Manchester United comemora título da Champions 1998/99

[Especial] 15 grandes times dos 15 anos da Trivela

Nenhum grande time consegue sobreviver 15 anos. Se passar dos três empilhando taças, aliás, já é o suficiente para ser colocado na história. Assim, não foram um ou dois os esquadrões que a Trivela teve a honra de narrar os épicos ao longo de sua trajetória. Desde então, foram três Copas do Mundo, 15 Ligas dos Campeões, 15 Libertadores, milhares de títulos nacionais em jogo. O suficiente para consagrar pelo menos 15 timaços memoráveis.

Abaixo, a nossa seleção de melhores desde o final de 1998 – e, por isso, os times do Mundial da França não foram considerados. Tentamos mesclar forças, entre seleções, clubes sul-americanos e clubes europeus. E talvez o número de lugares na lista não tenha sido suficiente para contemplar tantas equipes clássicas – entre as ausências mais sentidas, dá para apontar à Itália de 2006, ao Uruguai de 2011, à Inter da Tríplice Coroa ou ao Chelsea bicampeão inglês. Não dava para contemplar todo mundo. E, afinal, as disputas são feitas de vencedores e derrotas. E alguns times acabam encantando ou conquistando mais e, por isso mesmo, acabam se eternizando.

França 1998-2000

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O titulo da Copa de 1998 pode nem entrar em nossas contas. Isso não diminui em nada o grande time que a França montou na virada do século. Liderados por Zidane, os Bleus melhoraram ainda mais depois daquele Mundial, especialmente no ataque, onde Henry e Trezeguet passaram a ter mais espaços entre os titulares. A dominância resultou ainda na conquista da Euro 2000, em uma final emocionante contra a Itália. Isso até Senegal surgir na Copa de 2002 e empurrar o time treinador por Roger Lemerre à beira do abismo, à eliminação na primeira fase.

Corinthians 1998-2000

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Olhando apenas para o papel, é difícil encontrar um elenco melhor que o do Corinthians de Vanderlei Luxemburgo e Oswaldo de Oliveira nos últimos 15 anos. O ápice, com a conquista do Mundial de 2000 em cima de um Vasco fortíssimo (e que talvez só não tenha entrado nessa lista justamente por essa derrota), tinha astros da estirpe de Dida, Vampeta, Rincón, Ricardinho, Marcelinho, Edílson e Luizão – e, antes, os corintianos já tinham perdido Gamarra. O time ainda levou dois Brasileiros, mas deixou a desejar na Libertadores – eliminado duas vezes pelo Palmeiras que, embora inferior no papel, era bem mais copeiro.

Real Madrid 1998-2002

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O Real da virada do século não foi tão brilhante quanto o dos anos 1950, pentacampeão europeu. Ainda assim, os merengues foram capazes de restabelecer outra grande hegemonia no cenário continental, levando três Champions em cinco seguidas, além de um campeonato espanhol. O clube viveu transições delicadas naquele momento. Teve cinco técnicos entre 1998 e 1999, até a chegada de Vicente del Bosque. E também viu a ascensão de Florentino Pérez, que iniciava seu projeto ‘galáctico’. O que não faltaram, no entanto, foram craques que garantissem as taças ao clube, como Raúl, Zidane, Figo, Casillas, Roberto Carlos e Redondo. O problema é que as conquistas não se sustentaram depois, mesmo com Ronaldo e Beckham.

Manchester United 1999-2001

SOCCER-CHAMPIONS LEAGUE FINAL/MANU JUBO

Um ano, 1999, quatro taças: Liga dos Campeões, Campeonato Inglês, Copa da Inglaterra e Mundial Interclubes. A longa trajetória de Alex Ferguson por Old Trafford é invejável. Mas nunca foi tão reluzente quanto naquele ano. A Premier League veio em uma disputa acirrada com o Arsenal, que acabou apenas um ponto atrás na tabela. O maior momento, todavia, foi mesmo a final da Champions contra o Bayern de Munique, a milagrosa virada por 2 a 1 com dois gols a partir dos 46 minutos do segundo tempo. Beckham, Schmeichel, Giggs, Scholes, Yorke e Solskjaer eram os principais heróis – muitos deles, mantidos no elenco para a conquista do tricampeonato inglês na sequência, com mais duas grandes campanhas.

