A nova temporada da Major League Soccer tem início marcado para sexta (6), com o Los Angeles Galaxy recebendo o Chicago Fire. Enquanto isso, o Orlando City vendeu 60 mil ingressos para sua primeira partida na liga. Só que existe um pequeno problema. A primeira rodada inteira pode não acontecer por causa de uma possível greve dos jogadores.

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A questão contratual funciona um pouco diferente na MLS. O vínculo dos atletas é com a liga e não diretamente com as equipes, assim como funciona na maioria dos outros campeonatos de futebol do mundo. E além dos contratos individuais, existe um acordo coletivo – chamado de collective bargaining agrément (CBA) – entre a MLS e a Associação de Jogadores (MLSPU, em inglês).

O grande problema é que esse acordo coletivo expirou ao fim da última temporada e as duas partes não conseguiram chegar a um novo contrato até o momento. E de acordo com os principais jornalistas que cobrem a MLS, os jogadores não entrarão em campo no próximo final de semana se não tiverem o novo CBA assinado ou pelo menos muito adiantado.

Vários jogadores deixaram os treinos de suas equipes para ir à Washington conversar com representantes da liga e alguns donos de franquias. Só que as negociações não estão indo para frente e os atletas ameaçam deixar as reuniões, o que causaria um locaute. O fato não é novidade para os esportes norte-americanos, já que a NBA e a NHL passaram recentemente pela mesma situação, mas seria a primeira vez que aconteceria na MLS.

A maior diferença entre os interesses está no fato de que os jogadores querem virar agentes livres após o encerramento de seus contratos – algo comum nas outras ligas, mas que não acontece na MLS – e poder negociar com qualquer clube. Só que os donos e a liga não aceitam a ideia. O grupo chegou a colocar uma proposta na mesa, mas que daria o direito a apenas um atleta ativo (Brad Davis), já que exigiria que o atleta tivesse mais de 32 anos e disputado pelo menos dez temporadas com uma única equipe.

A situação é tão complicada que os agentes de diversos jogadores já estão procurando equipes de outros campeonatos dos Estados Unidos para colocar seus clientes enquanto a greve contra a MLS continuar. E isso é importante porque os atletas que saírem para atuar em outros países não poderiam voltar ao território norte-americano durante o locaute.

Outro ponto favorável para uma possível greve é que os sindicatos de atletas das outras grandes ligas norte-americanas se juntaram para criar um fundo para que os jogadores da MLS possam ter dinheiro durante o período em que não estiverem recebendo de seus empregadores.

A única boa notícia é a de que Scot Beckenbaugh chegou à Washington para mediar as negociações. Scot tem um ótimo histórico trabalhando com partes diferentes em novos acordos coletivos. Ele foi o principal agente na última CBA da MLS em 2010, ajudou a NHL a acabar com o locaute em 2012/13 e foi o responsável pela volta dos árbitros profissionais à liga de futebol na última temporada.

É bem provável que a primeira rodada da Major League Soccer não aconteça no próximo final de semana. Mas tomara que a partir deste momento, os donos das equipes vejam que o locaute é mais prejudicial a eles, já que a liga vive um novo momento e conseguiu parceiros que vão fazer muita pressão em cima deles, como a Sky Sports, que transmitirá o campeonato na Inglaterra pela primeira vez.

Que dê certo e a bola volte a rolar nos Estados Unidos o mais rápido possível.