A Suíça mostra a conhecida capacidade defensiva… e a também conhecida incapacidade ofensiva. Há a Costa Rica, com os mesmos destaques de 2014 – Keylor Navas, Celso Borges, Cristian Bolaños, Marco Ureña, Bryan Ruiz -, tentando esperar que a magia daquela Copa se repita. E a incógnita que é a Sérvia: há o crescimento de alguns jogadores, mas os mais experientes estão na defesa – e o técnico Mladen Krstajic ainda é interino. A sensação unânime é de que, novamente, o sorteio das chaves da Copa do Mundo foi benéfico para o Brasil, dando à Seleção a chance de se entrosar (e até se aprimorar contra equipes fechadas).

É mais um grupo, em tese, fácil para a equipe nacional brasileira nos Mundiais. O que não significa que o Brasil nunca teve pedreiras para enfrentar em seus primeiros jogos – mas quando as teve, conseguiu superá-las, ganhando até base para partir rumo a títulos. Pelo menos, é o que revelam dois rankings feitos pela Trivela, levando-se em conta o que se pensava dos rivais antes da Copa começar – e como o Brasil passou pelos jogos durante ela.

Grupos mais difíceis

Só com a vitória sobre a União Soviética a Seleção Brasileira ganhou confiança em si, após a primeira fase exigente
1º – 1958

A Áustria, terceira colocada em 1954. A Inglaterra – que não só tinha a tradição de “país que inventou o futebol”, mas até ganhara da Seleção (4 a 2, num amistoso em 1956, com o ausente Stanley Matthews atormentando Nilton Santos). E a União Soviética – com uma de suas melhores gerações, e sempre com a falta de informações profundas (e a teoria do “futebol científico”) dando a impressão de que o time era bem preparado, fortíssimo, quase imbatível. Desafios nada desprezíveis para um Brasil que ainda tentava curar as feridas de 1950 – e se refazer da eliminação turbulenta de 1954.

Na estreia, um 3 a 0 mais eficiente do que vistoso nos austríacos, ainda com Dino Sani, Mazzola e Joel na equipe. Contra a Inglaterra, a pressão do ataque brasileiro já foi mais forte, mas os adversários terminaram melhores no 0 a 0 em Gotemburgo, deixando algumas dúvidas sobre a capacidade brasileira. Aí, a lesão de Dino Sani abriu espaço para Zito entrar; dores no joelho de Joel foram a deixa para Garrincha virar titular; e Pelé, de escalação já prevista, começou jogando contra a União Soviética. Foram justamente os três que tiveram as melhores atuações, no 2 a 0 contra os russos – e foi esta a vitória que deu ao Brasil a sensação de que talvez aquela fosse a Copa. E foi.

O jogo contra a Inglaterra era o mais desafiador numa primeira fase complicada. E o Brasil de 1970 superou ambos, com grande concentração e técnica

2º – 1970

Depois da eliminação vexatória em 1966 (e da condução confusa da Seleção, entre uma Copa e outra), a equipe chegou a 1970 tendo provas consideráveis para superar. Como em 1958, a Inglaterra – que, então, tinha um título mundial para defender. A Tchecoslováquia começava a exibir uma de suas melhores gerações, que teria alguns remanescentes no título europeu, seis anos depois (o goleiro Ivo Viktor, o zagueiro Karol Dobias e o atacante Ladislav Petras). E a Romênia sobrepujara em seu grupo nas Eliminatórias duas seleções que haviam marcado presença em 1966 – uma das quais, Portugal, terceira colocada, ainda com Eusébio, Antônio Simões, José Augusto e José Torres. A única sorte da Seleção para aquele grupo é que, fosse com João Saldanha nas Eliminatórias ou com Zagallo já no México, a equipe titular era extremamente calejada, experiente e concentrada.

Havia quem tivesse certa idade e ganhasse a chance esperada para mostrar serviço numa Copa (Carlos Alberto Torres, Rivellino), havia quem fosse revelação em 1966 e já tivesse mais experiência (Tostão, Jairzinho), havia os questionados que desejavam mostrar que mereciam respeito (Félix, Brito) e havia quem tivesse a oportunidade derradeira para provar o quanto jogava (acima de todos, Pelé). Não impressiona que tal equipe tivesse dedicação para buscar a virada e os 4 a 1 na Tchecoslováquia. Nem que tenha conseguido segurar o 1 a 0, no equilibradíssimo jogo contra a Inglaterra. E nem que tenha mantido a atenção para conseguir o 4 a 2 na Romênia, já classificada. Muito menos impressiona que o Brasil de 1970 tenha dizimado as más memórias de 1966 para se credenciar como um dos grandes times das Copas.

