Na última semana, a Major League Soccer anunciou que o Real Madrid vai disputar o All-Star Game contra os melhores jogadores da liga. A partida acontecerá em agosto, no tradicional estádio Soldier Field, em Chicago, que chegou a receber partidas da Copa do Mundo de 1994. A escolha foi mais uma boa sacada dos organizadores, principalmente de olho na visibilidade que o confronto pode criar e também nas opções de marketing a serem desenvolvidos.

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O All-Star Game da MLS começou igual ao que você conhece em diversas outras ligas americanas, com os melhores de cada conferência se enfrentando em uma partida recheada de eventos dentro e fora do estádio e convidados especiais. Aquilo, porém, não chamava a atenção dos torcedores. OK, eram os melhores atletas do campeonato se enfrentando, mas passavam longe de serem os melhores do mundo. Era isso que faltava.

A partir de 2005, a MLS abriu os olhos e decidiu convidar equipes europeias para atuar na partida especial, aproveitando que elas estariam em pré-temporada. Os primeiros anos foram humildes, com equipes como Fulham, Everton, West Ham e Celtic sendo convidadas para atuarem em solo americano. Com o passar dos anos, porém, isso mudou.

A chegada das grandes estrelas abriu os olhos dos grandes clubes europeus. Antes, eles iam aos Estados Unidos para se enfrentarem em amistosos e, ocasionalmente, enfrentar equipes americanas ou mexicanas. Isso ainda acontece na chamada International Champions Cup, mas agora eles também querem participar do jogo das estrelas da MLS, querem dar um pouco de atenção para uma liga que tanto atrai olhares.

Por isso, nos últimos anos já vimos jogos contra Manchester United, Chelsea, Arsenal, Tottenham e Bayern de Munique. Agora, é a vez do Real Madrid. Mas por que a Major League Soccer tem procurado cada mais equipes tradicionais e fortes para disputar esse jogo? Primeiro, por saber que estão em pré-temporada, então não vão jogar de forma séria por 90 minutos e, sendo assim, sem goleadas. Se os europeus vencerem, ok, é o normal. Se o pessoal da MLS ganhar, a liga sai fortalecida e vira notícia dentro do próprio país.

Além disso, há um simples motivo chamado televisão. Todos os canais que possuem direitos de transmissão vão querer passar ao vivo a partida contra uma equipe do calibre do Real Madrid. Muitos fãs do soccer, ou apenas simpatizantes, vão querer acompanhar astros como Cristiano Ronaldo e Gareth Bale em solo americano atuando contra as estrelas locais. Isso fará com que o jogo ganhe uma visibilidade ainda maior, até porque nos Estados Unidos tudo é exagerado, convenhamos.

Outro ponto é enfraquecer a China numa batalha particular. Nos últimos anos, muitas equipes têm preferido ir aos Estados Unidos na pré-temporada, inclusive para jogar um torneio. Isso fez com que algumas deixassem o mercado chinês de lado. Agora que o país asiático decidiu investir em peso contratando grandes atletas, tirar as equipes grandes do radar é um mérito da Major League Soccer.

Por fim, há a exposição dos seus jogadores. Os americanos, inclusive no soccer, possuem a tradição de formar atletas através das universidades e só depois eles se tornam profissionais. Com todo o mundo olhando para um jogo contra o famoso e poderoso Real Madrid, atletas menos conhecidos com certeza vão querer se destacar e cavar vaga em alguma equipe europeia, mesmo que seja pequena. Isso não é tão absurdo, pois Cyle Larin, do Orlando City, já foi sondado pelo Everton, assim como Birnbaum, do DC United, foi sondado pelo Borussia Dortmund. Uma chance que os atletas vão usar para ganhar novos ares.