Alemanha, Espanha, França, Inglaterra. A esta altura da temporada, e até bem antes disso, quatro dos cinco principais campeonatos nacionais da Europa pareciam decididos. Líderes hegemônicos nadavam de braçada. Entretanto, quem enfatizava que ainda havia muito pela frente ganhou sua parcela de créditos em La Liga. Bastou uma sequência ruim do Barcelona para o cenário se reabrir. E o Atlético de Madrid, mesmo sem empolgar em parte da campanha, já aparece no encalço dos blaugranas. Os madrilenos certamente chegarão babando para o confronto direto do Camp Nou, no próximo domingo. Afinal, o time de Ernesto Valverde, apesar de invicto, anda abusando da sorte. Em uma noite na qual os catalães saem enraivecidos com a arbitragem, não saíram do empate por 1 a 1 contra o Las Palmas nas Ilhas Canárias.

Talvez já pensando no jogo de domingo e imaginando um resultado fácil nesta quinta, o Barça veio com diversas modificações em seu time titular. Philippe Coutinho e Ousmane Dembélé voltaram ao banco, com Andrés Iniesta e Aleix Vidal ocupando as pontas. Já no meio, Paulinho e Sergio Busquets compunham a dupla central. Mas nem parecia uma ocasião para se preocupar. Afinal, os imparáveis Luis Suárez e Lionel Messi seguiam intocáveis na linha de frente. Logo nos primeiros minutos, a dupla passou a infernizar a defesa amarela, sobretudo o camisa 10. O craque ia fazendo fila, sofrendo faltas duríssimas, servindo o Pistoleiro e dando trabalho ao goleiro Leandro Chichizola. Aos 21 minutos, todavia, não houve quem o contivesse. Em cobrança de falta frontal, mandou a bola no ângulo e abriu o placar.

Não que o Las Palmas fosse completamente passivo. Aos 15 minutos, já tinham reclamado de um pênalti por toque no braço de Iniesta, mas o árbitro Mateu Lahoz não assinalou. Depois do gol, então, cresceram na partida. O time de Paco Jémez tentava agredir, com atuações empenhadas de Jonathan Calleri e Alen Halilovic, além das chegadas de Peter Etebo. Faltava um pouco mais de qualidade nas conclusões, mas os Amarillos ameaçavam com frequência ao ataque. A correria imposta incomodava aos visitantes.

Antes do intervalo, no entanto, a bronca com o árbitro mudou de lado. O Barcelona reclamou bastante de dois lances. Primeiro, por um possível pênalti não marcado sobre Paulinho. Depois, por um claríssimo toque de mão de Chichizola fora da área, ao tentar afastar uma bola – que poderia render ainda a expulsão do goleiro. Em ambos, o homem do apito não assinalou nada. Por fim, na volta do intervalo, o caos terminou de se instaurar. Logo no primeiro minuto, Matías Aguirregaray acertou a trave e, no rebote, Lahoz viu um toque de mão de Lucas Digne. Mais insatisfação dos blaugranas, que não tinham um pênalti assinalado contra si no Espanhol havia dois anos. Jonathan Calleri partiu para a cobrança e bateu com categoria, no alto das redes.

Depois disso, o Barcelona tentou partir para cima. Valverde gastou suas alterações com as entradas de Coutinho, Rakitic e Dembélé. Mas os catalães criaram pouco, diante da boa organização defensiva do Las Palmas – uma surpresa, considerando o desempenho dos últimos meses ou mesmo as características dos trabalhos de Paco Jémez. Vez por outra, os Amarillos ainda escapavam em contra-ataques. Ao final, o esforço rendeu o empate. Já na imprensa espanhola, o apito ressoa. Os catalães fazem duras críticas contra Lahoz, enquanto os madrilenos apontam erros aos dois lados, mas mais preponderantes contra o Barça. Não se nega, porém, que o time de Ernesto Valverde também esteve distante de apresentar o seu melhor.

O empate dá certa ajuda ao Las Palmas, mas não tanta. O time segue na zona de rebaixamento, no 17° lugar, com a mesma pontuação do Levante, logo acima. Já o Barcelona sente a consequência dos tropeços seguidos. O time empatou três de seus últimos cinco jogos, e contra adversários da metade para baixo da tabela. Oferece a deixa ao Atlético de Madrid, somente cinco pontos atrás. O duelo do domingo no Camp Nou terá um enorme caráter decisivo, talvez para incendiar La Liga. Pela forma recente, os colchoneros têm condições de aprontar.