O Brasil tomou sustos inesperados na primeira fase da Copa de 1962, mas se recompôs para o bicampeonato

3º – 1962

À primeira vista, o grupo de 1962 nem era tão difícil. Com a mesma base de 1958, a estreia contra o México – rival já habitual e fácil em primeiras fases, com as goleadas de 1950 e 1954 – foi superada com um protocolar 2 a 0. Porém, o jogo contra a Tchecoslováquia foi duplamente traumático. Principalmente, claro, pela lesão muscular na virilha que tirou Pelé da Copa do Mundo. Mas também por ter mostrado que os tchecos possuíam uma equipe técnica, talvez a melhor de sua história (com Josef Masopust à frente, mas tendo luminares como Ladislav Novak, Ján Popluhar e Tomas Pospichal). O empate em 0 a 0 mostrou que o Brasil, favorito, teria de suar mais para justificar o status.

E a partida final do grupo seria um desafio considerável: a Espanha. Certo, não estava o lesionado Alfredo di Stéfano. Mas havia Adelardo, Enrique Collar, Ferenc Puskas, Francisco Gento, Joaquín Peiró… e os espanhóis fizeram 1 a 0. Parecia uma eliminação que seria inesperada e dolorosa. Aí valeu a experiência brasileira: com Didi e Nilton Santos acalmando o time, Garrincha começou a brilhar, e Amarildo mostrou o valor que teria ao substituir Pelé, marcando os dois gols da virada sobre os espanhóis. Dali por diante, Garrincha chamou a responsabilidade, e foi o destaque supremo no caminho para o bicampeonato. Mas o fato é que, num grupo aparentemente tranquilo, o Brasil precisou levar um chacoalhão para se recompor. Conseguiu – e o fato de ter decidido aquela Copa contra a Tchecoslováquia só mostra que aquele grupo não era tão fácil.

Brasil suou na primeira fase da Copa de 1978. A ponto de ter passado à segunda fase como vice

4º – 1978

Outra vez, um grupo que, a princípio, não traria grandes problemas para um time que se pretendia moderno, alternando técnica (Rivellino, Zico, Reinaldo) e firmeza (Leão, Batista, Gil, Roberto Dinamite) para superar Suécia, Espanha e Áustria. Só que alguns fatores atrapalharam demasiadamente o caminho. O péssimo gramado do estádio de Mar del Plata; as lesões que tiraram Reinaldo da Copa (e afastaram Rivellino da maior parte dela); as pressões sobre o trabalho de Cláudio Coutinho; as próprias indecisões e invenções táticas de Coutinho; as inesperadas boas atuações da Áustria, com Herbert Prohaska e Hans Krankl à frente.

Tudo isso rendeu resultados decepcionantes para aquela Seleção. O empate em um gol contra a Suécia já preocupou, na estreia. E a nova igualdade contra a Espanha – 0 a 0 – por pouco não foi derrota (Amaral salvou em cima da linha um chute de Carlos Alonso Santillana). O temor de uma derrota para a Áustria – e da consequente eliminação – era, sim, existente no terceiro jogo. Com uma equipe mais corpulenta, Roberto Dinamite fez o gol salvador, Leão fez boas defesas no fim da partida, e foi mantido o 1 a 0. Ainda assim, o Brasil foi para a segunda fase apenas na segunda colocação.

A Argélia prometia causar dificuldades ao Brasil em 1986 – e até causou. Só este gol de Careca aliviou

5º – 1986

Não que o grupo da segunda Copa disputada no México assustasse a Seleção Brasileira, socorrida às pressas nas Eliminatórias pela volta de Telê Santana, pelo auxílio dos veteranos (Sócrates, Zico, Cerezo, Júnior) e pela eclosão dos novos talentos (Renato Gaúcho, Casagrande). No entanto, todos os problemas existentes dali por diante – os problemas físicos que vitimaram Sócrates e causaram o corte de Cerezo, a seríssima lesão de Zico, o caos na preparação, o corte de Renato, a conturbada renúncia de Leandro no dia do embarque – trouxeram certo temor do que o grupo poderia fazer contra a Espanha, vice-campeã europeia, além de Argélia e Irlanda do Norte, que vinham de papel honroso em 1982 e tinham capacidade de causar problemas. De certa forma, esses temores se mostraram justificados.

