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Em semifinais de camisas pesadas, toda vontade foi essencial na Liga Europa

As semifinais da Liga Europa contam com quatro clubes de história. Não com os mesmos pesos, mas longas tradições nos torneios continentais. Todos com pelo menos duas taças continentais em seus museus. E sedentos por voltar ao topo, ainda que seja em um torneio secundário. Benfica e Juventus vibraram muito no primeiro encontro nas semifinais do torneio, no Estádio da Luz. Já no Ramón Sánchez Pizjuán, Sevilla e Valencia fizeram um jogo movimentadíssimo. Prevaleceu a eficiência do Benfica, bem como os erros de arbitragem a favor do Sevilla.

Em Lisboa, Benfica e Juventus se pegaram com objetivos parecidos. Dois gigantes que dominam seus países, mas adormecidos na Europa. Conquistar a LE seria o retorno de um brilho que já foi tão reluzente em outros tempos. Os portugueses, já campeões nacionais e há mais tempo na fila, acabaram fazendo as honras da casa com a vitória por 2 a 1. Por outro lado, a Espanha tinha um confronto nacional também com mentalidades similares. Tanto Sevilla quanto Valencia conquistaram a antiga Copa da Uefa na última década. Relegados ao meio da tabela em La Liga, as antigas forças têm no torneio continental a grande chance de festejar. Melhor por enquanto aos rojiblancos, com os 2 a 0 no placar.

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A tranquilidade ao Benfica veio logo aos três minutos. Bola pelo alto e Ezequiel Garay abriu o placar. A Juventus até tentava sair para o jogo, mas sentia falta de Arturo Vidal, com Paul Pogba sobrecarregado na missão de encorpar o meio-campo do time. Somente no segundo tempo é que a postura dos italianos melhorou, com mais volume de jogo e maior participação dos atacantes. Entretanto, o goleiro Artur Moraes fazia bom papel na meta encarnada, com defesas importantes.

A sorte pareceu mudar para a Juve aos 28 minutos. Ótima jogada individual de Carlitos Tevez, que deixou Luisão no chão e fuzilou. O argentino voltava a marcar em uma competição continental pela primeira vez desde 2009. E a comemoração de toda a Juventus, elenco e comissão técnica, ajuda a dimensionar a importância que a Liga Europa tem neste momento, especialmente pela chance de jogar a final em Turim. No entanto, o valor do torneio é grande para o Benfica. E em um dos raros lances ofensivos do time na segunda etapa, o gol. Golaço de Lima, que havia saído do banco. Cavaleiro deixou a bola para o centroavante chutar com raiva, longe do alcance de Buffon. O triunfo por 2 a 1 não é o melhor dos mundos aos encarnados, mas só a vantagem do empate já é enorme para o jogo duro que se promete na Itália.

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Na outra semifinal, Sevilla e Valencia fizeram uma partida no qual o mando de campo pouco importou. Os andaluzes eram os donos da casa e tinham maioria no estádio. Mas o mero fato de jogar em território nacional por um torneio europeu já pareceu valer para o Valencia se soltar em campo. Os Ches estiveram muito mais agressivos nos primeiros minutos de jogo, ainda que não ameaçassem tanto a meta de Beto. Foi só quando Ivan Rakitic resolveu aparecer um pouco mais para o jogo é que a situação mudou. Os cruzamentos do croata eram a grande arma do Sevilla. Em um deles, Stéphane Mbia abriu o placar, aos 33 do primeiro tempo. O camaronês furou no segundo chute, antes de emendar um lindo chute de calcanhar. O que o assistente não marcou foi o impedimento escandaloso do jogador, quase um metro à frente da linha do Valencia.

O gol abalou os visitantes. Tanto é que Carlos Bacca aproveitou, três minutos depois, para aumentar a diferença. Em uma bobeira da zaga, o colombiano teve espaço para chutar cruzado, longe do alcance de Vicente Guaita. Somente na volta para o segundo tempo é que o Valencia voltou a colocar a cabeça no lugar. Nos primeiros minutos, Guaita ainda teve que trabalhar. Mas a busca pelo gol foi quase toda dos visitantes. Eduardo Vargas foi quem mais apareceu, com um chute que raspou a trave e uma cabeçada que explodiu no travessão. Faltava sorte no ataque, mas pelo menos sobrou na defesa, quando Vicente Iborra perdeu um gol feito nos acréscimos. Prejuízo grande para o Valencia, tanto por não conseguir transformar seus melhores momentos em gols quanto por ser atrapalhado pela arbitragem.

Para os reencontros, o jogo no Juventus Stadium parece mais aberto do que no Mestalla. Não por deméritos do Benfica, mas pela força que a Velha Senhora tem em seu estádio, ainda com o auxílio do gol marcado fora de casa. Enquanto isso, os torcedores do Valencia apostam no retrospecto. Afinal, depois de o time reverter os 3 a 0 para o Basel nas quartas de final, com uma vitória por 5 a 0 em casa, o milagre contra o Sevilla é possível. A forma como os times se portarão na volta será essencial. A tradição dos quatro semifinalistas pede que eles falem grosso. Uma imposição fundamental para que voltem ao topo da Europa.