Para quem gosta de futebol, não necessariamente o dos maiores craques, a Liga Europa é uma grande diversão. Pode não contar com a badalação da Champions, mas possui uma abrangência e uma diversidade bem mais interessantes. A “segunda divisão europeia” integra muito mais os clubes de diferentes países. Prima pelas boas histórias, de equipes que não costumam figurar tantas vezes na elite. De Portugal ao Cazaquistão, a pluralidade se destaca. Enquanto isso, se tornou o melhor caminho para camisas pesadíssimas que já não contam com grande poder aquisitivo.

Em uma época na qual a Champions se indica cada vez mais fechada ao mesmo grupinho de clubes e países, a Liga Europa mais parece um banquete. Sim, há pontos a se discutir na competição, como a falta de um apelo maior na fase de grupos ou o domínio que os times que caem cedo na Liga dos Campeões muitas vezes apresentam nos mata-matas. De qualquer forma, para quem curte equipes diferentes e uma dose maior de imprevisibilidade, a alternativa é muitíssimo válida. Não à toa, muitas quinta-feiras são mais animadas que as terças ou as quartas.

No nosso tradicional guia do torneio, damos os detalhes de dentro e de fora dos campos para que você acompanhar de perto a Liga Europa. Confira os destaques:

– A enxurrada de jogos na TV

Enquanto a Liga dos Campeões fica restrita apenas ao Esporte Interativo (e ao Space, como nesta primeira rodada), o cardápio na Liga Europa é bem mais variado. ESPN, Fox Sports e Esporte Interativo BR (este, na TV aberta) transmitem o torneio e recheiam a sua programação às quintas-feiras. Não bastasse a oferta maior de canais, com cinco disponíveis na TV fechada, ainda há a divisão da rodada em dois horários diferentes. Nesta abertura, por exemplo, serão 10 jogos exibidos ao vivo na televisão, além de outros seis disponíveis por streaming através do Watch ESPN. Para conferir a programação completa, clique aqui.

Jogadores do Milan comemoram (Photo by Marco Luzzani/Getty Images)

– Milan, o gigante a se assistir

Ao longo da janela de transferências, o Milan foi um dos times que mais chamou a atenção dos torcedores. Pudera: abastado pelo dinheiro dos empresários chineses, os rossoneri despejaram milhões no mercado e montaram praticamente um novo time. E o primeiro desafio dos destaques milanistas será na Liga Europa. Não é o cenário mais glamouroso, mas já satisfatório, considerando que o clube ficou de fora das últimas três temporadas europeias. Semifinalistas do torneio em 1971/72 e 2001/02, os italianos têm a chance de conquistar uma taça inédita, completando a sua prateleira de troféus continentais. A última aparição do Milan na antiga Copa da Uefa aconteceu em 2008/09, eliminado pelo vice-campeão Werder Bremen nos 16-avos de final.

– O que será do Arsenal?

Ao lado dos rossoneri, o Arsenal é o clube que mais chama atenção na Liga Europa. Também, depois de 18 temporadas consecutivas disputando a fase de grupos da Champions, a mudança de ares é um tanto quanto impactante. Arsène Wenger se deu relativamente bem em sua última empreitada na antiga Copa da Uefa. Repescados da Liga dos Campeões, os Gunners alcançaram a final, derrotados pelo Galatasaray em noite que Taffarel brecou Thierry Henry. No entanto, o interesse dos Gunners na nova realidade é um grande ponto de interrogação. A campanha na Premier League não começou muito bem, e o torneio nacional permanece como prioridade. Todavia, os londrinos não podem ignorar que a Liga Europa pode ser um atalho para retornar à Champions.

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– Everton e o retorno do alto investimento

Sim, o Everton já foi um grande europeu. Que as punições por Heysel tenham prejudicado os Toffees em seus anos mais fortes para sonhar com a Champions, o clube possui um troféu da Recopa Europeia em seu museu. Os ingleses disputaram a Liga Europa três nos últimos dez anos, mas o desempenho não foi tão empolgante assim. Agora, com o crescimento da equipe de Ronald Koeman, o torneio poderá se transformar em prioridade. Sem dúvidas, o time de Goodison Park fez um dos mercados mais promissores da janela inglesa. Na Premier League, terá um nível de exigência grande para se manter no pelotão da frente, e os resultados oscilantes nos vários confrontos diretos das primeiras rodadas deixam dúvidas. Assim, agarrar-se à competição continental pode ser uma escolha sábia. Sigurdsson, Rooney e os outros protagonistas têm bola para levar o Everton longe.

