Não parece tanto tempo, mas já faz quatro anos que Seedorf pendurou as chuteiras para dar início a uma nova carreira e, desde então, teve pouquíssimas oportunidades de mostrar o que pode fazer. Apenas seis meses no Milan e no Shenzhen, da China. Desesperado para se emplacar como treinador, o holandês aceitou um desafio difícil no Deportivo La Coruña e está sujeito a ter mais uma passagem relâmpago.

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Basta olhar para o histórico recente do La Coruña e sua posição na tabela. Miguel Ángel Lotina foi o último a conseguir fazer um trabalho mais longo no Riazor. Saiu com o rebaixamento de 2011, após quatro anos. José Luis Oltra assumiu e conseguiu retornar à elite, mas foi demitido na metade da campanha seguinte. Domingos Paciência ficou apenas seis jogos, e a equipe caiu novamente. Fernando Vázquez conquistou um novo acesso, mas foi embora antes do início do Campeonato Espanhol por declarações à imprensa cobrando reforços.

Victor Fernández foi o homem da vez, com um trabalho de nove meses, até abril de 2015. A briga, de novo, era para não cair. Victor Sánchez del Amo alcançou este objetivo e também conseguiu manter o La Coruña na primeira divisão na temporada 2015/16.  Mas foi demitido por uma sequência ruim de resultados e problemas de vestiário. Veio Gaizka Garitano, que ficou até fevereiro do ano passado. Pepe Mel terminou aquela temporada e começou a atual, mas dançou em outubro. Cristóbal Parralo foi promovido dos reservas e durou até esta segunda-feira.

Com oito treinadores nos últimos seis anos e meio, e indo para o terceiro na atual temporada, o Deportivo La Coruña é um dos melhores trituradores de técnico da Espanha, o que não passa muita segurança para Seedorf. Até porque, mais uma vez, a missão é tentar escapar da degola. O clube está na zona de rebaixamento, em 18º lugar, a três pontos da salvação. E a fase é horrorosa. Uma única vitória nas últimas 12 rodadas e goleadas recentes para o Real Madrid (7 a 1) e Real Sociedad (5 a 1), esta a gota d’água para Parralo.

Dois fatos completam a insegurança laboral de Seedorf. Seu contrato é apenas até o final da temporada e, portanto, ele precisará evitar o rebaixamento ou pelo menos deixar claro que tirou o melhor da equipe nessas últimas 16 rodadas para ter uma chance de ser mantido. E, segundo o AS, o holandês foi a terceira opção do La Coruña, que recebeu um “não” de Martín Lasarte e chegou a fechar com Diego Alonso, mas esbarrou em problemas burocráticos.

“É uma situação difícil, mas a vida tem esses momentos. Estou muito feliz de poder voltar a trabalhar com o futebol e voltar a trabalhar em um clube com muita história, em uma liga que me deu muito como jogador e lançou minha carreira. Parece o destino. Volto como treinador para fazer o mesmo”, disse. “Acredito que o futebol não é fácil para os treinadores. Há muitos e, por isso, agradeço muito esta oportunidade. É preciso acreditar em gentes jovens, novas gerações. E a nova geração está indo bem. Zidane tinha menos experiência do que eu quando começou no Real Madrid. Tem que ver a qualidade da pessoa, o potencial”.

O que levou Seedorf a aceitar a batata quente de treinar um time em péssima fase, com jogadores desanimados, um histórico de demitir treinadores sazonalmente, com contrato curto e sem ter sido nem a primeira e nem a segunda opção da diretoria? Como ele disse, a vida tem esses momentos, as oportunidades são poucas, ainda mais para os iniciantes, e Seedorf claramente quer muito ser treinador de futebol. Mas o desafio é muito difícil e ele, corajosamente, assumiu o risco de colecionar mais um fracasso.