A Seleção chorou quando entrou em campo. Tremeu quando o hino foi cantado à capela. Suou frio quando a Croácia abriu o placar com um gol contra logo nos primeiros minutos. E demorou muito para esquentar em campo na estreia da Copa. Não foi das melhores exibições do time de Felipão, mas a vitória veio. Um pouco pela ajuda do árbitro. Mas muito mais pela participação de seus dois principais talentos ofensivos. Neymar e Oscar se destacaram de maneiras diferentes na vitória por 3 a 1. Igualmente para deixar passar o nervosismo da estreia.

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Neymar teve estrela para decidir. Achou um chute de longe, que Pletikosa não alcançou. Converteu o pênalti que Fred cavou e, de novo, o goleiro quase pegou. Acabou garantindo a virada do Brasil por chamar a responsabilidade. O melhor em campo, no entanto, não foi o camisa 10. Oscar não se envolveu na partida em todos os momentos. Em compensação, foi mais efetivo do que qualquer outro. Brigou muito, se entregou na marcação, teve seus lampejos. Se o time todo tinha lágrimas durante o hino, Oscar foi um dos que mais teve sangue nos olhos quando a bola começou a rolar, ao lado de David Luiz e Luiz Gustavo.

O esquema tático de Felipão não ajudou muito o camisa 11. Ao invés de atuar como meia central, Oscar aparecia deslocado no lado direito. O Brasil era um vazio entre os seus cinco jogadores mais ofensivos e os cinco mais defensivos. O meia aparecia pouco para a partida e errava passes e cruzamentos diante da forte marcação da Croácia. Entretanto, o gol pareceu mudar seu brio, assim como o resto da equipe. Se as triangulações não funcionavam, tanto por problemas brasileiros como por méritos croatas, era hora de tentar as jogadas individuais. E os lances de mais perigo da Seleção começavam com Oscar, isolado pela marcação adversária como Paulinho, Oscar, Fred, Neymar.

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Como o próprio primeiro gol. Foi driblando os adversários e também batalhando com eles que Oscar passou a bola para Neymar fazer seu gol de fora da área. No segundo tempo, o camisa 11 se tornou ainda mais importante, especialmente nas jogadas de linha de fundo. Também nos momentos de mais pressão da Croácia, quando o malfadado pênalti já tinha saído e a virada se consumado. Se os meias croatas não se criaram do lado direito da defesa brasileira e Olic não aterrorizou ainda mais Daniel Alves, foi muito por conta de Oscar. As sete bolas roubadas, entre desarmes e interceptações, o tornaram o melhor brasileiro em campo nesses fundamentos.

Por fim, o lance para diminuir o peso na consciência. Em uma bola rebatida de Júlio César, Oscar puxou o contra-ataque, se livrou dos marcadores e chutou no canto de Pletikosa. O terceiro gol do Brasil, que reafirmava a vitória e diminuía o peso do erro de arbitragem – mas que fique claro, não o apaga nem o exime. A Seleção comemorava a vitória em uma estreia que se sabia que seria tensa, mas que foi muito além do esperado.

Não é à toa que Oscar é peça importante no esquema de Felipão. É um jogador habilidoso e técnico no meio-campo. Porém, seu diferencial mesmo é a dedicação, a forma como ajuda no encaixe da equipe. Sem a bola, contribuiu muito, mesmo que, tendo ela nos pés, precisou buscar mais o individual que o coletivo. Depois de uma temporada extenuante, o camisa 11 não é certeza de que renderá ao máximo em todos os jogos, e por isso mesmo o nome de Willian era (talvez continue sendo) tão falado. Porém, essa estreia reforça o moral de Oscar e o do Brasil. Mesmo se o cansaço e as lesões pesarem, o meia já mostrou que não deixará de tentar.