* Por Leandro Stein e Ubiratan Leal

A distribuição entre os clubes do dinheiro da TV mudou, houve aumento da diferença entre os mais populares e os de menor torcida, mas o Brasil não caminha para se tornar uma nova Espanha. É a opinião de Edu, que esteve dos dois lados desse fenômeno. Como jogador, defendeu o Valencia diante dos galácticos Real Madrid e Barcelona. Como dirigente, comanda o departamento de futebol do Corinthians nesse momento de crescimento econômico do clube.

Ele diz considerar justo os grandes clubes terem cotas de TV proporcionais às suas audiências, mas não crê que isso mude a dinâmica do Campeonato Brasileiro. “Será que também não estão ganhando em cima do Corinthians, pois o Corinthians está aparecendo? É justiça: se um clube aparece 50 vezes na TV e o outro aparece três, pode vender a marca mais caro”, comenta. “Mas é difícil cravar um campeão brasileiro no começo da temporada. Na Espanha, na Inglaterra, na França, na Itália, você consegue”, acrescenta.

Em entrevista exclusiva à Trivela, concedida no final de 2013 especialmente para o lançamento do novo visual do site, o gerente de futebol do Corinthians falou também sobre sua passagem no Arsenal, sobretudo na temporada em que o clube foi campeão inglês invicto, a ida para o Valencia, as dificuldades no trabalho com Ronald Koeman e a passagem na seleção brasileira.

Você jogou com Vampeta, Rincón, Gilberto Silva e Vieira, referências na sua posição. Quem era melhor?

É sempre difícil comparar, porque foram épocas diferentes, times diferentes. Mas o Vieira era muito completo. Ele marcava bem, tinha muita uma imposição física muito grande, fazia gols, tinha liderança. Foi um cara que me marcou muito. Mas seria injusto se eu falasse apenas sobre ele. O Freddy [Rincón] me abraçou no começo da carreira e eu tinha como referência pela forma como jogava, como agia em campo. O Vamp foi meu parceiro em 2000, estava em um dos melhores momentos da carreira, era muito bom com a bola nos pés. E o Gilberto era muito técnico, errava poucos passes, se machucava pouco. Também foram três caras que eu tive grande prazer em jogar ao lado.

Como foi sua adaptação no Arsenal, chegando como uma promessa? Até que ponto essa situação condicionou o primeiro momento?

Várias coisas me atrapalharam nesses primeiros meses. Tive problema com o passaporte, fiquei seis meses a mais no Corinthians, lesionei o tornozelo e perdi minha irmã dez dias antes de minha chegada em Londres. Era muito novo e tinha, entre aspas, a responsabilidade de substituir o Emmanuel Petit. Uma coisa que comento muito é que eu cheguei em uma janela de inverno, não tive uma pré-temporada, e isso é importante. É muito difícil chegar pra jogar, não ter um período de treinamentos com o time. Além disso, eu não conhecia a liga inglesa tão bem, os árbitros. Tentava cadenciar o jogo e não existe cadência, é intensidade os 90 minutos.

BRITAIN SOCCER

Sua melhor temporada no Arsenal foi justamente a do título invicto, em 2003/04. Como foi aquela temporada pra vocês?

O Arsène [Wenger] foi muito feliz. Ele vinha montando o elenco desde 1998 e atingiu o ápice do planejamento em 2002/03. Era um time muito forte que se consolidou. Pouquíssimos atletas chegaram e já se encaixaram no sistema. O Arsène colocava algo que até hoje eu tento aplicar: independente de onde você joga, contra quem, é preciso ter uma mentalidade vencedora. Você tem que treinar pra vencer, tem que jogar pra vencer. Isso foi criado entre nós, tínhamos automático. O empate parecia uma derrota. Construímos essa ambição, ganhando e ganhando.

Quando vocês viram que estava dando tudo certo, que era possível ser campeão sem perder?

Quando todos citaram nosso primeiro turno, percebemos que não tínhamos perdido. Não foi algo planejado. Passamos o primeiro turno sem perder, ganhamos o título contra o Tottenham sem perder e, aí, queríamos carimbar. O objetivo a partir daquele momento era entrar pra história como campeões invictos. Foi mágico.

