A rodada do Campeonato Espanhol neste domingo não contou com jogos de Real Madrid, Barcelona ou Atlético de Madrid. Ainda assim, guardou um de seus melhores jogos, com o embate entre Betis e Valencia. Os dois times tentam ganhar espaço na parte de cima da tabela, em ótimos inícios de temporada. E o Estádio Benito Villamarín viveu um enorme épico, apesar da lamentação dos anfitriões. Os valencianos chegaram a abrir quatro gols de vantagem e quase tomaram o empate em uma reação impensável dos beticos, mas conseguiram abrir novamente folga para fechar a contagem em 6 a 3. Os Ches assumem a vice-liderança da Liga, quatro pontos atrás do Barcelona, e donos do segundo melhor ataque da competição.

Parte das expectativas se concentrava no confronto entre Quique Setién e Marcelino Toral, dois dos treinadores mais elogiados da Espanha. Punham frente a frente duas filosofias de jogo distintas, e que têm rendido grandes partidas na Liga. Os Ches vinham de dois triunfos contra Athletic Bilbao e Real Sociedad, ambos por 3 a 2. Já os verdiblancos, depois da histórica vitória sobre o Real Madrid, golearam o Levante e empataram com a Real Sociedad por 4 a 4. O que mais poderia se esperar na Andaluzia era uma noite cheia de gols. Exatamente o que aconteceu.

Enquanto o Betis tenta jogar ofensivamente, se postando no campo de ataque e pressionando os adversários, o Valencia prima pela velocidade em suas transições. Geoffrey Kondogbia abriu o placar para os Ches, de cabeça, e Gonçalo Guedes ampliou logo antes do intervalo com um chutaço de fora da área. Os beticos tiveram a sua chance para descontar no início do segundo tempo, em pênalti cobrado por Sergio León que Neto defendeu. Então, os valencianos praticamente mataram o jogo, dando contornos à goleada com Rodrigo Moreno e Santi Mina. Restavam 15 minutos mais acréscimos, que pareciam protocolares. Pareciam.

O relaxamento do Valencia se combinou com o ressurgimento do Betis. E os anfitriões conseguiram encostar no marcador. Foram três gols em cinco minutos, entre os 34 e os 39 do segundo tempo, com festival de cochilos da defesa. Joel Campbell, Antonio Sanabria e Cristian Tello balançaram as redes. Mas quando tudo se indicava favorável aos andaluzes, os valencianos ratificaram que aquela seria mesmo a sua noite, fulminantes nos contra-ataques. Simone Zaza e Andreas Pereira (em belo chute colocado) fecharam a conta já depois dos 43, garantindo três pontos cardíacos a Marcelino Toral.

Este é o melhor início de campanha do ataque do Valencia em 63 anos, com 21 gols anotados em oito rodadas. Efetividade que vale demais aos Ches, ainda invictos no Campeonato Espanhol, e que os mantém na cola do Barcelona, seu adversário no fim de novembro. É cedo demais para falar em título, por mais que o time já tenha feito jogos duros contra Real e Atleti. Ainda assim, os valencianos parecem restaurar a sua grandeza ao menos para brigar pela vaga na Champions – algo enorme, considerando a penúria recente para fugir do rebaixamento. O Betis, por sua vez, perde posições e, em uma tabela embolada, cai para a nona colocação. Precisa demonstrar que o time de futebol atraente, mais do que derrubar os grandes, também pode emendar uma sequência consistente na Liga.