Boca Juniors 2000-2003

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Três Libertadores em quatro anos. O time de Carlos Bianchi – que foi substituído por Óscar Tabárez – não foi apenas um dos melhores dos últimos 15 anos, mas também da história. O domínio nas Américas foi evidente, passando por cima de Palmeiras, Cruz Azul e Santos em três finais continentais. E que, além disso, levou também quatro títulos argentinos e dois Mundiais Interclubes, batendo os poderosos Real Madrid e Milan. Em campo, a qualidade era abundante com Riquelme, Schelotto, Palermo, Córdoba, Samuel e, um pouco depois, Tevez. A queda para o Once Caldas na final da Libertadores de 2004, entretanto, encerrou a trajetória vitoriosa.

Brasil 2002-05

Formazione della Nazionale del Brasile vincitrice dei Mondiali in Giappone/Korea 2002

Depois de todas as dificuldades que a seleção brasileira enfrentou nas Eliminatórias da Copa de 2002, a confiança era pequena sobre uma grande campanha da equipe de Felipão. E a ‘família Scolari’ fez o que fez na conquista do penta – deixando, de quebra, Alemanha e Inglaterra pelo caminho. O esquadrão com Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo, Roberto Carlos e Cafu passou por algumas mudanças no ciclo seguinte, com a chegada de Parreira. Mas as expectativas só aumentaram depois que Adriano, Kaká e Robinho foram agregados. Aquele elenco ainda conseguiu uma campanha arrasadora nas Eliminatórias e os títulos da Copa América e da Copa das Confederações, embora tenha se frustrado na Copa de 2006.

Cruzeiro 2003

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Não foi um timaço duradouro. Entretanto, nenhum outro clube conseguiu exercer um domínio tão grande em uma única temporada do futebol brasileiro. O Cruzeiro de Alex sobrou no Mineiro. Ganhou a Copa do Brasil com tranquilidade, passando por cima do Flamengo na final. E bateu marcas impressionantes no Brasileirão, o mais longo dos pontos corridos, fazendo a forte equipe do Santos comer poeira. Os tempos de economia instável, porém, tornavam o êxodo de jogadores bem mais fácil. E o time que precisou se renovar dentro daquele mesmo ano, com as saídas de Deivid e Luisão, caiu logo nas oitavas da Libertadores de 2004.

Arsenal 2003-04

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Uma temporada para a história. Até aquele ano de 2004, apenas um campeão invicto havia sido coroado na Inglaterra: o Preston North End de 1888, o primeiro a vencer uma liga nacional na história do futebol. Mas o Arsenal de Wenger foi capaz de igualar aquela façanha, mesmo tendo como adversários o Manchester United e o Chelsea, que começava a viver a Era Abramovich. Jogo após jogo, os Gunners foram melhorando sua sequência, até chegar ao ápice com o título imaculado – um tremendo prêmio para a geração de Henry, Bergkamp, Vieira, Pirès, Lehmann, Sol Campbell e Gilberto Silva. O único gosto amargo aconteceu na Champions, quando não aguentaram a maratona e acabaram superados pelo Chelsea.

Milan 2003-07

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Dois títulos de Champions em cinco anos, além de uma final incrivelmente desperdiçada para o Liverpool. O Milan de Carlo Ancelotti mudou em detalhes, mas manteve a essência durante a maior parte desse período, em que levou também um Italiano e um Mundial. A base do time contava com Dida, Cafu, Nesta, Maldini, Pirlo, Gattuso, Seedorf, Inzaghi e Kaká – que chegou logo após o título de 2003 para carregar o time no de 2007. Além disso, contou com outras feras no mesmo período, como Andriy Shevchenko e Stam. As conquistas só não foram tão grandes na Itália porque a Juventus que rivalizava com os rossoneri também era monstruosa.

