As 55 mil pessoas que foram ao Mineirão criaram o clima que o Cruzeiro precisava para superar o Grêmio e chegar à sétima final de Copa do Brasil da sua história – segundo colocado em decisões ao lado do adversário pelo título deste ano, o Flamengo -, depois de duas partidas de pouco futebol, mas vibrantes, como as semifinais devem ser. Hudson fez o gol da vitória por 1 a 0, no começo do segundo tempo, Fábio defendeu um pênalti de Luan, a trave parou outros dois, e Thiago Neves realizou a cobrança derradeira que classificou a Raposa.

LEIA MAIS: Em partida equilibrada, Grêmio sai com a vantagem na semifinal da Copa do Brasil

O confronto foi equilibrado, mas o Cruzeiro acabou ligeiramente melhor no contexto geral dos 180 minutos. No jogo de ida, cada equipe jogou mais bola em uma etapa da partida e, no Mineirão, os donos da casa conseguiram ser mais perigosos que o Grêmio, apesar de a primeira grande oportunidade ter saído dos pés de Luan, que acertou um ótimo passe para Barrios, aproveitando um buraco que apareceu na linha defensiva do time mineiro. O paraguaio, porém, bateu em cima de Fábio. Foi a única finalização certa da equipe de Renato Gaúcho na partida e também a única chance real de gol dos visitantes.

Em casa, precisando buscar pelo menos uma vitória simples, o Cruzeiro ameaçou mais. Teve ligeira vantagem na posse de bola no primeiro tempo – 53% – e fez com que Marcelo Grohe executasse duas boas defesas: em cruzamento de Robinho para Alisson cabecear, livre, dentro da área, e em cobrança de falta de Thiago Neves. Neves também levou perigo com um chute de fora da área que desviou na defesa e passou perto. Mas, no geral, a primeira etapa do Mineirão foi parecida com o jogo de Porto Alegre: muitas divididas, muita intensidade, poucas chances de gol.

Mano Menezes voltou do intervalo com Raniel no lugar de Élber, dando um pouco mais de presença de área para o ataque do Cruzeiro, que conseguiu abrir o placar em uma jogada de escanteio: Thiago Neves cobrou bem, e Hudson subiu bem alto para cabecear. O gol desestabilizou um pouco o Grêmio, que passou pelos seus piores 20 minutos da eliminatória. Não conseguia ficar com a bola e sofria com a pressão da Raposa.

No entanto, o Cruzeiro não aproveitou muito bem o seu período de superioridade. Embora estivesse melhor, criou apenas duas chances claras. Em outro escanteio, Raniel emendou um voleio da entrada da pequena área, mas a bola quicou no chão e passou por cima do travessão de Grohe. Arrascaeta lançou para a área, na direção de Grohe, e Arthur apareceu com um desvio providencial – embora quase tenha marcado contra. A partir dos 25 minutos do segundo tempo, o Grêmio conseguiu se assentar no jogo.

A semifinal foi para os pênaltis. Fernandinho abriu os trabalhos com uma ótima cobrança, igualada pela de Rafael Sóbis. Edilson, porém, acertou com tudo a trave. O Cruzeiro teve a chance de ficar à frente, mas Robinho parou nas mãos de Grohe. Everton buscou o ângulo e também fez o poste balançar. Grohe, mais uma vez, manteve tudo igual ao defender o chute de Murilo. Arthur, com frieza, encerrou a sequência de pênaltis perdidos e colocou o Grêmio em vantagem: 3 a 2.

Raniel executou a melhor cobrança da noite, enviando a bola bem ali onde fica a cama da coruja. Luan fez ao contrário: correu para a bola, deu uma paradinha, e bateu quase no meio do gol. Fábio desviou com as pernas. A responsabilidade de colocar o Cruzeiro em sua sétima final de Copa do Brasil ficou com Thiago Neves. Com muita categoria, o meia-atacante, que rapidamente tornou-se referência técnica da equipe de Mano Menezes, colocou a bola no canto de Marcelo Grohe, deixando aquelas 55 mil pessoas e toda a torcida da Raposa muito felizes.