Torcida mexicana fantasiada de Chapolin e de Chiquinha (Felipe Lobo/Trivela)

Em Fortaleza, a torcida do México fez o Brasil se sentir visitante

FORTALEZA - Jogar contra a Brasil em uma Copa do Mundo é sempre uma tarefa árdua, mas se a Copa do Mundo é no Brasil, aí a coisa é mais complicada ainda. Para o México, não foi tão ruim assim. Em Fortaleza, os mexicanos fizeram uma tremenda festa. Se na cidade os mexicanos já se faziam ouvir e já se faziam presentes, no estádio foi algo marcante. Eles estavam em toda parte. O estádio era predominantemente verde-amarelo, mas os muitos pontos verdes e vermelhos cheios de mexicanos marcavam mais.

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Guerreiros aztecas, chapolins, Chiquinhas, lutadores mascarados, guerreiras, chapéus enormes. Os mexicanos gritavam, cantavam Cielito Lindo, bradavam “Mérrico” e mostravam empolgação e muita, mas muita confiança. Nesto, por exemplo, esbanja confiança. Veio com os dois filhos ao Brasil para assistir todos os jogos do México. O que, para ele, significa ver todos os jogos até a final. “Vamos chegar à final”, disse. Pergunto a ele se o México fará a final com o Brasil. “Não sei se o Brasil chega lá”, disse ele, rindo.

Torcedores do Cruz Azul, Nesto, com o filho, que também se chama Nesto, de 14 anos, e Fernando, de 10, seguirão para Recife depois de Fortaleza para acompanhar o México e estão com os ingressos comprados para os jogos do mata-mata. Aliás, sonham tão alto que pensam também em ir ao Mundial de Clubes, em dezembro, acompanhar o Cruz Azul, campeão da Concacaf. A confiança é enorme.

Com o jogo em andamento, os mexicanos apoiavam o time. Os brasileiros tentaram também, mas falta um canto coletivo à torcida brasileira. O “Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor” parece ser o único canto nacional de torcida pelo Brasil. Os mexicanos tiveram que esperar muito para poder fazer o seu tradicional grito de “puto” antes que o goleiro cobre um tiro de meta. Um grito tão forte que os brasileiros começaram a imitar. Toda vez que Ochoa ia bater um tiro de meta ou mesmo segurava a bola, o grito ecoava. Mas não era a mesma coisa. Nem do mesmo jeito. Mesmo assim, os mexicanos fizeram com que uma tradição sua fosse usada pelo adversário, o que não é pouco.

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A torcida do Brasil ensaiava alguns gritos, um “lê, lê lê ô, lê lê ô, lê ê ô, lê, lê, ô, Brasil”, “Brasil, Brasil, Brasil”. Nenhum deles parecia fazer frente ao grito dos mexicanos. No intervalo, eles já faziam festa. Era possível ver diversos grupos de mexicanos pelo estádio, se organizando para cantar. Com o Brasil sem jogar bem, um 0 a 0 chato, os mexicanos só cresceram na partida.  Comemoraram, ao final, como se tivesem vencido. Psicologicamente, venceram mesmo. Nas arquibancadas também. Eles sabiam que precisavam de muito mais barulho para serem ouvidos. Conseguiram. Também turbinados pela bebida do estádio – um mexicano exibia, orgulhoso, uma pilha de copos – estimo que uns oito. Eram muitos assim.

A saída do estádio tinha muitos mexicanos comemorando, tirando fotos, cantando. Um deles apontava para a camisa do México que vestia, como se provocasse os brasileiros que via. Os mexicanos deixaram o estádio com a sensação que fizeram a parte deles. Os brasileiros ficam com a frustração. Nem um gol, um empate sem graça e só a lamentar as boas defesas do goleiro Ochoa. Aquele México que quase não se classificou à Copa ficou para trás.

O México que veio tem um apoio maciço de milhares de torcedores que prometem fazer de cada estádio a sua casa, um novo estádio Azteca. Prometem fazer a vida de cada goleiro mais difícil com seu “puto” gritado no tiro de meta. Prometem, antes de tudo, uma torcida apaixonada, ganhando ou perdendo. Fora de campo, os mexicanos já ganharam a Copa. Aproveitam a viagem, vivem a experiência do estádio. Ganhar, empatar ou perder é do jogo. Não aproveitar o que o futebol proporcional, aí sim é uma derrota. E se dentro de campo os mexicanos estão acostumados com muitas derrotas, esta eles não carregam.