Você pode escolher o personagem. Na goleada do Barcelona sobre o Girona por 6 a 1, muitos foram os jogadores que se sobressaíram individualmente. Lionel Messi, para variar, destruiu. Anotou dois belos gols, deu assistência para outro e construiu a jogada de mais um. Luis Suárez também não ficou atrás. Foram três tentos para o Pistolero, que segue em uma fase ótima. Mas a nenhum outro jogador a noite no Camp Nou foi mais importante do que para Philippe Coutinho. Ainda se adaptando aos blaugranas, o brasileiro começava a ter sua contratação questionada, em imediatismo impulsionado pelos valores suntuosos da negociação. Neste sábado, ao menos, ele contribuiu ao show. Deu a sua assistência a Luisito e anotou um golaço, que até relembrou os melhores momentos em Liverpool.

Ernesto Valverde tinha força máxima à sua disposição e entrou com uma formação ofensiva. Enquanto Messi e Suárez comandavam o ataque, Philippe Coutinho e Ousmane Dembélé caíam pelas pontas no 4-4-2 blaugrana. Mas, surpreendentemente, foi o Girona que abriu o placar no Camp Nou, aos três minutos. A partir de uma bola roubada, os alvirrubros armaram o contra-ataque e Portu ganhou de Samuel Umtiti para vencer Marc-André ter Stegen. A surpresa não durou mais do que um punhado de segundos. Em avanço rápido, o Barça empatou aos cinco. Enfiada de Messi para Luis Suárez arrematar na saída do goleiro Bono.

A partir de então, o jogo ficou nas mãos do Barcelona. O Girona tinha uma postura agressiva e se adiantava em campo, mas cedia espaços. E Messi estava faminto pela virada. O craque não marcou aos 18 porque, depois de encobrir Bono, viu Bernardo Espinosa tirar a bola em cima da linha. Já aos 30, não houve quem o parasse – literalmente. A marcação dobrou e a jogada parecia perdida ao camisa 10, encurralado dentro da área. Então, ele mudou de direção, acelerou e chutou rasteiro, no canto do goleiro. Um gol com a assinatura de Messi, que aos 37 acabaria lembrando seu amigo Ronaldinho. A falta cobrada por baixo da barreira estufou as redes. E antes que o intervalo chegasse, aos 44, houve tempo ao quarto gol. Mais um lance iniciado por Messi, que atravessou o campo de ataque e abriu com Coutinho. O brasileiro cruzou e Suárez escorou para dentro.

O Barcelona não diminuiu o ritmo no segundo tempo. Suárez acertou a trave e Messi exigiu boa defesa de Bono. Aos 21 minutos, veio o quinto gol, com a estrela de Philippe Coutinho. O brasileiro recebeu na entrada da área e, mesmo marcado de perto, girou o corpo para ficar com o caminho livre. Então, desferiu um daqueles seus chutes imparáveis, com curva, para beijar a trave e entrar. Bono evitava o pior, buscando uma falta de Messi rumo ao ângulo e também desviando ao travessão cabeçada de Thomas Vermaelen. Entretanto, não impediu a tripleta de Suárez aos 31, com Dembélé cruzando após lançamento milimétrico de Ivan Rakitic. Ao final, o Girona ainda tentou diminuir, mas Ter Stegen fez duas defesaças.

Em uma partida de pouca exigência, Coutinho conseguiu fazer sua melhor exibição pelo Barcelona. Apoiou pelo lado esquerdo e buscou a faixa central em suas movimentações. Potencializou as jogadas verticais, partiu para cima, driblou. Criou chances aos companheiros e também finalizou. Sai com um gol, uma assistência e o primeiro golaço com a camisa blaugrana. Saldo positivo também para Dembélé, que não foi tão efetivo, mas contribuiu pelo lado direito, sobretudo com seus cruzamentos.

Sobrando no Campeonato Espanhol, o Barcelona volta a esfriar as pretensões do Atlético de Madrid. Os catalães somam 65 pontos, 10 a mais que os colchoneros, que fazem jogo difícil contra o Sevilla neste domingo. Tranquilidade para seguir em frente, após uma semana na qual os blaugranas ficaram devendo contra o Chelsea. Já o Girona, a despeito do placar, faz uma campanha digníssima em sua estreia na primeira divisão. É o nono, com 34 pontos. Neste sábado, porém, a sede ao pote inicial atrapalhou.