Eduardo Vargas, da Universidad de Chile, é a coqueluche do momento na América do Sul. Rápido, habilidoso e inteligente, o artilheiro e campeão da Copa Sul-Americana seria titular em várias equipes brasileiras, que geralmente olham pouco para o futebol sul-americano no fim do ano. Vargas, no entanto, já confirmou o acerto com o Napoli e jogará no clube italiano a partir
de 2012, mas, apesar disso, o futebol sul-americano segue oferecendo opções de reforço que poderiam se firmar por aqui como fizeram nos últimos anos Dario Conca e Walter Montillo.

Nesse fim de ano nós, da Trivela, listamos 20 jogadores que poderiam ter chances no futebol brasileiro. Uns mais talentosos, outros menos. Uns mais caros e com boa experiência, outros mais jovens e baratos. Todos eles já mostraram talento em suas ligas e a maioria certamente terá oportunidades para crescer na carreira. E o Brasil, com uma liga forte economicamente, poderia ser o cenário ideal para esse crescimento, pois fica mais próximo da casa desses jogadores e possui uma cultura futebolística mais familiar ao universo deles do que qualquer país europeu. Além disso, jogar aqui é quase uma garantia de se ter oportunidades, pois a probabilidade de ser emprestado para um Siena, um Granada da vida, praticamente inexiste.

Confira a lista:

Defensores

José Rojas – Universidad de Chile-CHI

Revelado pela Universidad de Chile e com uma rápida passagem pelo Independiente, José Rojas teve em 2011 a melhor temporada na carreira. O lateral de 28 anos foi fundamental para garantir o poder de marcação do time chileno que encantou o continente no segundo semestre e conquistou a Copa Sul-Americana. Rojas, que joga também como zagueiro, chegou a ser sondado por equipes brasileiras, mas o fato de ser muito baixo para a posição – apenas 1,76m
– atrapalhou as negociações.

Lisandro López – Arsenal-ARG
Você, torcedor brasileiro que sofre com os Xandões, Renatos Silvas e Welintons da vida, já deve ter se perguntado. “Será que não existe na Argentina, ou no Uruguai, ou em qualquer canto alguém que possa resolver minimamente o problema da defesa do meu time?”. A resposta é “sim”. Lisandro López, do Arsenal de Sarandi, se destacou no Torneo Apertura. Aos 22 anos,
marcou como poucos e, de quebra, fez um golaço de bicicleta mais espetacular do que todos do seu homônimo do Lyon. A obra de arte concorre ao prêmio Ferenc Puskas, concedido pela Fifa ao gol mais bonito do ano.

Alexander González – Caracas-VEN

Destaque da seleção venezuelana no Sul-Americano sub-20 de 2011, Alexander González se consolidou de vez como titular do Caracas de 2011. Mais do que isso: foi convocado para a seleção venezuelana que fez excelente campanha na Copa América de 2011, chegando às semifinais e sendo eliminada pelo Paraguai nos pênaltis. Rápido e ousado, joga como lateral direito ou meia pela direita, sempre mostrando muita desenvoltura ofensiva e, aos 19 anos, já mostrou que tem potencial suficiente para ser uma aposta interessante.

Meio-campistas

Dennys Quiñonez –  Barcelona-EQU

Jogador com passagem destacada pelas seleções de base do Equador – sempre foi o capitão e dono do meio-campo como primeiro volante -, Dennys Quiñonez impressiona pelo vigor físico e principalmente pela capacidade de liderança dentro de campo. Alto, forte e dono de boa técnica, também pode atuar como zagueiro e, aos 19 anos, já atrai o interesse do Villarreal, mesmo clube que há alguns anos buscou Antonio Valencia e Jefferson Montero, hoje titulares da seleção nacional.

Diego Rodríguez –  Defensor-URU

Jogador com passagem pelas seleções de base uruguaias, Diego Rodríguez parece ter amadurecido bastante em 2011. Convocado para os Jogos Pan-Americanos, teve boa atuação e foi recompensado com um chamado para a seleção principal em novembro. Forte fisicamente, foi apelidado de “El Toro” pela torcida do Defensor, que vê nele um jogador extremamente raçudo dentro de campo, além de ter relativa técnica. Aos 22 anos, é um nome a ser levado em conta para as próximas convocações da seleção uruguaia.