Contra a Espanha, uma atuação nervosa do Brasil – incluindo o célebre gol de Michel não validado pelo juiz australiano Christopher Bambridge, mesmo que a bola tenha claramente cruzado a linha de gol -, mas o gol de Sócrates salvou as coisas com o 1 a 0. Ritmo semelhante se viu contra a Argélia: um time desorganizado após a lesão que tirou o lateral direito Édson Boaro da Copa, possibilitando até uma pressão argelina no segundo tempo, até Careca evitar desastres com o gol da vitória em Guadalajara. Só na terceira partida – 3 a 0 sobre a Irlanda do Norte, incluindo fabuloso gol de Josimar, titular na lateral direita – a Seleção deu certa impressão de evolução. E bem ou mal, saiu da primeira fase com 100% de aproveitamento, sem gols sofridos. Ainda assim, não empolgou em momento nenhum.

Achou-se que Portugal e Hungria não dariam dificuldades ao Brasil na fase de grupos de 1966. Acontece.

6º – 1966

Portugal, um país que sequer tinha Copas do Mundo no currículo até aquela classificação? A Hungria, que para muitos vivia de passado – num período em que pouco se sabia a fundo de qualquer seleção internacional? A Bulgária, que não vencera jogo algum ao estrear em Mundiais, quatro anos antes, no Chile? Para muitos, era a garantia de que a Seleção Brasileira teria vida fácil na Inglaterra. Até porque Pelé seguia na equipe – e Garrincha, Zito, Djalma Santos, Gilmar… sem contar os talentos que surgiam, como Tostão, Rildo, Jairzinho, Silva, Gérson e Edu (este, até agora o mais jovem jogador que o Brasil levou a uma Copa).

No começo, o 2 a 0 sobre a Bulgária deu a impressão de que, de fato, o time estava pronto. Mas todas as fragilidades da Seleção foram postas a nu com os 3 a 1 sofridos para a Hungria. A equipe estava lenta, principalmente na defesa – e foi presa fácil para uma geração húngara que explodiu justamente naquela Copa, com Florián Albert e Ferenc Bene como grandes protagonistas. Veio a necessidade de vencer Portugal – que originou outro defeito: a falta de unanimidade sobre uma base para os titulares. Muita gente foi trocada, mas o resultado não mudou. Com firmeza (até demais) na defesa e velocidade no ataque, graças a um Eusébio imparável, os Tugas surpreenderam os brasileiros. E o que parecia um grupo fácil – e até era, se levado com seriedade – virou um dos grandes vexames da Seleção em Copas.

Grupos mais fáceis

Brasil teve lá suas dificuldades na fase de grupos de 2002, mas pôde utilizá-la para acertar os erros da equipe. Deu muito certo.

1º – 2002

Tão logo as bolinhas foram sorteadas para a Copa do Mundo disputada em Japão e Coreia, viu-se alívio e até comemoração no Brasil. Turquia, Costa Rica e China? Era o melhor dos mundos. No entanto, não se podia esquecer a turbulenta campanha da Seleção nas Eliminatórias, com três técnicos (quatro, contando-se os 6 a 0 contra a Venezuela, com o comando do interino Candinho), cinco derrotas… todo cuidado era pouco. Mas, de fato, o grupo rendia aos convocados de Luis Felipe Scolari exatamente o que precisavam: jogos que possibilitassem à equipe se acertar e se aprimorar, com boas possibilidades de vitória, para chegar embalada às fases eliminatórias. Foi exatamente o que aconteceu. Até com testes válidos, mais difíceis do que o imaginado.

A Turquia mostrou talento, com a velocidade de Hasan Sas no ataque, e a segurança de Rustu Reçber no gol. Fez 1 a 0, e causou ao Brasil um jogo árduo, só resolvido graças ao oportunismo de Ronaldo – e a falta em Luizão, transformada em pênalti pelo juiz. Contra a China, um 4 a 0 em ritmo de treino (em que pese uma bola na trave dos chineses, no segundo tempo). E contra a Costa Rica, mesmo com as fragilidades defensivas que puseram a vitória a perigo, o talento da dupla Ronaldo-Rivaldo – e a capacidade de reservas como Júnior – renderam a goleada por 5 a 2. De quebra, vários reservas tiveram sua chance na fase de grupos, como Anderson Polga e Kaká. A facilidade da fase de grupos cumpriu seu papel: afinou a equipe para os testes que vieram. O Brasil passou por todos eles, e chegou ao pentacampeonato. Graças à “ajuda” da fase de grupos – nem tanto, se pensarmos que a Turquia alcançou a terceira posição.

