa mesmo com sua participação pífia na fase de grupos da LC em 2013/14, quando perdeu os seis jogos que disputou. O OM ainda ganhou quase € 24 milhões em direitos de transmissão pela televisão. Uma quantia longe de ser ignorada em qualquer balanço e que faz muita diferença – o Lille apresentou à Direção Nacional de Controle de Gestão um déficit de € 10 milhões.

Resta ao Lille se preparar para um período de vacas magras nesta temporada. Sem a LC, com um time com latentes problemas de criação e, consequentemente, de finalização, e com a perspectiva de perder jogadores para se adequar a sua realidade financeira, o LOSC corre risco de deixar o caminho do pódio da Ligue 1 aberto para seus concorrentes.

Lyon em dificuldades prematuras

A temporada mal começou e o Lyon já enfrenta seu primeiro grande período de dificuldades. Em apenas uma semana, a equipe sofreu nada menos do que três derrotas (duas na Ligue 1 e uma na Liga Europa), o que já acende o sinal de alerta em Gerland de forma prematura ao extremo. Os problemas se acumulam para os lioneses, postos contra a parede antes mesmo de os motores esquentarem direito.

O céu parece cair sobre as cabeças dos lioneses. Clément Grenier sentiu mais uma vez fortes dores no púbis, problema que o tirou da Copa do Mundo. Resultado: o meia-atacante será submetido a uma cirurgia e ficará afastado dos gramados por pelo menos três meses. Para amenizar a perda de um de seus principais jogadores, o OL ao menos assegurou a permanência dele, fechando as portas de uma possível transferência.

Como a equipe já havia perdido Yattara também por contusão, a preparação durante a pré-temporada foi questionada por Gonalons. Vale lembrar que Fekir, Malbranque e Umtiti também visitaram a enfermaria do clube neste começo de temporada. Isso sem contar os casos de atletas ainda fora de sua melhor forma física, como Dabo e Gourcuff. Um número elevado de problemas que complica a vida de Hubert Fournier para escalar seu time e entrosá-lo.

Contra o Toulouse, a saída de Umtiti durante a partida deixou clara esta dificuldade. A dupla de zaga formada por Koné e Rose demorou para encontrar o melhor posicionamento em campo, deixando o TFC ainda mais à vontade em seu território. O OL só se organizou melhor quando deixou o esquema 4-2-3-1 de lado e partiu para o 4-4-2 em losango na segunda etapa. Os visitantes exibiram um futebol mais consistente, privaram os Violetas da posse de bola e até marcaram, mas foi insuficiente para evitar a derrota por 2 a 1.

Veio o duelo contra o Astra Giurgiu pelos playoffs da Liga Europa. Em casa, diante de um adversário modesto, o OL não fez um jogo digno de uma competição continental. Quando Malbranque abriu o placar para os anfitriões, ficou aquela sensação de que a fatura seria resolvida com tranquilidade. Alguns fatores mostraram que nada estava definido e que, sim, poderia haver algo catastrófico encaminhado.

O segundo tempo do OL foi risível. O condicionamento físico ruim dos seus jogadores, aliado à falta de traquejo de um elenco jovem para lidar com dificuldades, teve grande contribuição na virada sofrida diante dos rivais romenos. O Astra Girgiu teve méritos de mudar seu esquema de jogo, reforçar sua marcação no meio-campo e reconhecer o momento ruim dos lioneses, catapultado pela lesão de Grenier e pela expulsão de Rose. A derrota por 2 a 1 complicou as chances de classificação do Lyon para a fase de grupos da Liga Europa, algo completamente inesperado para quem tanto sonha com projeção continental.

A cereja do bolo veio no duelo contra o Lens. A torcida presente ao estádio Gerland passou raiva de novo. Os Sang et Or ainda não haviam pontuado na Ligue 1 e não marcavam um gol havia duas partidas. E foi o RCL quem deu as cartas dentro de campo. Com um time organizado, aplicado e disciplinado, não foi tão difícil para o Lens dominar os anfitriões, perdidos em meio a tantas dificuldades.

Com uma enfermaria cheia (e com jogadores importantes afastados), condicionamento físico deficiente provocado por uma preparação inadequada e falta de entrosamento, o peso da responsabilidade pesa demais sobre os ombros da molecada. Fica nítido que os atletas mais jovens estão sentindo esta pressão tão forte logo de cara – ela tende a piorar, com as grandes chances de eliminação na Liga Europa e a necessidade de uma reação rápida na Ligue 1 para não frustrar ainda mais os planos da diretoria.