– A chance da Ligue 1 se afirmar

O Campeonato Francês vive um momento ímpar. A chegada de Neymar ao Paris Saint-Germain, assim como o ótimo desempenho do Monaco na temporada passada, elevaram a badalação sobre a competição. Ambos continuarão tentando fazer bom papel na Champions. Em compensação, a Liga Europa também pode fazer os franceses sonhar. Três equipes fortes representam o país no certame. Semifinalista na última edição, o Lyon perdeu Lacazette e Tolisso, mas segue com um elenco jovem que pode crescer de produção e tem a motivação de disputar a final em casa. O Olympique de Marseille se mexeu bastante no mercado, sob as ordens de Andoni Zubizarreta, e pode ver no torneio continental sua tábua de salvação. Por fim, o Nice não foi páreo ao Napoli nas preliminares da Champions, mas vai reencontrando o seu encaixe sob as ordens de Lucien Favre e a goleada sobre o Monaco no último final de semana foi um ótimo indicativo.

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– A primeira vez de Atalanta e Colônia

Atalanta e Colônia estão entre os clubes mais tradicionais da primeira divisão de seus países, por mais que não sejam exatamente aqueles que ocupam a parte de cima da tabela nos últimos anos. Na temporada passada, entretanto, ambos tiveram motivos para comemorar. Voltaram às competições europeias após longo hiato e vão pela primeira vez figurar na fase de grupos. A missão dos italianos é difícil, em uma chave cascuda contra Lyon e Everton. Ainda assim, a diretoria conseguiu segurar um bom número de destaques, mantendo o potencial da jovem equipe de Gian Piero Gasperini. Sua última aparição havia sido na Copa da Uefa de 1990/91, com o time de Caniggia e Evair batendo nas quartas de final. Curiosamente, a Dea eliminou o Colônia no meio do caminho, e os alemães estão de volta após 25 anos – participariam ainda em 1992/93, eliminados pelo Celtic. Mesmo sendo o quinto clube da Bundesliga com mais edições de copas europeias no currículo, acumulados sobretudo entre as décadas de 1960 e 1980, os bodes viveram um longo inverno. O problema será contornar o mau início de temporada, na lanterna da liga, e a perda do artilheiro Anthony Modeste, negociado com o futebol chinês.

– AEK e Hertha: bem-vindos de volta

Outros dois clubes que voltam a aparecer nas competições europeias e merecem atenção são AEK Atenas e Hertha Berlim. Os atenienses comeram o pão que o diabo amassou nos últimos anos, após entrarem em concordata e serem relegados à terceira divisão, mas a ascensão vai sendo paulatina. Na Liga Europa passada, caíram nas preliminares contra o Saint-Étienne, mas agora têm o peso de serem os únicos representantes gregos. Não entravam na fase de grupos desde 2011/12. Já o Hertha Berlim também derrapou nas preliminares durante a última temporada, o que não se repetiu desta vez. O time não figura na fase de grupos desde 2009/10, após bater cartão na antiga Copa da Uefa. Os berlinenses foram semifinalistas uma vez, perdendo para o Estrela Vermelha em 1978/79, dois anos depois que o AEK caiu para a Juventus na mesma fase do certame.

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– Olho nos países escandinavos

Dinamarca, Noruega e Suécia possuem um representante cada nesta fase de grupos. Mas times com potencial de sonhar com um lugar nos mata-matas. O Copenhague, que nos últimos anos fez bom papel na Champions, patinou contra o Qarabag desta vez. Contudo, considerando sua força em casa, está em um grupo bem acessível. O Rosenborg é outro que saiu da Champions e conta com um elenco razoavelmente tarimbado. Já o rótulo de surpresa se concentra sobre o Östersund, em sua primeira aparição na história das copas europeias. Os suecos já fizeram bastante ao, em seis temporadas, saírem da quarta à primeira divisão e ainda conquistarem a Copa da Suécia. Nas preliminares da Liga Europa, eliminaram camisas pesadas como as de Galatasaray e PAOK. E mesmo como azarões em sua chave, dos favoritos Athletic Bilbao e Hertha Berlim, certamente vão querer aprontar.