Diego Valeri – Lanús-ARG

Destaque do Lanús no título argentino em 2007, Diego Valeri sofreu com algumas lesões em sua passagem pelo Porto e, aos 25 anos, ainda não se tornou o jogador que todos na Argentina esperavam que se tornasse. Outrora comparado a Frank Lampard, o meia voltou para os Granates e fez ótima temporada em 2011, conduzindo a equipe ao vice-campeonato do Torneo Clausura no primeiro semestre. Extremamente articulado fora das quatro linhas – fala alemão e inglês e se expressa muito bem nas entrevistas -, seria uma aposta de certo risco, mas poderia auxiliar na formação do meio-campo de muitas equipes brasileiras.

Edinson Flores – Universitario-PER

Um dos principais jogadores do time campeão da Copa Libertadores sub-20 em 2011, Edinson Flores subiu para os profissionais do Universitario logo em seguida e causou impacto, mesmo aos 17 anos. Fez dois excelentes jogos contra o Vasco pela Copa Sul-Americana e, junto com Andy Polo (também de 17 anos), forma a dupla ofensiva mais promissora do país. Canhoto, baixinho e driblador, é o típico azougue, jogador que incomoda qualquer lateral que enfrenta, com a vantagem de finalizar bem ao gol.

Felipe Gutiérrez –  Universidad Católica-CHI

No primeiro semestre, a bola da vez no Chile era a Universidad Católica, que havia conquistado o Apertura 2010 e fazia ótima campanha na Copa Libertadores até ser eliminado pelo Peñarol nas quartas de final. Um dos principais nomes da equipe era o jovem meia Felipe Gutiérrez, de apenas 21 anos. Rápido e extremamente habilidoso, Gutiérrez cresceu ainda mais no segundo semestre, embora sua equipe tenha sido ofuscada pela ascensão da Universidad de Chile, e a Católica já teria recebido uma proposta oficial de € 10 milhões do Málaga para se desfazer de sua grande promessa.

Fernando Gaibor – Emelec-EQU

Destaque da seleção equatoriana no Sul-Americano sub-20 de 2011, Fernando Gaibor se firmou nos profissionais do Emelec como titular absoluto e chegou até a assumir a braçadeira de capitão da equipe em alguns jogos. Inteligente e forte fisicamente, ele se destaca pela qualidade nos passes e pela facilidade com a qual chega no ataque, seja finalizando de longa distância ou aproveitando cruzamentos com bons cabeceios. Aposta de futuro, daquelas que certamente um clube como a Udinese faria.

Giovanni Moreno – Racing-ARG

Quase acertado com o Santos Laguna, Gio Moreno poderia ser uma alternativa mais barata e igualmente eficiente para os clubes que no momento lutam para contar com os serviços de Montillo (Leia-se: São Paulo e Corinthians). Alto e canhoto, o meia colombiano de 25 anos lembra Paulo Henrique Ganso em alguns momentos, mas é mais agressivo e finaliza com mais precisão, embora às vezes demore um pouco mais para soltar a bola.

Héctor Canteros – Vélez Sarsfield-ARG

Aos 22 anos, Héctor Canteros ganhou bastante espaço no Vélez Sarsfield nessa temporada, sobretudo após as saídas de Maxi Moralez e Ricky Álvarez para o futebol italiano. Dinâmico e excelente nos passes curtos e longos, impressionou nos amistosos entre as seleções domésticas de Brasil e Argentina e também ganhou prestígio no Fortín no segundo semestre. Ótima opção para quem precisa de um jogador que cadencie bem o jogo e atua com atacantes rápidos.

Marcelo Díaz – Universidad de Chile-CHI

Outro destaque de La U, Marcelo Díaz foi um dos principais responsáveis pelo dinamismo do jogo da equipe. Voluntarioso na marcação e dono de um ótimo passe, jogava na lateral direita até 2010 e não era visto como um dos destaques do time, tanto que foi emprestado ao La Serena, onde passou a atuar como meia – posição em que jogava na base – e explodiu. De volta à
Universidad de Chile, fez uma excelente temporada em 2011 e estreou na seleção chilena principal. Tem na versatilidade um trunfo, pois pode atuar em qualquer posição do meio-campo com tranquilidade.

Tabaré Viudez – Nacional-URU

Contratado pelo Milan no início da carreira após surgir bem no Defensor, Tabaré Viudez quase atuou no futebol brasileiro em 2010, quando chegou a ser anunciado pelo Internacional, mas o negócio melou na última hora e ele foi para o América, do México. Emprestado ao Nacional em 2011, recuperou o bom futebol e foi importante nas conquistas dos dois títulos uruguaios, voltando a atrair o interesse de clubes europeus. Rápido e habilidoso, também se destaca pela boa finalização e poderá ser visto em ação contra o Vasco na primeira fase da Copa Libertadores de 2012.

