Ter estrelas em campo ajuda, mas nem sempre resolve. Com um time tão mais talentoso que o Troyes, o Paris Saint-Germain sofreu muito mais do que imaginava. Venceu por 2 a 0, mas o placar não indica o quanto o time da casa sofreu. Com a equipe coletivamente mal, e mais um entrevero entre Neymar e Cavani por um pênalti, o jogo foi resolvido com a individualidade de Neymar. Um gol, uma assistência e serviço feito.

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Um jogo entre Paris Saint-Germain e Troyes, com a partida sendo disputada no Parc des Princes, no atual contexto, é um jogo daqueles que, na loteria esportiva, seria uma mamata. Ou, para quem aposta, nem valeria a pena investir em uma vitória parisiense, já que o retorno seria pouco.

O que se viu em campo, porém, foi um jogo muito mais complicado do que contra o Monaco por exemplo. Mesmo que o placar não indique isso: no final, 2 a 0 do PSG contra o Troyes, enquanto os parisienses venceram o Monaco por 2 a 1 (mas poderiam ter vencido por seis ou sete).

O técnico Unai Emery colocou em campo um time bastante ofensivo, além de ter deixado no banco vários jogadores que vinham sendo titulares. O goleiro Alphonse Areola, por exemplo, deu lugar a Kevin Trapp; Dani Alves deu lugar a Thomas Meunier; Adrien Rabiot ficou no banco e jogou o jovem Giovani Lo Celso, formando um meio-campo para lá de ofensivo ao lado de Marco Verratti e Javier Pastores. No ataque, Kylian Mbappé ficou no banco para Ángel Di María jogar.

O time não teve uma grande atuação. Individualmente, os talentos tentavam partir para cima da marcação, mas o Troyes ia muito bem tirando os espaços. Eram poucas as chances e Di María, por exemplo, não aproveitou a chance. Teve uma atuação longe do seu melhor.  Pastore foi outro que não fez muita diferença, não justificando mais chances. Lo Celso também não jogou tão bem.

Com todas as ressalvas, o PSG dominou completamente o jogo. O Troyes sabia que seria dominado e que precisava, tal qual Davi contra Golias, acertar uma pedrada com a sua funda. Só que isso não passou nem perto de acontecer. O time se esquivou o quanto conseguiu dos ataques do PSG, que tentava de modo desordenado, mas ainda perigoso. Afinal, em um ataque com Neymar, Cavani e Di María, não dá para não temer.

Um dos problemas do PSG foi quando surgiu um pênalti, aos 40 minutos do primeiro tempo. Meunier fez o cruzamento da direita, Cavani foi puxado por Azamoum e o árbitro apontou a marca da cal. Cavani pegou a bola para cobrar. Neymar foi lá falar com ele, Cavani se virou e ignorou, depois de encarar o brasileiro. O camisa 9 cobrou, mas o goleiro Samassa defendeu, se adiantando um bocado.

Depois de ir para o intervalo com o placar em 0 a 0, o técnico Unai Emery fez mudanças. Aos 25 minutos, trocou Lo Celso e Di María por Rabiot e Mbappé, titulares habituais.

Pouco depois, saiu o gol. Mas não teve participação dos jogadores que entraram. Neymar, sozinho, partiu com a bola do lado esquerdo, avançou e, vendo que a defesa adversária deu espaço, ele finalizou de pé esquerdo, cruzado, no canto: 1 a 0, aos 26 minutos.

O jogo então ficou bem mais fácil. Mas não quer dizer que não houvesse risco. O Troyes tentou ameaçar, encontrar aquela pedra salvadora que seria atirada com a sua humilde funda. Só que foi o gigante que esmagou o adversário. Em um lançamento longo, Neymar avançou pelo lado esquerdo, entrou na área e rolou rasteiro, para trás, dando nos pés de Cavani. O uruguaio dominou e finalizou forte para marcar: 2 a 0, aos 45 minutos do segundo tempo.

Coletivamente, o PSG de Unai Emery foi muito mal na partida. Venceu porque o time é muito melhor, individualmente, que o Troyes, e o seu principal jogador acabou resolvendo. Mas foi pouco futebol. Independente do placar, o time precisa render melhor, especialmente contra novos adversários. Afinal, contra um time mais qualificado, talvez Neymar não tenha espaço e nem liberdade para decidir tudo sozinho. Ou quase.