O ano vem sendo bom para a Bolívia na Copa Libertadores da América. Strongest e Jorge Wilstermann hasteiam a bandeira do país nas oitavas de final – somente a segunda vez neste século em que dois representantes bolivianos alcançam os mata-matas. Levando em conta o formato da competição até o final dos anos 1990, em que os dois participantes de cada país caíam na mesma chave e por vezes o terceiro colocado avançava às oitavas, foram cinco dobradinhas anteriores entre bolivianos. E sempre com o Bolívar presente. Se o maior campeão nacional desta vez não compartilha o sucesso continental, ao menos continua reinando no país. Neste domingo, os celestes ratificaram a conquista de seu 25° título no Campeonato Boliviano, faturando o Apertura.

A celebração do Bolívar era esperada há semanas. O time de La Paz voou durante toda a campanha. Foram 15 vitórias em 21 partidas disputadas até o momento, com 58 gols marcados e apenas 16 sofridos. E o momento mais contundente veio justamente nos clássicos, batendo o Strongest por 4 a 1 e 3 a 1. Já nas últimas rodadas, a sequência de vitórias dos celestes não deixava dúvidas sobre o seu potencial. Conquista confirmada neste domingo, graças à vitória por 2 a 0 sobre o Universitario de Sucre, mantendo os seis pontos de vantagem na liderança. Curiosamente, os campeões se recusaram a erguer a taça em Sucre, após um pedido para que a entrega do troféu acontecesse na última rodada, em La Paz, diante de sua torcida.

À frente do Bolívar, uma aposta interessante feita pelo presidente Marcelo Claure. O técnico é Beñat San José, espanhol de 37 anos que já possui um currículo singular. Começou na base da Real Sociedad, antes de passar pelo Oriente Médio (campeão na Arábia Saudita com o Al-Ittihad) e chegar à América do Sul pelas portas do Antofagasta. Levado pelos celestes em maio do ano passado, o comandante tem uma proposta de jogo ofensiva, que já rendera uma disputa ponto a ponto com o Strongest no campeonato passado, apesar da conquista aurinegra. Agora, teve o gosto da glória inédita.

Já em campo, os paceños contam com uma equipe recheada de jogadores experientes e outros com rodagem em países sul-americanos – como os uruguaios Leandro Sirino, William Ferreira e Mauricio Prieto; o argentino Matías Dituro; e o chileno Ronnie Fernández. Entre os locais, destaque para Ronald Raldes, Enrique Flores, Leonel Justiniano e Juan Carlos Arce, todos convocados na última Data Fifa pela seleção boliviana. Já na linha de frente, quem desponta é Juan Eduardo Fierro, artilheiro do time com 15 gols, trazido após se destacar no Universitário de Sucre.

Pela maneira como atua e pela tarimba de seu elenco, o Bolívar promete fazer participações dignas nas próximas competições internacionais. Está garantido na Libertadores de 2017, mas antes busca o seu sucesso na Copa Sul-Americana. Eliminou o Deportes Tolima na primeira fase e pegará a LDU Quito nos 16-avos de final, podendo cruzar com diversos brasileiros na sequência. O Fluminense é um adversário em potencial nas oitavas, antes de talvez pegar Flamengo ou Chapecoense nas quartas. Um time para, desde já, ficar de olho.