Barcelona 2004-06

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O primeiro grande momento do Barcelona neste século era de encanto. Os blaugranas viviam um período negro nos anos anteriores, mas o sorriso de Ronaldinho pareceu bastar para que o clube reescrevesse sua história e vivesse algumas de suas maiores glórias. Enquanto o camisa 10 dava show em campo, também contava com o valioso apoio de Eto’o, Deco, Giuly, Xavi, Puyol, Larsson, além dos ascendentes Messi e Iniesta. E o time de Frank Rijkaard, com um futebol exuberante, derrotou os Galácticos do Real Madrid em duas Ligas e faturou ainda a Champions de 2006.

Juventus 2004-06

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O Calciopoli manchou a história da Juventus. Mas não apagou tudo o que os bianconeri fizeram em campo no início desse século. O time de Fabio Capello pisoteava quem se colocasse no seu caminho na Itália, mesmo tendo fortes equipes de Milan e Inter como rivais, e foi bicampeão nacional – nos dois títulos caçados por conta das maracutaias de Luciano Moggi, em um processo que também culminou no rebaixamento do clube.  Ainda assim, o elenco era impecável, estrelado por Del Piero, Nedved, Buffon, Cannavaro, Thuram, Trezeguet e Ibrahimovic. Faltou apenas uma conquista continental que provasse essa força, embora a base do time, ao lado do Milan, tenha sido fundamental para a conquista da Copa de 2006.

São Paulo 2005-08

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O São Paulo instaurou uma era no futebol brasileiro. O domínio evidente fez o Tricolor campeão em grande estilo durante quatro anos seguidos. Primeiro, vieram a Libertadores e o Mundial com Paulo Autuori. Na sequência, o tricampeonato nacional de Muricy Ramalho, feito inédito no país. O elenco mudou bastante nesse período, resultado natural do assédio dos clubes europeus, mas soube se renovar. Além de contar com bons jogadores durante todo esse tempo – incluindo Rogério Ceni, Lugano, Amoroso, Mineiro, Miranda e Hernanes – o padrão de jogo foi um diferencial. Pragmático demais por vezes, o São Paulo fez disso sua maior arma, com uma defesa fortíssima para levá-lo às taças.

Barcelona 2008-2011

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Um momento que se apontava desastroso se transformou no mais glorioso do Barcelona. Rijkaard e Ronaldinho haviam conquistado tudo, mas já se passavam duas temporadas desde a queda de rendimento. Hora de uma troca radical, com a contratação do novato Pep Guardiola e a saída do craque. A transição complicada, no entanto, se transformou na Tríplice Coroa logo na primeira temporada. A consagração do tiki-taka que o treinador recolocou como mantra do Barça, uma máquina de moer adversários, que passou a contar com um monstro no ataque chamado Messi. Mesmo com toda a qualidade do Real Madrid, os catalães foram tricampeões espanhóis e levaram também duas Champions – parando nas semifinais ainda em 2010.

Espanha 2008-12

World-Cup

Barcelona e Real Madrid passaram a travar um dos períodos mais ferrenhos de sua rivalidade a partir de 2009. E, por mais que isso quase tenha implodido a concentração, quem mais se beneficiou dessa corrida estelar dos gigantes foi a seleção espanhola. Montando uma base mesclada entre merengues e blaugranas, ainda que o tiki-taka fosse o estilo escolhido, a Fúria deixou de ser uma equipe que ‘amarelava’ para levar a Copa de 2010, além das Eurocopas de 2008 e de 2010. Os talentos são garantidos em qualquer posição, do goleiro ao ponta esquerda, de Casillas a Iniesta. E se muitos se entediaram com o futebol de resultados, houve também espetáculo, como nos 4 a 0 sobre a Itália na Eurocopa de 2012.

Bayern de Munique 2012-13

O capitão Lahm levanta a taça da LC em Wembley (AP Photo/Matt Dunham)

Foi um processo de amadurecimento. Desde 2010, o Bayern precisou ser derrotado em duas finais de Liga dos Campeões, além de ver o rival Borussia Dortmund ser bicampeão alemão, para ter sua hora. E como cresceram os bávaros. A equipe de Jupp Heynckes viveu a temporada mais fantástica da história da Alemanha, batendo todos os recordes possíveis na Bundesliga e levando a Champions de maneira impecável. Agora, com Pep Guardiola e o elenco mais completo da Europa, não será surpreendente se a dinastia for ampliada por mais um ano – o que, pelo menos na Bundesliga, já parece uma certeza.