SALVADOR - Assim que chegou a Salvador, Xavi avisou: “Vamos viver ou morrer com o tiki-taka”. Natural que seja assim. Ninguém conseguirá convencer os jogadores da Espanha a mudarem o estilo e a filosofia de jogo que o levaram até dois títulos europeus e um mundial. Mas dá para ser transigente e buscar pequenas alterações. Com Diego Costa titular contra a Holanda, a Espanha bem que tentou mudar um pouco, mas ficou perdida na confusão entre continuar a tocar a bola e lançar a flecha que levou o Atlético de Madrid à conquista do Campeonato Espanhol.

CRÔNICA: A Holanda espremeu a Espanha até tirar todo o seu sangue

Diego Costa não tem a técnica de passe que os restos dos espanhóis possuem. É um jogador que gosta de brigar com os zagueiros e arrancar no contra-ataque. Por isso, participou muito pouco da partida durante os 62 minutos em que ficou em campo. Tocou 29 vezes na bola e tentou 19 passes. Entre os titulares, esses números são inferiores apenas aos de Casillas.

A Espanha tentou um meio-termo entre manter a posse de bola e usar a melhor característica do brasileiro. Com 11 minutos de jogo, ele recebeu três lançamentos, dois da defesa e um de Xabi Alonso, pela ponta esquerda. Nenhum deles serviu para muita coisa. Por outro lado, o lance do pênalti, embora não tenha sido uma bola longa, saiu de uma enfiada de Xavi nas costas da zaga, justamente o melhor que Diego Costa pode oferecer à seleção.

Só que para receber essas bolas enfiadas, o atacante precisa jogar sempre no limite do impedimento e longe do meio-campo. Além das características, esse posicionamento, que pode ser conferido na imagem abaixo, impediu que Diego participasse da troca de bolas. Ele também ficou muitas vezes em posição ilegal:

Espanha 1x5 Holanda_Diego Costa

Diego Costa: longe do meio-campo e no limite do impedimento (Bruno Bonsanti/Trivela)

Fernando Torres teve outra postura. Entrou aos 17 minutos do segundo tempo e, embora também tenha buscado algumas jogadas de velocidade, voltou muito mais para a intermediária em busca da bola. Chegou a passar alguns minutos trocando passes como se fosse um meia. Mais ao estilo ao qual a Espanha está acostumada. Não influenciou tanto porque a Holanda fez o terceiro gol dois minutos depois da sua entrada. E o quarto, após dez minutos.

Fernando Torres: no limite dos zagueiros, mas voltando para buscar a bola (Bruno Bonsanti/Trivela)

Fernando Torres: no limite dos zagueiros, mas voltando para buscar a bola (Bruno Bonsanti/Trivela)

Além de tudo, Diego Costa não pareceu muito bem fisicamente, mesmo que estivesse sem dores. Há pouco menos de um mês, não conseguiu jogar a final da Liga dos Campeões. No primeiro tempo, perdeu uma corrida para o zagueiro Vlaar. Não pressionou a saída de bola com a volúpia à que está acostumado, nem brigou com os zagueiros. Pareceu pesado.  Ainda confundiu uma Espanha que precisou se adaptar ao seu estilo e o resultado decididamente não foi o esperado.