Victor Cáceres –  Libertad-PAR

Destaque do Libertad já há algumas temporadas, Victor Cáceres já poderia ter saído do Paraguai há mais tempo, mas ficou na equipe e se consolidou como um dos principais jogadores do país. Volante que também pode atuar como meia, possui bom poder de marcação, é técnico e tem excelente leitura de jogo. Presente na Copa do Mundo de 2010, e na Copa América de 2011, o  jogador de 25 anos parece aliar talento e experiência na dose certa para clubes que buscam jogadores tarimbados para a disputa da Copa Libertadores 2011.

Atacantes

Dorlan Pabón – Atlético Nacional-COL

Atacante rápido e goleador revelado pelo Envigado, Dorlan Pabón teve em 2011 a melhor temporada da carreira. Campeão colombiano no primeiro semestre pelo Atlético Nacional. Após o título, Pabón passou a ser convocado com frequência para a seleção principal após a Copa América e já balançou as redes duas vezes em quatro partidas das eliminatórias para a Copa do Mundo. Aos 23 anos, ele certamente pensa que é o momento adequado para uma transferência para o exterior, e o Brasil, que já acolheu atacantes colombianos como Aristizabal e Muñoz, poderia ser esse destino.

Juan Manuel Martínez  – Vélez Sarsfield-ARG

Popularmente conhecido como “Burrito” Martínez, o atacante de 26 anos vive grande momento desde 2010, quando foi eleito o melhor jogador do ano na Argentina. Rápido e forte fisicamente, geralmente leva vantagem no mano a mano com os zagueiros e demonstra eficiência nos cruzamentos, atuando como segundo atacante. As boas atuações o levaram a estrear na seleção argentina em 2011 e uma transferência para o exterior parece ser apenas questão de tempo.

Pablo Mouche –  Boca Juniors-ARG

Atacante que se destaca pela velocidade e dinamismo em campo, Pablo Mouche é até querido pela torcida do Boca Juniors, mas seu relacionamento com Riquelme, estrela do time, não é dos melhores desde 2010, quando o camisa 10 do time xeneize tentou “cantar” a namorada de Mouche. O Flamengo, que ainda não sabe se poderá contar com Thiago Neves, já o sondou, e
é muito provável que ele não fique na Argentina, sobretudo com a crise econômica pela qual o país atravessa no momento.

Pablo Zeballos – Olimpia-PAR

Artilheiro da temporada no Paraguai com 25 gols (13 no Torneo Clausura e 12 no Apertura), Pablo Zeballos é um centroavante que foge ao estereótipo dos trombadores e trogloditas que geralmente ocupam a ponta da tabela de goleadores no Paraguai. Com excelente poder de finalização e toque de bola, o atacante de 25 anos está longe de ser um craque, mas usa bem a velocidade para se antecipar aos zagueiros adversários. Especula-se que Fiorentina e Benfica já o tenham procurado para tirá-lo do Olimpia em 2012.

Raúl Ruidiaz – Universitario-PER

Tratado como joia desde 2009, quando surgiu nos profissionais do Universitario, Raúl Ruidiaz estourou de vez em 2011, quando foi convocado para a seleção peruana que chegou às semifinais da Copa América. No Brasil, ganhou notoriedade ao marcar dois gols no confronto contra o Vasco, pela Copa Sul-Americana, atraindo o interesse dos próprios cruzmaltinos e do Flamengo para a disputa da Copa Libertadores em 2012. Com as dificuldades financeiras do time peruano, é muito pouco provável que ele permaneça por lá na próxima temporada.

Teófilo Gutierrez  – Racing-ARG

Depois de brilhar no Junior de Barranquilla e ter uma discreta passagem pelo Trabzonspor, Teo Gutierrez desembarcou na Argentina desacreditado para jogar pelo Racing, mas driblou a desconfiança geral rapidamente. Com 19 gols em 33 partidas pelo clube em 2011, o atacante de 26 anos fez ótima parceria com seu compatriota Gio Moreno e já é apontado com um dos melhores estrangeiros em atividade no futebol argentino. Como o Racing não se classificou para a Libertadores, não seria tão difícil tirá-lo de lá.