Espanha 0x2 Chile: E-LI-MI-NA-DO, o campeão mundial tomou um baile dos chilenos

A CRÔNICA

Bem que os espanhóis gostariam que o mico nesta Copa parasse na primeira rodada, com a goleada da Holanda por 5 a 1. Em vez disso, a sensação foi prolongada, e nesta quarta o Chile dominou completamente a Roja, venceu por 2 a 0 no Maracanã e decretou a eliminação dos atuais campeões mundiais ainda na segunda rodada da fase de grupos. Sob gritos de “E-LI-MI-NA-DO”, os comandados de Del Bosque fizeram uma partida letárgica, enquanto viam um eficaz e enérgico Chile jogar.

O passeio que a Espanha levou da Holanda na rodada de abertura foi suficiente para que Vicente Del Bosque promovesse mudanças na equipe para o segundo jogo. Gerard Piqué e Xavi perderam espaço na equipe titular e deram lugar a Javi Martínez e Pedro. Com isso, o treinador mudou também a formação, aplicando um 4-2-3-1. Apesar da tentativa de dar uma chacoalhada no time para buscar uma reação, a Roja seguiu pouco efetiva ofensivamente, e foi pressionada na saída de bola desde o início do jogo.

Nos primeiros minutos de jogo o Chile quase abriu o placar em cabeçada de Gonzalo Jara. Mais tarde, deu uma aula de contra-ataque, em jogada ofensiva iniciada por Sánchez, passando por Vidal, voltando para o atleta do Barcelona, indo até Aránguiz, que encontrou Eduardo Vargas. O ex-gremista então se livrou de Casillas e bateu para o gol para inaugurar o placar ainda aos 20 minutos.

A alegria de Vargas contrasta com os lamentos de Casillas

A alegria de Vargas contrasta com os lamentos de Casillas

Em vez de despertar a Espanha, o gol apenas consolidou o domínio chileno no jogo. A Roja abriu mão daquele controle absoluto da posse, mas sem ganhar em troca mais objetividade ofensiva. Os espanhóis tinham mais a bola, mas não transformavam isso em chance perigosa de gol. Já o Chile, quando a tinha, ia à frente com velocidade, coisa que mais faltou ao adversário. Para piorar a situação dos comandados de Vicente Del Bosque, Casillas defendeu cobrança de falta de Sánchez com um soco, e a bola caiu no pé de Aránguiz, que não perdoou e ampliou para 2 a 0, com um bonito chute de trivela.

Precisando de uma difícil virada, Del Bosque promoveu a primeira alteração logo no intervalo, tirando Xabi Alonso para colocar Koke, reforçando ofensivamente a equipe e dando ao meio de campo espanhol um jogador mais contundente. Isso na teoria. Com exceção de um gol inacreditavelmente perdido por Busquets após assistência de bicicleta de Diego Costa, ainda aos sete minutos, a Roja não assustou o Chile.

A equipe estava sem reação diante da derrota, diante do Maracanã ao lado dos sul-americanos e contra eles. Aos 25 minutos da etapa complementar, o fator Brasil tomou conta das arquibancadas, que começaram a cantar “E-LI-MI-NA-DO”. Visivelmente abatidos, os espanhóis não esboçaram um momento de reação sequer, enquanto o Chile jogava tranquilamente, chegando ao ataque ocasionalmente, sem pressa, mas ainda assim com agilidade. Apenas aos 35, Santi Cazorla encerrou os 28 minutos sem finalizações da Espanha, mas sem levar grande perigo. Muito pouco para quem tanto precisava de gols. Três minutos depois, Iniesta enfim forçou Bravo a fazer uma defesa difícil, em chute forte, de média distância. Cazorla tentou de falta diminuir a desvantagem, mas o goleiro chileno confirmou a boa atuação com uma defesa difícil, no canto direito inferior.

