Diferente do cenário ao qual estavam acostumados seus torcedores nos últimos anos, o começo do Clausura da Liga MX foi pouco animador para os rivais de Nuevo León. Monterrey e Tigres sofreram. Enquanto os Rayados oscilavam, mas sem perder o contato com os líderes, os felinos amargavam a lanterna da competição, demorando oito rodadas para alcançar seu primeiro triunfo. Um panorama que vem se invertendo.

Após o péssimo início de torneio, que já levantava as primeiras críticas ao trabalho do brasileiro “Tuca” Ferretti, a UANL embalou. Impôs um categórico 3 a 0 sobre o até então invicto líder Cruz Azul, superou sem grandes dificuldades os frequentadores da parte de baixo da tabela e já soma sete partidas sem saber o que é ser derrotado. Na próxima rodada, os Auriazules recebem o irregular Querétaro no caldeirão “El Volcán”. Basta uma vitória para o clube entrar no G8 e de vez na briga por uma das vagas para a Liguilla.

Mata-mata que fica cada semana mais distante para o arquirrival Monterrey. Se esteve entre os cinco primeiros nas rodadas iniciais, a Pandilla afundou de vez nas últimas semanas. São seis derrotas nos últimos oito jogos, apenas nove pontos somados e o clube já divide a lanterna da competição com o cada vez mais ameaçado pelo descenso Veracruz.

A queda de rendimento dos rivais torna-se ainda mais curiosa se levarmos em conta a qualidade técnica de ambos e o entrosamento adquirido por elencos que jogam juntos e com poucas modificações há mais de duas temporadas. Os salários também estão entre os mais altos, assim como o ambiente é pouco tumultuado em comparação com o que pode ser visto na capital azteca ou mesmo em Guadalajara.

Assim, fica difícil encontrar motivos claros para essa derrocada. Um deles parece ter muito a ver com a retomada de espaço dos grandes clubes do futebol mexicano. O vácuo aberto pela má fase de Chivas, América, Cruz Azul e Pumas nas últimas edições, possibilitou, além do aparecimento de campeões como Tijuana e León, a construção de verdadeiras dinastias, como as impostas por Toluca e Pachuca no fim dos anos 1990/início dos anos 2000 e a mais recente vivida pelo Monterrey, bicampeão nacional e tri continental a partir de 2009. Se não enfileirou taças, o Tigres ao menos aproveitou o crescimento dos clubes do norte para pôr fim à fila de quase três décadas com a conquista do Apertura 2011.

A questão é que os grandes aztecas parecem ter voltado com tudo à briga pelo topo da Liga MX. Os altos investimentos somados às oscilações de desempenho dos demais concorrentes elevaram o nível da disputa. E como os pequenos vêm mantendo certa regularidade, sobrou para os rivais de Nuevo León nesse Clausura.

O Tigres encaixou seu estilo e formato de jogo, deixou para trás as oscilações e parece querer algo mais que apenas a figuração. Mas muito disso deve-se à manutenção de Ferretti no comando. O clube universitário optou por manter o brasileiro a despeito das críticas e cobranças pelo início claudicante. Enquanto isso, seu rival no “Clásico Regiomontano” foi pelo caminho oposto. Demitiu o multicampeão Víctor Vucetich, apelidado de “Midas” no futebol azteca, e mesmo com um bom elenco pena para encontrar um peça que comande o grupo com eficiência.

Ainda é cedo para falar em tendência, mas vale lembrar que no Apertura o Tigres só garantiu a vaga na última rodada (caindo para o América já nas quartas), enquanto o Monterrey nem para os playoffs foi. Indo mais longe, desde 2012 o clube Albiazule não alcança a Liguilla, algo extremamente preocupante para um clube recém acostumado aos títulos e decisões. À julgar pelo desempenho recente, o receio é que o clássico regional passe a ser jogado colocando em disputa a fuga pelo descenso.