O que faltou para aquele time ganhar a também a Liga dos Campeões?

Estávamos disputando três competições e estávamos bem nas três. Mas pegamos uma sequência de jogos importantes: as semifinais da copa, as quartas de final da Champions e a briga pela liga. E eram cinco clássicos ingleses. Ganhamos três, empatamos um e perdemos o quinto, justamente na Champions. Era uma sequência grande, em termos de responsabilidade e de exigência física. Não tínhamos tempo de recuperação. Tanto é que perdemos para o Chelsea no segundo tempo. O Deco comentou comigo que o Porto já estava contando com o Arsenal, que estava com um time em cima. É algo até hoje comentado na Inglaterra, porque o título estava próximo. Passei isso por uma situação muito parecida no Corinthians, em 2000. Na minha opinião, o Corinthians tinha um time superior ao Palmeiras, mas foi eliminado.

Como você vê a montagem do Arsenal naquele tempo, se transformando em um esquadrão?

Na verdade, aquelas estrelas foram criadas dentro do Arsenal. O Vieira saiu do Milan e não era um atleta renomado, assim como o Henry e o Pires. Eu era uma promessa. O Kolo Touré, que hoje é um fenômeno, foi trazido da África. De todos, o Bergkamp era o único já consolidado, enquanto o Wiltord era bem comentado na França. E o Arsène teve a sorte de manter esse elenco por muito tempo, trouxe a maioria dos atletas jovens. Não era um time que comprou estrelas, o momento do Arsenal que tornou esses caras top.

Por que naquela época o Arsenal conseguiu montar uma geração tão boa e nunca mais conseguiu?

Eles tentaram fazer a mesma coisa. Mas não é fácil encontrar atletas jovens e tão fortes. Nosso grupo se encaixou de uma forma absurda. Foi um trabalho que deu certo, tentam recriar isso até hoje. Só que é difícil você se desfazer de um elenco, pegar peças, montar um grupo vencedor. Às vezes você contrata um jogar, não é o que você esperava. E todas as contratações pontuais que o Arsène fez naquela época deram certo.

“É muito importante para um clube contratar jogadores jovens e vender caro, financeiramente é legal. Mas isso às vezes não te dá o resultado esperado, títulos, vaga na Champions. O Arsenal é grande, tem uma torcida imensa, mas existe uma contradição em querer só ganhar dinheiro”.

O Arsenal é um clube com dinheiro, poderia fazer investimentos mais pesados em jogadores de nome, mas a contratação do Özil é uma exceção na história recente. Virou uma filosofia dentro do clube trabalhar assim?

É um clube que tem dono. E é aí que eu discuto essa teoria. É muito importante para um clube contratar jogadores jovens e vender caro, financeiramente é legal. Mas isso às vezes não te dá o resultado esperado, títulos, vaga na Champions. Há uma contradição: se um clube tem um dono que quer ganhar dinheiro, ele perde em alguns pontos, porque deixa de segurar um atleta que possa garantir um título. O investidor tem vantagem com isso, mas os milhões de torcedores não têm. Eles não querem saber quem está ganhando dinheiro, eles querem títulos. É preciso encontrar um balanço. O Arsenal é grande, tem uma torcida imensa, mas existe um contradição em querer só ganhar dinheiro.

Você, como dirigente, tem como possibilidades a política de formar jogadores e a de contratar reforços. Se não estivesse dando certo, você pediria por mudanças?

É difícil falar, porque você precisa se enquadrar dentro de um sistema. Para que eles te contrataram e por quê? É preciso seguir uma filosofia. O executivo não é o dono do clube, ele precisa entender um processo. O que o clube quer, a ideia.

Nesse ponto, como você explica a longevidade do Wenger, apesar do desgaste?

O que aconteceu com o Van Persie, que preferiu o United, nós passamos na época de Champions. Se tivéssemos um elenco maior, mais qualificado, aqueles cinco jogos em sequência não teriam peso. Comentávamos internamente, que precisávamos de um pouco mais de elenco. Mas é a filosofia deles. Por mais que falem do Arsène, ele faz o trabalho que é devido. O clube passa a filosofia, não é ele que toma todas as decisões. Obviamente que a influência dele é enorme, mas a filosofia também é enorme. Por mais que ele tenha influência, não sei qual o poder do Arsène de brecar ou colocar à venda os atletas.