Não está fácil, Del Bosque

Não está fácil, Del Bosque

O apito final de Mark Geiger marcou uma eliminação emblemática dos atuais campeões. Mais que isso, sepultou o estilo de jogo consagrado que Roja e Barcelona desenvolveram nos últimos anos e com o qual fizeram história. Futebol é cíclico, e o tiki-taka já vinha decaindo de duas temporadas para cá. Ainda assim, precisava de algo tão simbólico como a derrota espanhola de hoje para se encerrar. Não apenas o estilo de jogo deverá ficar para trás, mas também uma porção de jogadores. A transição já estava programada, mas agora ganha traços de urgência. Quanto ao Chile, resta apenas comemorar e se preparar para o confronto com a Holanda, na Arena Corinthians, na próxima segunda-feira, pela definição da liderança do Grupo A.

FICHA TÉCNICA

Espanha 0x2 Chile

Espanha

Espanha_escudoIker Casillas; César Azpilicueta, Javi Martínez, Sergio Ramos, Jordi Alba; Xabi Alonso (Koke, intervalo), Sergio Busquets, Pedro Rodríguez (Santi Cazorla, 31’/2T), David Silva e Andrés Iniesta; Diego Costa (Fernando Torres, 19’2/T). Técnico: Vicente Del Bosque.

 

Chile

Chile_escudoClaudio Bravo; Gary Medel, Francisco Silva e Gonzalo Jara; Mauricio Isla, Charles Aránguiz (Felipe Gutierrez, 19’/2T), Marcelo Díaz, Eugenio Mena; Arturo Vidal (Carlos Carmona, 43’/2T); Alexis Sánchez e Eduardo Vargas (Jorge Valdívia, 40’/2T). Técnico: Jorge Sampaoli.

Local: Maracanã, no Rio de Janeiro

Árbitro: Mark Geiger (EUA)

Gols: Eduardo Vargas, 20’/1T, e Charles Aránguiz, 43’/1T (Chile)

Cartões amarelos: Arturo Vidal e Eugenio Mena (Chile); Xabi Alonso (Espanha)

Cartões vermelhos: Nenhum

O CARA

Charles Aránguiz parece não ter limites. Depois de um grande primeiro semestre pelo Inter e de uma boa estreia contra a Austrália, teve mais um dia de atuação de gala, sendo o termômetro do Chile, dando o passe para o primeiro gol e deixando o seu, em chute de trivela, com muita categoria, tirando do alcance de Casillas. A velocidade do jogador foi fundamental para as jogadas ofensivas chilenas.

OS GOLS

20’/1T – GOL DO CHILE!

Sánchez passa para Aránguiz dentro da área. O jogador do Inter encontra Vargas do lado e toca para o ex-gremista, que se livra de Casillas e manda para a rede, abrindo o placar para os chilenos.

43’/1T – GOL DO CHILE!

Alexis Sánchez cobra falta, Casillas rebate de forma esquisita, e, na sobra, Aránguiz pega de trivela para ampliar a vantagem sobre a atual campeã mundial.

A TÁTICA
Escalações iniciais de Espanha e Chile

Escalações iniciais de Espanha e Chile

Vicente Del Bosque abriu mão de Xavi, colocando Pedro aberto pela ponta e fazendo um 4-2-3-1. Apesar de originalmente aberto pela esquerda, Iniesta foi o que ganhou mais liberdade para se movimentar pela intermediária. O Chile também alterou o esquema para o jogo, com Sampaoli sacando Valdivia e saindo do 4-3-1-2 para colocar Silva, em uma linha de três zagueiros, com Aránguiz e Díaz posicionados na cabeça de área. A mudança deu certo, e a defesa ficou fortalecida diante de um adversário de bastante técnica.

A ESTATÍSTICA

3

Três (França, Itália e agora Espanha) dos quatro últimos campeões mundiais caíram na fase de grupos das edições seguintes às de suas conquistas. O Brasil, em 2006, é a única exceção.