Curtas

México

– Seleção do site Mediotiempo da 11ª rodada do Clausura: Alfredo Talavera (Toluca), Rogelio Chávez (Cruz Azul), Darío Verón (Pumas UNAM), Facundo Erpen (Atlas) e Carlos Adrián Morales (Morelia); Arturo González (Atlas), Guido Pizarro (Tigres UANL), Marco Fabián (Cruz Azul) e Giovani Hernández (Chivas Guadalajara); Oribe Peralta (Santos) e Martín Bravo (Pumas UNAM); T: Tomás Boy (Atlas);

Costa Rica

– Uma vitória sobre a UCR deu ao Saprissa o quarto triunfo consecutivo e a liderança do Campeonato de Verano da Primera Divisón, com 28 pontos em 13 jogos. Isso por que o Herediano ficou no empate contra o Puntarenas e chegou aos 27, caindo para a segunda posição. Atual campeã, a Alajuelense perdeu para o Limón, mas manteve o terceiro lugar, com 21 pontos, enquanto o Santos de Guápiles fecha o G4, com 19;

El Salvador

– Em casa, o FAS bateu o Juventud Independiente e se recuperou da perda da invencibilidade na última rodada. De quebra, ainda abriu vantagem na ponta do Clausura da Liga Mayor, com 22 pontos em 9 partidas, já que o rival Isidro Metapán perdeu para o Santa Tecla e estacionou nos 16 pontos. Os outros grandes seguem em má fase: o Alianza superou o Atlético Marte, mas tem apenas 11 pontos, enquanto Firpo e Águila perderam para Dragons e UES e ocupam oitavo e nono lugares, respectivamente;

Guatemala

– Mesmo perdendo para o Suchitepéquez, a Universidad SC manteve a liderança do Clausura da Liga Nacional, com 23 pontos em 13 partidas, já que o Comunicaciones foi superado pelo Halcones e agora é o terceiro, com 20. O novo vice-líder é o Coatepeque, que bateu o Iztapa e tem 21 pontos. Já o Municipal venceu o Heredia, mas é apenas o sétimo, com 17;

Honduras

– Superado no clássico contra o Real España, o Olimpia manteve-se no topo do Clausura da Liga Nacional, com 25 pontos em 12 jogos. Vice-líder, o Real Sociedad ficou no empate sem gols contra o Platense e tem 21, enquanto a Realeza soma 20. Já o empate no “Clásico de las M’s” deixou o Motagua na quarta posição, com 17, enquanto o Marathón é o oitavo, com 12;

Panamá

– O Chorrillo segue imparável na Liga Panamenha. Com um categórico 3×1 fora de casa sobre o CAI, “La Fiebre Amarilla” somou seu quinto triunfo seguido e assumiu a ponta do Clausura, com 20 pontos em 11 partidas, ao lado do Alianza, que ficou no empate com o Sporting San Miguelito. Plaza Amador e Árabe Unido empataram sem gols e seguem em terceiro e quarto, respectivamente, enquanto o San Francisco venceu o clássico contra o Tauro e subiu para o sétimo posto, com 12 pontos, afundando o rival para na vice-lanterna, com apenas 9; 

Jamaica

– Um triunfo mínimo sobre o Tivoli Gardens ampliou a boa fase do Montego Bay na National Premier League. O Seba tem 45 pontos em 24 jogos, três a mais que o atual campeão Harbour View, que superou o Cavalier. O T.G. é o quinto, com 34, enquanto o Portmore bateu o August Town e alcançou o oitavo lugar, com 29 pontos;

Trinidad & Tobago

– Frente ao Central, o W Connection sofreu seu segundo revés no campeonato nacional. E não foi uma derrota qualquer: um categórico 3×0 em seus domínios. Mesmo assim, os Savonetta Boys seguem tranquilos na ponta da TT Pro League, com cinco pontos a mais que o algoz e uma partida a menos. Atual campeão, o Defence Force bateu o Point Fortin e é o quinto, com 26 pontos, mas em apenas 15 jogos, enquanto o San Juan Jabloteh perdeu mais uma, dessa vez para o North East Stars, e segue em penúltimo, com 11 pontos;

Nicarágua

– Todos os ponteiros tropeçaram na rodada do Clausura da Liga Nacional. O Walter Ferretti perdeu em casa para o Ocotal, mas manteve a liderança com 28 pontos, ao lado do Diriangén, que empatou com o Managua. Atual hexacampeão, o Real Estelí também ficou no empate com o San Marcos e é o terceiro, com 27 pontos.