Pouco depois da temporada 2003/04, sua melhor no Arsenal, já se comentava que você não continuaria. Por que não houve perspectivas de ficar?

Minha decisão foi altamente financeira. Estava faltando um ano e meio para o término do meu contrato, o Arsenal me procurou e me fez uma proposta de renovação por mais cinco anos. Eu não aceitei. Cheguei em uma condição, estava em outra e eu sabia o que acontecia no mercado. Minha recusa foi veiculada na imprensa e isso atiçou outros clubes. Faltando um ano, o Arsenal me chamou e não aceitei a nova proposta. Então, estourou um negócio um pouco maior, porque eu estava em um momento muito bom. Faltando seis meses, deram o ultimato: ou assina ou vai ficar no banco. O Arsène disse que contava comigo, propôs para eu fosse o terceiro capitão. Sentei de novo, fiz minha contraproposta e não aceitaram.

E como foi a decisão de ir ao Valencia?

Fiquei seis meses nesse joga ou não joga, mas tive muitas propostas. Quando eu tomei minha decisão, o Arsène disse que sabia para onde você eu estava indo, quanto ia ganhar e que faria a mesma proposta para ficar por mais cinco anos. Eu disse que gostaria, mas já tinha praticamente acertado minha transferência. O Valencia fez algo muito fora do normal até para clubes importantes da Europa. Foi muito, muito bom para mim.

SPAIN SOCCER

Você teve muitos problemas com contusão no Valencia. Sua carreira foi abreviada por isso?

A lesão chegou no melhor momento da minha carreira. Eu tinha acabado de sair da Copa das Confederações, em 2005, e fui direto para o Valencia. Depois de cinco jogos, machuquei o ligamento cruzado e acabei perdendo a Copa do Mundo, em que eu era nome praticamente certo no grupo. Depois, tive mais uma lesão de ligamento cruzado, no outro joelho. Mas não foi isso que atrapalhou o encerramento da minha carreira, foi decisão própria.

Você chegou à Espanha em uma época na qual o time ia para as cabeças na liga. Mas, no período em que você estava indo embora, começou essa hegemonia massacrante de Real Madrid e Barcelona. O que aconteceu?

Na minha época, consegui um título de copa, estava sempre disputando a Champions. Foi também um momento conturbado do Valencia. O [Ronald] Koeman fez um trabalho terrível, houve uma sequência de treinadores que acabou desestabilizando um pouco o Valencia. A hegemonia começou, sobretudo, quando o time do Barcelona encaixou. Havia grandes contratações, mas a maioria dos jogadores era da casa. Chegou uma época em que ficou difícil, a gente ia ao Camp Nou pensando em fazer de tudo para empatar.

Quão ruim é esse tipo de desequilíbrio para o campeonato?

Para o futebol, é difícil falar. Não sei se é justo de dar o mesmo valor para o Barcelona, que você tem milhões de pessoas assistindo, e para outro clube que tem 100 mil vendo. Um aparece milhões de vezes mais do que o outro, por que precisa ganhar o mesmo? A disparidade é grande, mas é um trabalho feito pelo próprio Barcelona e pelo próprio Real Madrid. Não foi uma coisa que criaram para eles, foi algo que eles trabalharam para acontecer.

Alguns argumentam que o futebol brasileiro também pode ficar assim, com o aumento na diferença dos contratos de TV.

Não sei se é possível, é difícil prever. Falamos muito da visibilidade que temos. É aquilo: o Corinthians vai para a televisão, quanto dá de audiência? Será que também não estão ganhando em cima do Corinthians, porque o Corinthians está aparecendo? Será que não tem propaganda que é vendida mais caro porque o Corinthians vai jogar? É justiça: se um clube aparece 50 vezes na TV e o outro aparece três, pode vender a marca mais caro. É algo que foge da minha alçada, mas também existe mérito pelo trabalho feito pelos clubes. Mas não creio que o futebol brasileiro esteja nesse caminho. Falo por causa do equilíbrio do Brasileirão. É difícil cravar um campeão no começo da temporada. Na Espanha, na Inglaterra, na França, na Itália, você consegue. Aqui, não.

