A torcida presente no Monumental de Núñez se empenhava em manter o brio, depois do baque sofrido no meio da semana. A Libertadores escorreu pelo vão dos dedos do River Plate, em sua enorme apatia diante do ímpeto do Lanús. Entretanto, a vida segue. E o desafio proposto por ela apenas cinco dias depois do trauma não poderia ser maior: o Superclássico contra o Boca Juniors. Por isso mesmo, as arquibancadas estavam agitadas, tentando reanimar seus jogadores. O time de Marcelo Gallardo correspondeu, com uma boa atuação. Mas não venceu. Tomou outro golpe duro, com a vitória por 2 a 1 dos xeneizes, em noite de cartões e golaços. Os Millonarios precisarão se reerguer mais uma vez, apesar do peso dos fracassos.

A maior mensagem transmitida pelos torcedores veio logo no recebimento. Cantavam em uníssono, como se falassem um “bola para frente” à sua paixão. Os trapos se espalhavam nas arquibancadas monumentais, com um mosaico nas cores da bandeira argentina, com a sigla do River Plate. Além disso, os fogos de artifício estouravam às dezenas nos céus de Buenos Aires. Os Millonarios não deveriam continuar abalados. E não estavam, propondo o jogo e criando as melhores oportunidades desde o primeiro tempo.

O Boca Juniors, entretanto, não se intimidou. O time de Guillermo Barros Schelotto sabe ser eficiente. E se aproveitou disso para vencer no Monumental. Aos 38 minutos, os xeneizes ficaram em vantagem numérica, depois de uma patada de Nacho Fernández no peito de Edwin Cardona. Pois o próprio camisa 10 se encarregaria de abrir o placar, quatro minutos depois. Em falta na entrada da área, o colombiano bateu no capricho, mandando a bola no ângulo de Germán Lux. Segundo suas próprias palavras após a partida, uma pintura inspirada em Juan Román Riquelme.

Mesmo com um a menos, o River Plate partiu para cima no segundo tempo. E em um clássico que terminou com 11 cartões, o Boca Juniors recebeu o seu vermelho direto aos 16. O árbitro viu uma cotovelada de Cardona e exagerou ao expulsar o colombiano. Não demorou para que os Millonarios empatassem, oito minutos depois. Um dos mais queridos pela torcida, Leo Ponzio deu mais motivos para ser adorado. O capitão soltou um chutaço de fora da área, indefensável para Agustín Rossi. Mas o Boca logo retomaria a vantagem. Quatro minutos depois, Pablo Pérez cruzou para Nahitan Nández bater de primeira. Méritos da dupla de meio-campistas, vital para o resultado. A festa era em ‘azul y oro’.

Ao apito final, as imagens davam um nó na cabeça. Os jogadores do Boca Juniors comemoravam efusivamente. Mas a torcida do River Plate não abandonava o seu time. Gritavam o apelido de ‘Muñeco’ Gallardo, dando um voto de confiança ao técnico – que, apesar dos tropeços, segue fazendo um trabalho fantástico em Núñez. Só será difícil se recuperar tão cedo. Os xeneizes sobram no Campeonato Argentino. Já abriram nove pontos de vantagem na liderança após oito rodadas, mantendo 100% de aproveitamento. Os Millonarios ocupam apenas o 13° lugar, com metade dos pontos, sem vencer faz cinco rodadas. A reação precisa ser do tamanho do Monumental.