– Zenit, o único ex-campeão presente

Levando em conta todo o passado da Liga Europa, desde os tempos “oficiais” de Copa da Uefa, 28 clubes ergueram a taça continental. Destes, apenas um está na fase de grupos em 2017/18, o Zenit. Pode ser um sinal da temporada relativamente esvaziada, considerando o peso das camisas nos últimos anos. Ainda assim, os russos tendem a fazer uma campanha novamente interessante, agora sob o comando de Roberto Mancini. A equipe de São Petersburgo arrebentou na fase de grupos da edição passada, caindo para o Anderlecht nos 16-avos de final. O elenco se modificou um bocado desde então, especialmente pela perda de Giuliano. Mas não deixou de fazer boas movimentações no mercado. Se os brasileiros e portugueses saíram em debandada, as expectativas se concentram sobre a legião argentina, com cinco novos contratados: Leandro Paredes, Mammana, Driussi, Rigoni e Kranevitter.

Aduriz, do Athletic Bilbao (Foto: Getty Images)

– O favoritismo ibérico

Espanha e Portugal gozam de um domínio inegável na Liga Europa. Dos últimos 15 títulos, dez ficaram entre os ibéricos, e cinco deles apenas com o Sevilla. Nesta década, apenas os ingleses foram capazes de quebrar a sequência da dupla. Resta saber se continuarão com a força de sempre, sem a mesma badalação nesta temporada. Braga e Vitória de Guimarães hasteiam a bandeira lusitana, enquanto os três grandes se digladiam na Champions. Contudo, pelo início vacilante de Porto e Benfica, não seria surpreendente a repescagem de algum deles. Já a Espanha aposta suas fichas em Athletic Bilbao, Real Sociedad e Villarreal. Donos de boas campanhas recentes, alvirrubros e amarelos carregam muita tarimba no torneio. Aritz Aduriz, inclusive, será mais uma vez candidato à artilharia.

– A volta dos gigantes de Belgrado

Partizan e Estrela Vermelha farão, juntos, uma disputa particular na Liga Europa. Ambos estarão na fase de grupos, algo inédito na história da rivalidade – mas, obviamente, em chaves diferentes. Os alvinegros ainda vêm de uma série razoável de aparições nas copas europeias, com sua sétima participação na fase de grupos durante os últimos dez anos – uma delas na Champions. O problema era todo dos alvirrubros, colecionando frustrações nas preliminares, desde 2007/08 ausentes das fases principais. A festa da torcida no Marakana foi bonita e merecida, após deixarem Sparta Praga e Krasnodar no caminho. Agora prometem principalmente pelo duelo com o Arsenal. O Partizan, por sua vez, fará um jogo de contexto geopolítico pesado contra o Skënderbeu Korçe, considerando o pano de fundo geopolítico entre sérvios e albaneses. Certamente um confronto de alta periculosidade.

Nagelsmann, do Hoffenheim

 

– Hoffenheim, Basaksehir e os novos ricos

Entre os clubes que ganham a primeira chance de disputar a fase de grupos de uma competição europeia, dois repescados da Champions merecem os devidos destaques. Hoffenheim e Basaksehir contam com o aporte financeiro de grandes empresas locais para sonhar alto. Já fizeram bonito em seus países e pretendem aprontar na Liga Europa. Sem fazer frente ao Liverpool no principal torneio do continente, o Hoffenheim possui um time ofensivo o bastante para deixar várias vítimas pelo caminho. Além disso, Julian Nagelsmann será testado além das fronteiras pela primeira vez. O Basaksehir, enquanto isso, tem a missão de honrar Istambul, depois do vexame dado por seus conterrâneos, Fenerbahçe e Galatasaray, nas preliminares. O elenco recheado de veteranos não deverá ter problemas diante do novo cenário, ainda mais depois do que quase fez contra o Sevilla. O problema é a exigência física de tudo isso.

