O atacante Kelvin tem espaço garantido no coração do torcedor do Porto. Seu gol histórico nos instantes finais do clássico contra o Benfica deu ao time o título nacional da temporada 2012/13 e causou a famosa cena de Jorge Jesus caído de joelhos à beira do campo. Kelvin tem espaço garantido também no museu do Porto, onde os visitantes podem relembrar a história – que é dessas que serão contadas por várias gerações.

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Mas, apesar de todo o carinho pelo jogador brasileiro, o portista sabe que o futebol apresentado por ele, mesmo quatro anos após o feito histórico, ainda não está à altura do clube. É por isso que não houve reclamações vindas das arquibancadas quando o Porto anunciou, dias atrás, o empréstimo do atacante ao Vasco da Gama.

Ainda assim, o caso chama a atenção. Não por Kelvin mais uma vez ser deixado de lado no Dragão, mas pela forma como isso aconteceu. Depois que seu empréstimo com o São Paulo terminou, o jogador voltou ao Porto, atuou por 21 minutos na vitória sobre o Moreirense e até foi inscrito na fase de mata-mata da Liga dos Campeões da Europa. Porém, dois dias depois de efetivar a inscrição na Champions, o clube acertou a negociação com o Vasco.

A própria maneira como o Porto fez o anúncio do empréstimo de Kelvin foi enigmática. Num breve comunicado publicado no site oficial, o clube não detalhou os motivos de mais uma volta do jogador ao futebol brasileiro. Limitou-se a dizer que o empréstimo, válido até o final do ano, tem o objetivo de fazer o atacante “continuar a jogar regularmente e prosseguir o seu crescimento desportivo”.

O técnico do Porto, Nuno Espírito Santo, é conhecido por não tolerar indisciplina ou falta de comprometimento com a equipe. Não há notícia de que Kelvin tenha cometido um dos dois erros, mas a ausência de uma explicação convincente alimenta rumores sobre o que poderia ter acontecido.

O contrato do brasileiro com o Porto vai até junho de 2018, ou seja, restarão apenas seis meses depois que o vínculo com o time carioca acabar. Não é difícil imaginar que boas atuações dele com a camisa cruz-maltina façam o Vasco negociar sua aquisição em definitivo, tirando-o definitivamente do futebol português.

Desde que chegou ao Porto, Kelvin já foi emprestado para Rio Ave, Palmeiras, São Paulo e, agora, Vasco. O jogador que entrou para a história aos 19 anos de idade e até dava a impressão de que poderia render muito mais, chega aos 23 sem conseguir se firmar no clube. Ele sempre estará no coração dos torcedores do Porto, mas, ao menos no Dragão, corre o risco de ficar eternizado como o ídolo de apenas um lance.