Vamos voltar um pouco. Você mencionou o trabalho do Koeman no Valencia. Foi uma passagem polêmica: ele entrou no meio da temporada, afastou o Cañizares e o Albelda, dois ídolos da torcida, e o time quase foi rebaixado. Como foi esse período?

Éramos campeões da copa e lutávamos para não cair. Foi terrível. O time não se ajustava, você via que o treinador estava perdido. Ele não encontrava uma maneira de jogar, falava coisas que nós, atletas, víamos que não iam dar certo. Foi muito difícil, um período complicadíssimo. Acho que ele não se encaixou bem no Valencia, apesar do título da Copa do Rei.

Você chegou ao Valencia em um momento financeiro bom do clube, antes da crise que se desdobrou nos anos seguintes. Como essa crise foi sentida no período em que você estava lá?

Eu peguei um período econômico muito bom do país, principalmente da cidade. Valencia estava em um momento econômico extraordinário, os maiores eventos internacionais aconteciam lá. E o nosso principal acionista, que também era o presidente, prestava consultoria à cidade de Valencia. Ele saiu para a volta do Manolo Llorente e foi quando começou a se vincular essa crise, que se agravou quando eu saí. Como tenho investimentos em imóveis na cidade, voltei um tempo atrás e vi sim um país em crise, que me chamou muito a atenção. Uma cidade vazia, os restaurantes fechados, os lugares que eu frequentava com meus filhos vazios. Vi uma cidade bem triste. Era todo o dia cheia, uma loucura.

“Sabia que o Brasil estava melhorando, em um momento econômico muito positivo. E vi realmente um país melhor. Já no Corinthians, percebi um clube diferente, com as ideias de uma grande estruturação. Vi o Corinthians com perspectivas grandes de mudanças, muito mais profissional do que quando eu saí”.

O curioso é que, em relação ao Brasil e até ao Corinthians, você viveu uma situação oposta. Você pegou uma época muito boa, mas saiu quando o clube sentiu o baque pelo fim dos investimentos da Hicks Muse. Agora, quando você voltou, o clube estava reestruturando e o país melhorando. Como você compara as diferenças do Brasil e o Corinthians nesse intervalo?

Eu não acompanho muito o mercado financeiro. Sabia que o Brasil estava melhorando, em um momento econômico muito positivo. E vi realmente um país melhor. Sinceramente, vi um país caro, com um custo de vida muito alto. Trazia meus amigos para me visitar e eles comentavam isso. Mas gostava de ver as coisas acontecendo, o país evoluindo, a economia melhorando. Já no Corinthians, percebi um clube diferente, com as ideias de uma grande estruturação. Quando eu voltei, eles me mostraram o projeto do centro de treinamentos, via ações de marketing afloradas, algo que não se trabalhava antigamente. Vi o Corinthians com perspectivas grandes de mudanças, muito mais profissional do que quando eu saí.

O Paulo André já disse que quer ser presidente da CBF um dia. Digamos que ele se torne presidente da CBF e você ainda esteja no Corinthians. Que sugestão você daria a ele, do ponto de vista de um dirigente de clube?

Eu acho isso bacana, sempre torço para que os ex-atletas que se preocupam com o futebol, querem ajudar com ideias. Querem estar presentes no cotidiano, mas em prol do futebol em si, não do poder pessoal. O Paulo sempre teve essas ideias, é engajado. Só que, convivendo nesse meio, eu sei o quão difícil é ser um eventual presidente. Existe uma política muito forte aflorada, é preciso fazer um trabalho político diferente do que as pessoas pensam. Não é só com boas ideias, não é só com boas perspectivas. O mais importante, independente quem seja, é se preocupar com a melhoria do futebol brasileiro. A pessoa fica em segundo plano.

Você saiu da base do Corinthians e, na Inglaterra, trabalhou em um clube que se notabiliza por desenvolver jovens. Agora, como dirigente, como você vê a situação das categorias de base do Corinthians? O próprio Andrés Sánchez, quando deixou a presidência, avaliou que esta foi a área em que ele menos conseguiu desenvolver seu trabalho.