– A Cortina de Ferro em peso

A geografia da Liga Europa, ao contrário do que acontece na Liga dos Campeões, se concentra bastante do lado leste do continente. Mais de um terço dos times vêm dos países da antiga Cortina de Ferro, enquanto na Champions eles não representam nem 20%. São sete “ex-soviéticos”, com menção honrosa ao Astana, que oferece o desafio das viagens ao Cazaquistão. Além disso, a antiga Iugoslávia tem cinco clubes e mais cinco vêm de outros países satélites. O Steaua Bucareste é, ao lado do Red Bull Salzburg, o clube com mais participações na fase de grupos da Liga Europa (desde 2009/10), sete no total.

balotelli

– Macedônia, uma nova fronteira na Uefa

Se na temporada passada a Albânia enviou o primeiro representante de sua história à fase de grupos das copas europeias, desta vez a honraria é da Macedônia. E não sem méritos. Um dos clubes mais tradicionais do país, o Vardar colocou a faixa de campeão no peito durante a última temporada e foi o responsável por tirar o Malmö da Champions – e isso sem poder jogar em seu estádio, diante dos preparativos em Sköpje para a Supercopa Europeia. Na sequência, deu trabalho ao Copenhague, mas foi relegado à Liga Europa. Agarrou a oportunidade, aprontando para cima do Fenerbahçe. Entre os destaques do time, está o brasileiro Juan Felipe, enquanto Jonathan Balotelli aproveitou a repercussão de seus gols nas preliminares para se transferir ao Al-Gharafa. Já na diretoria, uma lenda: o ex-atacante Darko Pancev, velho ídolo do Estrela Vermelha, que começou a carreira no próprio Vardar.

– Agora vai, Red Bull Salzburg?

Não tem jeito: o Red Bull Salzburg não consegue driblar a sua sina na Liga dos Campeões. Nesta temporada, os Touros Vermelhos caíram pela décima vez nas preliminares, diante do Rijeka. Restará se contentar mais uma vez na Liga Europa, onde possuem boas participações na fase de grupos, embora nunca tenham chegado além das oitavas de final. O problema é que o atual elenco está abaixo em relação a outros anos. Desde que o RB Leipzig subiu à primeira divisão na Alemanha, a empresa de energéticos deixou clara qual a sua prioridade e realoca alguns destaques da Áustria para a “filial”. Entre os nomes mais conhecidos do atual grupo está o defensor brasileiro Paulo Miranda.

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– Israel pode aprontar

Outro país que não concentra tantos holofotes, mas merece sua dose de respeito na Liga Europa é Israel. São dois times na fase de grupos, ambos com projetos interessantes. Treinado por Jordi Cruyff, o Maccabi Tel-Aviv passou por todas as etapas das preliminares e estará na fase de grupos das copas europeias pela quinta vez nas últimas sete temporadas. Já o Hapoel Beer Sheva ostenta o rótulo de sensação. Na temporada passada, já deixou para trás Olympiacos, Internazionale e Southampton. Desta vez, ficou a um passo da Champions. De qualquer forma, suas ambições na competição secundária são maiores.

– O esvaziamento de Benelux

Na última temporada, sete clubes de Bélgica ou da Holanda disputaram a fase de grupos da Liga Europa. E os dois países fizeram bom papel, com campanhas marcantes de Anderlecht e Ajax, resgatando um pouco de sua história gloriosa. Desta vez, são apenas dois representantes, e longe da tradição. O Vitesse é a aposta holandesa após conquistar a Copa da Holanda, em inédita oportunidade na etapa principal das competições europeias. Já a Bélgica conta com o Zulte Waregem, presente na Liga Europa pela segunda vez, após cair nos grupos em 2013/14. Ambos ainda provavelmente se matarão (ou morrerão abraçados) no Grupo K, de Lazio e Nice. Pior foram os holandeses ou belgas que caíram nas preliminares. A lista é pesada, incluindo Ajax, PSV, Club Brugge e Gent.

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– O novato, o regresso e a potência

Dos países “lado b” da Liga Europa, o mais bem representado é a República Tcheca. Serão três clubes na fase de grupos – mesmo número de Espanha, Itália, França e Alemanha. Campeão nacional, o Slavia Praga não conseguiu ir além na Champions, mas já se dá por satisfeito. Os alvirrubros retornam à fase de grupos de uma copa europeia após oito anos. O Viktoria Plzen já virou figurinha carimbada nas competições da Uefa e, voando na liga nacional, sonha em voltar aos mata-matas, como conseguiu em duas oportunidades. Já a novidade fica por conta do Fastav Zlín, tradicional figurante da primeira divisão, que pela primeira vez aparecerá na fase de grupos. Nos anos 1970, quando se chamava Gottwaldov, chegou a conquistar a Copa da Tchecoslováquia e disputou a Recopa, eliminado pelo PSV. Retorna ao cenário continental depois de 47 anos, justamente depois de levar a Copa da República Tcheca.

