Até o momento, Virgil van Dijk é a grande contratação do mercado de transferências de inverno. O zagueiro foi perseguido pelo Liverpool nos últimos meses, apesar da intransigência do Southampton em fechar o negócio. Quando a contratação finalmente aconteceu, os £75 milhões pagos pelos Reds o alçaram como o zagueiro mais caro de todos os tempos. E, assim como outros jogadores profissionais, o beque de 26 anos possui uma notável história de vida. Afinal, quando tinha 16, quem o conhecia achava que ele poderia ter um futuro melhor seguindo na cozinha do restaurante onde trabalhava do que nos gramados.

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Nascido na cidade de Breda, filho de um holandês e de uma surinamesa, Van Dijk demorou para ingressar nas categorias de base dos clubes profissionais do país. Em boa parte de sua adolescência, ainda defendia o WDS, clube amador mais antigo da cidade. Enquanto isso, para complementar a renda em casa, dava duro lavando pratos e outras louças na cozinha do Oncle Jean, um tradicional restaurante da cidade.

“São 75 milhões, né? Eu tive que repetir o valor quando ouvi isso. Se-ten-ta e cin-co mi-lhões. Eu continuo sem acreditar, é um dinheiro absolutamente maluco. Ele era um bom funcionário. Ele dava duro e fazia o seu trabalho corretamente. Sempre estava aqui nos dias mais movimentados da semana. Treinava bastante para tentar ser um jogador profissional, até que se juntou à base dos nossos vizinhos do Willem II”, comenta Jacques Lips, dono do Oncle Jean e antigo patrão de Van Dijk, em entrevista ao Mirror.

“Depois do trabalho, o pai dele costumava buscá-lo. Eu sempre dizia que ele poderia lavar mais louça e parar de tentar ser um jogador profissional. ‘Fique aqui, Virgil. Pelo menos você terá a oportunidade de ganhar alguns trocados’, eu costumava dizer. Ele conseguiu tudo o que sonhava e levanto meus braços por isso. Ele merece tudo que está alcançando. Ninguém neste lugar se esquece de Virgil. Era um grande rapaz. Na verdade, sempre mantivemos seu contato no nosso livro de funcionários. Eu tentei ligar para ele, não para chamá-lo de volta ao trabalho, mas para parabenizá-lo. Tenho muito orgulho”, complementa Lips, exibindo uma camisa do Celtic autografada pelo zagueiro na parede do restaurante.

Quem também enche o peito para falar sobre o sucesso do defensor são os membros do WDS, onde ele deu os primeiros passos a partir dos sete anos. “Apesar de sermos os treinadores, ele conseguiu! No último ano, ele reapareceu aqui com uma camisa autografada da seleção. Foi muito emocionante. Ele veio mostrar seu respeito por seu primeiro clube e pelas pessoas que o ajudaram. Era mais alto e mais forte que os outros. Ele sempre estava em uma posição central, podia direcionar o jogo e tomar conta de tudo atrás”, lembra-se Sjon van den Berg, um dos comandantes de Van Dijk no clube.

O primeiro passo da Van Dijk ao profissionalismo aconteceu em 2009, aos 17 anos, quando se juntou à base do Willem II. Um ano depois, se transferiu ao Groningen, no qual estreou na elite do Campeonato Holandês. Em 2013, foi pinçado pelo Celtic, onde despontou como um dos melhores zagueiros do Campeonato Escocês. E o Southampton serviu para que sua fama se alastrasse, quando já passava a integrar a seleção holandesa. O Liverpool e sua alta aposta, por fim, são a prova de que a confiança do jovem funcionário em seguir seu sonho não foi em vão.