Começo este texto com uma breve explicação jurídica. Imagina que um sujeito vá a uma festa e encha a cara. Na saída, alguém mexe com a mulher dele, e ele resolve dar um soco na cara do engraçadinho. Em princípio, temos apenas um caso de um bêbado idiota que poderia passar um par de noites no xilindró. Imagine, porém, que o cara que toma o soco na cara cai no chão, bate a cabeça na calçada e morre. De repente, o bêbado idiota passou a ser um assassino bêbado idiota. Não, ele não pensou que ia matar o engraçadinho, mas o agrediu propositalmente, e foi isso que gerou a morte. É o que, em direito, se chama “homicídio culposo”.

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Esta figura não existe no esporte, mas é exatamente o que aconteceu no jogo desta sexta-feira entre Brasil e Colômbia quando Zuñiga agrediu Neymar. Não é possível dizer que o colombiano foi “apenas estabanado”. Ele entra para machucar. Uma pancada no tornozelo, por mais que possa parecer proposital, sempre pode ser um erro de “tempo de bola”. Uma joelhada nas costas, nunca. É apenas e tão somente uma agressão.

Uma agressão pode ser só uma agressão se ela não gerar efeitos. Se ela arrebentar o agredido, porém, ela passa a ser algo mais. Passa a ser o que chamamos no futebol de “entrada criminosa”. Juan Zuñiga deu uma entrada criminosa em Neymar. Joelho nas costas, o que mais pode ser que não uma agressão? Qual era a intenção dele ao levantar o joelho? Não podia ser outra que não a agressão. O colombiano tem que ser punido por isso. E todas as tentativas de “aliviar” para ele, de dizer que o lance foi “coisa de jogo”, são inexplicáveis.

Coisa de jogo é desarme duro. É pancada no tornozelo, até quando ela é imprudente, até quando ela quebra a perna, porque sempre pode ser que o agressor tenha errado o lance, tenha tentado o desarme duro. Com joelho nas costas, não há como aliviar porque nunca pode ser um lance de jogo.

Com o joelho nas costas, não é futebol.