Brasil não teve problemas com os adversários do grupo em 2006. Mas não foi testado. Quando foi…

2º – 2006

Certo: talvez nunca antes de uma Copa do Mundo a empolgação com o Brasil tenha sido tão grande quanto foi em 2006. Para começo de conversa, havia o “quadrado” Kaká-Ronaldinho-Adriano-Ronaldo. Havia Robinho, que àquela altura parecia a próxima estrela brasileira. Havia uma defesa segura e experiente. E havia a lembrança de atuações brilhantes em Copa das Confederações e nas Eliminatórias. O que não significa que o grupo brasileiro fosse totalmente imune a surpresas. A Croácia possuía uma equipe experiente; voltando a Copas após 32 anos, a Austrália parecia bem armada taticamente; e o Japão, treinado por Zico, também poderia causar problemas (já havia causado na Copa das Confederações, com o empate por 2 a 2).

No fim das contas, a fase de grupos trouxe notícias boas e ruins. A notícia boa: apesar de algumas inseguranças vistas contra Austrália e Japão, a qualidade superior que o Brasil tinha se fez sentir, e a equipe outra vez terminou com 100 por cento de aproveitamento. A notícia ruim é que se viu em campo uma seleção lenta, sem criatividade no meio-campo, sem mobilidade no ataque. Havia quem pudesse resolver isso no banco de reservas (Cicinho, Gilberto, Juninho Pernambucano e Robinho tiveram boas atuações contra o Japão), mas jamais desafiariam os titulares absolutos. Com a preparação desleixada, o Brasil apenas cumpriu a obrigação de tornar o grupo “fácil”. Mas não foi testado. Sentiria falta disso na enganosa vitória contra Gana, nas oitavas de final. E principalmente, quando nada pôde fazer contra uma França renascida e reanimada, nas quartas de final, simbolizada na classe de Zinedine Zidane.

As dificuldades brasileiras no grupo de 1990 foram mais internas do que externas

3º – 1990

Dois velhos conhecidos de Copas do Mundo (Suécia e Escócia), e um estreante, a Costa Rica. De certa forma, apenas a Suécia assustava: era considerada o adversário mais forte do grupo, em tese, com Mats Magnusson e a revelação Tomas Brolin como os mais badalados da equipe. Ainda assim, as vitórias contra Itália e Holanda, em amistosos, haviam reavivado o eventual favoritismo brasileiro naquela Copa. Os problemas estavam na polêmica sobre o 3-5-2 adotado por Sebastião Lazaroni – e nas crescentes discordâncias internas entre os jogadores. A vexatória derrota num amistoso não oficial, pouco antes da Copa (1 a 0 para a equipe da Úmbria, região onde o Brasil treinava quando chegou à Itália), também não ajudou muito.

De certa forma, as dificuldades na fase de grupos foram mais internas do que externas. Contra a Suécia, em que pese um começo compreensivelmente cauteloso, as boas atuações dos alas Branco e Jorginho – e o brilho de Careca no ataque – encarregaram-se de garantir a vitória por 2 a 1. Contra a Costa Rica, o 1 a 0 ficou muito barato, tantas foram as chances perdidas. E contra a Escócia, experimentando três jogadores no ataque (incluindo o recuperado Romário), a marcação foi afinal vencida pelo gol de Muller, no fim do jogo. Três vitórias em três jogos. Bom, na teoria. Na prática, uma cautela e uma lentidão que irritavam a torcida, além das falhas nas finalizações, vistas principalmente contra os costarriquenhos. Erros que tiveram seu preço contra a Argentina, nas oitavas de final.

Só a Suécia deu problemas ao Brasil na primeira fase de 1994

4º – 1994

O único adversário brasileiro na fase de grupos que ofereceria facilidades desde o começo nos Estados Unidos era a Rússia, abalada por um motim de seus principais jogadores (Igor Shalimov, Andrei Kanchelskis e Igor Dobrovolsky), retaliados com a ausência da convocação pelo técnico Pavel Sadyrin. Camarões trazia o respeito das inesquecíveis performances de 1990, e trazia certa ansiedade sobre o que poderia fazer. E a Suécia, reencontrada após 1990, parecia mais regular, pronta para apagar as péssimas memórias do Mundial realizado na Itália.