Não existe perfeição, mas o Andrés diz isso porque foi quase perfeito. Ele quis fazer um trabalho melhor nas categorias de base e não conseguiu por motivos “x”. O presidente precisa cuidar de tudo, tem muitas responsabilidades, então isso pode ter levado a uma dificuldade maior nas melhorias. Hoje, acho que estamos melhorando bastante. A relação entre a equipe profissional e a amadora melhorou muito também, as duas eram distantes e isso mudou. Faço questão de unir esses dois departamentos. Acredito que o futebol do Corinthians é um só. Temos mais informações sobre as necessidades no profissional e o que está se destacando lá embaixo. A base está melhorando e, com o tempo, também teremos melhores resultados.

Você falou sobre a profissionalização do Corinthians quando voltou. Agora, que é dirigente, como vê esse processo dentro do futebol brasileiro?

Longe de pensar que está tudo certo, mas acho que o Corinthians está se tornando um bom modelo desde a época do Andrés Sánchez até hoje, com o Mario Gobbi. É realmente um grande exemplo sair de onde o Corinthians estava e chegar aonde ele se encontra hoje. Você vê o presidente e a diretoria engajados. Em teoria estamos falando de cargos políticos, mas preocupados com o clube. Eu os vejo sempre buscando a excelência, todos querendo melhorar, ir atrás de coisas novas. E eu torço para que siga com a mesma dinâmica, para que a gente não deixe a peteca cair, porque o dia a dia do clube é intenso. A marca do Corinthians é muito importante e acho que estamos fazendo um bom trabalho, todos em conjunto.

DESEMBARQUE DO CORINTHIANS

No começo de 2013, a Conmebol quis passar a impressão de que a Libertadores melhoraria, o que não aconteceu após o início do torneio. Se o futebol brasileiro, dentro de suas limitações, conseguiu se ajeitar, por que o mesmo não acontece na Libertadores? Até que ponto os clubes brasileiros, com seu poderio econômico, não podem forçar um pouco mais isso?

Estive em uma reunião da organização criada pelos clubes europeus para representá-los. Eles fizeram uma liga, com estatuto e responsáveis para responder à Uefa e à Fifa. Ela cuida das melhorias nos clubes e na própria competição, uma ideia muito boa que queria trazer para a América do Sul. Eles convidaram o Corinthians e alguns clubes sul-americanos para que a gente pudesse ver o que eles estavam fazendo de positivo. Só que, para você dar um passo e implantar uma liga parecida por aqui, é difícil. Você precisa entrar em um lado político também. Falar com os presidentes de clubes, se engajar em um projeto, mostrar para a Conmebol. E nem sempre todos estão no pique para fazer isso. Existem tantas coisas boas que podem ser feitas e creio que não é tão difícil você melhorar uma competição.

É possível que isso aconteça na América do Sul?

A ideia que eles tiveram na Europa é espetacular. Foi diagnosticado que as necessidades dos clubes eram parecidas e eles decidiram se unir. Mas, para isso, você precisa que todos estejam engajados em um projeto, o que não é fácil. Seria um passo gigantesco se a gente pudesse levantar essa bandeira na América do Sul em prol de melhorias. É isso que as pessoas precisam entender, que a minha briga é parecida com a briga de todos. Nós vamos brigar pelo futebol. Se houver uma liga melhor, você tem melhores receitas, melhores públicos, o nível aumenta.

Mas quem se responsabilizaria por fazer esses acordos dentro dos clubes brasileiros?

Eu vou puxar um pouco a sardinha para o lado do executivo, mas é importante você ter executivos. Mesmo que não seja o cara que assine, que seja o responsável, preocupado com o dia a dia. Você precisa de muito tempo para fazer um estudo e, às vezes, os presidentes de clube não têm. E na Europa existem grandes executivos engajados no projeto, muitas vezes pautados para reportar o que acontece aos seus superiores. Imagine unir 40, 50 presidentes duas vezes por ano? É complicado. É preciso ter pessoas que queiram mudar, que tenham responsabilidade para isso e que sejam cobradas, não que estejam lá por estar.