Merecidamente, o goleiro Hannes Halldórsson ganhou o prêmio de melhor em campo na estreia da Islândia na Copa do Mundo. O camisa 1, afinal, pegou um pênalti de Lionel Messi e fez uma série de outras defesas essenciais à sua equipe, além de transmitir muita segurança nas saídas pelo alto. No entanto, para que o trabalho do veterano fosse desempenhado com tamanha competência, foi necessário que uma barreira de handebol se armasse diante de sua área. E ainda mais que os zagueiros, os meio-campistas foram fundamentais para encarar a Argentina. Assim, há outros dois protagonistas que merecem toda a exaltação na tarde histórica: Gylfi Sigurdsson e Emil Hallfredsson.

Se existiam dúvidas sobre a participação de Gylfi Sigurdsson na Copa do Mundo, sua convocação representou um alívio aos compatriotas. Recuperado de uma lesão no joelho, o meio-campista seria parte fundamental na engrenagem da seleção. E o craque do time honrou o número 10 que carrega às costas. Fez uma partidaça, em diferentes aspectos. Era ele quem clareava os pensamentos dos islandeses em suas investidas no ataque, caindo pelos lados do campo. Dava bons passes e, mais do que isso, encarava a marcação, quebrando as cadeiras dos defensores com seus dribles. Em dois cruzamentos pela direita é que nasceu o gol de empate dos nórdicos, até que Alfred Finnbogason aproveitasse o rebote de Willy Caballero. Depois, ainda parou no goleiro adversário. A confiança que o armador transmitia, ao mesmo tempo em que acelerava as jogadas, era fundamental.

O ponto é que Sigurdsson foi fundamental não apenas com a bola. Sem ela, o camisa 10 se tornava mais um dos operários à frente da área da Islândia, sobretudo no segundo tempo, quando voltou bem mais para recompor o sistema. Era um dos leões islandeses, que não permitiam a Lionel Messi respirar e dificultavam demais o trabalho no meio-campo argentino. Por pouco, a referência ainda não proporcionou a virada. Quando teve espaço para criar, o craque esticou demais uma bola a Finnbogason, dando tempo para que Willy Caballero ficasse com a redonda. Nada que diminuísse sua atuação brilhante em Moscou.

Um pouco mais atrás, porém, quem facilitou o trabalho de Sigurdsson e de todos os outros nove jogadores da Islândia foi Emil Hallfredsson. O meio-campista da Udinese é uma opção tática do técnico Heimir Hallgrimson. O treinador preferiu abrir mão de um atacante para oferecer uma liberdade maior a Gylfi Sigurdsson e garantir mais proteção na entrada da área, ao lado do capitão Aron Gunnarsson – outro que vinha de lesão recente e, ainda mais, era dúvida para o jogo de estreia. O camisa 20 não mostrou tanto sua capacidade na saída de bola. Mas o que fez na marcação é algo gigantesco.

Sabe aquele grandalhão calvo que se punha na frente de qualquer jogador que tentasse romper a defesa da Islândia pelo centro do campo? Era Hallfredsson, se multiplicando, também ajudado por Gunnarsson. Foram oito desarmes do meio-campista, trabalhando dobrado para brecar qualquer tentativa da Argentina. Lionel Messi, em especial, deverá ter pesadelos com o camisa 20. Por mais que o craque voltasse para buscar a bola e armar o jogo, muitas vezes terminava acompanhado pelo cão de guarda. Foi o coração da Islândia em Moscou.

Obviamente, para que os argentinos parecessem seis em meio à trinta islandeses, outros caras se doaram ao máximo ao longo dos 90 minutos. Menção honrosa também aos laterais Birkir Saevarsson e Hördur Magnússon, que não deixaram a Argentina se criar por ali, assim como ao zagueiro Kári Árnasson, que dominou a área pelo alto. Bjarnason exagerou um pouco nas faltas, mas foi outro que se entregou demais. São 11 que funcionam como uma unidade e, por isso, se tornam tão difíceis de serem superados. A maneira como os nórdicos ocuparam os espaços e bloquearam as bolas enfiadas é algo impressionante. Se o desenvolvimento do futebol islandês e da Islândia como um país em si dependeu do esforço coletivo, os nórdicos não encontrariam melhor maneira para escrever uma história marcante em Copas.