“Make us dream” (“Nos façam sonhar”) e “We go again” (“Nós vamos novamente”) são duas frases que se tornaram comuns nessa fase final da campanha do Liverpool na Premier League. O que o time viveu nesta segunda-feira foi um enorme balde de água fria. Precisava vencer o Crystal Palace nesta 37ª rodada para continuar dependendo de um empate do Manchester City em um dos dois últimos jogos para vencer. E vencia. Abriu 3 a 0, já pensava no saldo de gols que tem a tirar e, em 15 minutos, tudo ruiu. O que era uma vitória certa ficou perigosa, o que era perigoso se tornou ameaçador. E o empate veio.

Na prática, não mudou muito. Mesmo vencendo, o Liverpool teria que torcer por um tropeço do Manchester City. Ao menos um empate nos dois jogos que os azuis de Manchester tem pela frente – Aston Villa e West Ham, ambos em casa. Agora, o Liverpool precisa de uma derrota. A diferença até não é tão grande em termos de pontos, mas psicologicamente, a derrota foi muito grande. Sair de uma vitória confortável para um empate nos últimos minutos deixa marcas e isso foi possível ver em campo. Luis Suárez saiu de campo aos prantos, com a camisa no rosto, sendo consolado por companheiros.

O Liverpool tinha uma vitória na mão, construída sem grandes problemas. Os gols de Allen, Sturridge e Suárez deram a impressão que o time poderia fazer um placar maior. Foi assim por 24 minutos. Aos 34 minutos, tomou um gol, de Delaney, que teve sorte em acertar um chute forte que desviou no meio do caminho e entrou. Só que o golpe veio mesmo dois minutos depois. Aos 36 minutos, o Liverpool tomou um contra-ataque que culminou no gol de Dwight Gayle. Foi aí que o desespero ficou evidente no time de Brendan Rodgers.

O Crystal Palace começou a ameaçar em todos os lances e o jogo ficou com aquele cheiro de empate. Naquele momento, não havia diferença de folha salarial, de camisa, de tradição, de jogadores. Naquele momento, era o Crystal Palace com a sensação que tudo poderia dar certo e o Liverpool, ao contrário, com a sensação que tudo daria errado. O empate parecia iminente. E ele veio. Aos 43 minutos, Gayle empatou o jogo e o mundo do Liverpool desabou. Até houve tentativas desesperadas de um gol salvador que desse a vitória, mas que não deram em nada.

Na prática, o título não ficou tão mais distante do que estava antes do jogo. Mas o futebol não é um jogo de números, dados, estatísticas. É também um jogo mental. E esse é um jogo que o Liverpool saiu de campo derrotado. Já tinha sido assim contra o Chelsea, mas desta vez, além do adversário ser mais fraco, foi a penúltima rodada. O golpe foi mais duro. O time precisa de um tropeço ainda maior de um Manchester City que é muito forte e não dá pinta que isso irá acontecer.

O título que há algumas rodadas parecia tão perto já parece ter escapado. Não quer dizer que não possa acontecer. Todo mundo lembra como foi o final da Premier League na temporada 2011/12, quando o City levantou a taça. O gol de Agüero só veio nos acréscimos, no apagar das luzes, contra um fraco Queens Park Rangers e em casa. Era um jogo fácil que se tornou dificílimo. É bem possível que os dois jogos que o City tem pela frente sejam duros. Mas o Liverpool entra em campo na próxima rodada, no fim de semana que vem, com todo esse peso nas costas. Um peso de 24 anos sem vencer esse título e com o psicológico abalado. Pode ser campeão ainda e transformar tudo isso em mais um episódio épico. Mas o torcedor já sabe, a essa altura, que irá sofrer, e não será pouco.