Só que é preciso reconhecer: embora desagradasse a torcida pela excessiva cautela, o time do Brasil estava preparado e entrosado, sabendo perfeitamente o que fazer em termos táticos, mais focado após as várias discussões de 1990 – e se faltava o ímpeto ofensivo, Romário o provia de sobra. Assim, não só a Rússia foi superada sem problemas com o 2 a 0 da estreia, mas também Camarões (violenta em campo, desatenta fora dele) foi presa fácil, num 3 a 0 que classificou antecipadamente o Brasil para as oitavas. Só a lentidão do 1 a 1 contra a Suécia, com o gol de Kennet Andersson assustando antes do empate de Romário, pôs alguma dúvida. Mas o foco daquela Seleção Brasileira – talvez a principal qualidade que a levou ao quarto título – foi o responsável por tornar aquela fase de grupos “fácil”.

Além da União Soviética, a Escócia também deu certos alertas ao Brasil, na fase de grupos de 1982

5º – 1982

A campanha primorosa nas Eliminatórias (em que pesasse ser contra fragílimas Bolívia e Venezuela), as atuações promissoras no vice-campeonato obtido no Mundialito, o brilho visto na sequência europeia de amistosos em 1981: tudo isso tornava a Seleção Brasileira justamente badalada antes da primeira fase na Copa da Espanha. E pelo menos aparentemente, só haveria problemas contra a União Soviética: misteriosa, tecnicamente elogiável, uma das únicas seleções a ter vencido o Brasil sob Telê Santana (2 a 1, num amistoso em 1980). A Escócia e a Nova Zelândia não ofereceriam dificuldades.

De fato, a estreia contra os soviéticos trouxe problemas: mesmo com o começo melhor do time brasileiro, a falha de Valdir Peres no gol de Andrei Bal deixou o time emocionalmente instável – e independentemente disso, a defesa também não colaborava, com a lentidão (e dois pênaltis cometidos por Luisinho, justiça seja feita). Somente no segundo tempo, a insistência brasileira no ataque rendeu frutos, com a virada tardia graças a belíssimos gols de Sócrates e Éder. Mas contra a Escócia, que tinha uma de suas grandes gerações – Gordon Strachan, Kenny Dalglish, Graeme Souness, Joe Jordan -, sair atrás de novo também trouxe dificuldades e tensões, amenizadas apenas com a virada e o segundo tempo irretocável que levou ao 4 a 1. Somente contra a Nova Zelândia, semiamadora, o jogo teve “ritmo de treino”, com 4 a 0. Mas o Brasil recebera avisos: talvez uma seleção mais forte não o perdoasse. Até levou a sério tais avisos. Mas a Itália não perdoou, na segunda fase.

Brasil começou a mostrar fragilidades já num grupo fácil, em 1998 – e derrota para a Noruega provou isso

6º – 1998

Só a Noruega (uma das únicas quatro seleções a nunca ter perdido do Brasil em Copas – e no caso norueguês, nem em amistosos perdeu) trazia dores de cabeça – quando nada, porque fizera 4 a 2 na Seleção em 1997. Com uma equipe extremamente envelhecida e pouco técnica, a Escócia não dava medo na primeira fase do torneio disputado na França. E depois da eliminação na fase de grupos de 1994, não se esperava que Marrocos pudesse causar problemas ao time brasileiro.

De fato, os adversários não deram tantos problemas assim. O próprio time brasileiro é que se colocou em dificuldades desnecessárias. O nervosismo da estreia levou a uma vitória por 2 a 1 sobre a Escócia, sem brilho algum. Mesmo um 3 a 0 sem problemas sobre os marroquinos causou celeuma, graças a uma discussão mais exaltada entre Dunga e Bebeto, na formação de uma barreira para falta, durante o primeiro tempo. E contra a Noruega, quando se esperava, enfim, uma vitória, após Bebeto abrir o placar, as falhas defensivas se fizeram sentir pela primeira vez, com a virada norueguesa em Marselha. Não era um grupo difícil. Mas o Brasil passou por ele sofrendo manchas.