– O perigo que vem da Champions

Parafraseando Juan Román Riquelme, a Liga Europa só começa nos mata-matas. A fase de grupos é importante principalmente para os times que caem em chaves mais difíceis, mas os favoritos só começam a se confirmar quando o bicho pega nos 16-avos de final. Até porque boa parte dos últimos campeões são justamente os clubes repescados da Champions, após ficarem com a terceira colocação de suas chaves. Desde 1999/00, quando essa regra começou, sete dos últimos 18 campeões pegaram este atalho. Nesta década, apenas o Chelsea de 2012 e o Sevilla de 2016 fizeram este caminho.

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– Lazio, a casa dos brasileiros

Muitas vezes, a Liga Europa serve de vitrine para os jogadores brasileiros. Basta ver o que jogadores como Giuliano, Alan e Diego aprontaram em edições recentes. Desta vez, o número de tupiniquins de destaque é relativamente baixo. E a principal legião se concentra na Lazio. Se os biancocelesti possuem laços históricos com o Brasil, isso se renovou nos últimos meses. São cinco jogadores no atual elenco: os defensores Wallace, Maurício, Luiz Felipe; o volante Lucas Leiva; e o meia Felipe Anderson. E não seria loucura incluir a equipe de Simone Inzaghi entre os favoritos. Além do desempenho acima das expectativas na última temporada italiana, os laziali começaram arrebentando na Serie A – especialmente pela goleada que impuseram ao Milan no Estádio Olímpico.

– Olho nos jogaços

Por mais que a fase de grupos tenha algumas “babas” e que o interesse nem sempre seja dos mais altos, há bons confrontos, especialmente pelos cruzamentos entre clubes das grandes ligas. Lyon x Everton x Atalanta, Arsenal x Colônia, Athletic Bilbao x Hertha Berlim, Lazio x Nice e Zenit x Real Sociedad são algumas das melhores pedidas. Se não serão necessariamente jogos de vida ou morte, dá para esperar um bom teste entre equipes com ambições na competição.

O amor pela Liga Europa: Mourinho beija a taça (Photo by Julian Finney/Getty Images)

– Os milhões que também fazem sonhar

Tudo bem, a taça da Liga Europa é um objetivo óbvio. Mas um dos maiores atrativos do torneio nos últimos anos não é apenas erguer o troféu. Afinal, o campeão também se garante na Liga dos Campeões. O Manchester United aproveitou bem o atalho na temporada passada, considerando as dificuldades que os Red Devils enfrentaram na Premier League. E a presença diretamente na fase de grupos da Champions ainda vale bons milhões de premiação e direitos televisivos, que engordam o orçamento para se planejar aos meses seguintes.

– A previsibilidade, aqui, não tem tanta vez

Barcelona, Bayern de Munique e Real Madrid. As chances de ao menos dois destes clubes pintarem nas semifinais da Liga dos Campeões são enormes. Uma monotonia que não tem muita vez na Liga Europa. Ok, eu sei que o Sevilla monopolizou os títulos por três edições seguidas. Entretanto, a mera sequência dos andaluzes era algo inédito. E a rotatividade de concorrentes ao longo dos últimos anos foi bem maior, até pelas variáveis aos quais o torneio está submetido. Se o Manchester United confirmou o favoritismo desde a fase de grupos no último ano, desta vez Milan e Arsenal não são favas tão contadas assim.

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– 32 anos depois, uma final em Lyon

Um dos principais estádios construídos para a Euro 2016 e palco da semifinal entre Portugal e Gales, o Parc Olympique Lyonnais será o local da decisão da Liga Europa 2017/18. Prêmio e tanto à moderna arena, dona de quatro estrelas na avaliação da Uefa e com capacidade para quase 60 mil espectadores. A escolha marca a volta de Lyon às finais europeias. O antigo Estádio de Gerland recebeu uma decisão, em 1985/86, quando o Dynamo Kiev amassou o Atlético de Madrid para faturar a Recopa. Os ucranianos, inclusive, figuram na fase de grupos da atual edição.

– O espetáculo nas arquibancadas

A Liga dos Campeões até possuem torcidas legais, quase sempre de clubes que ficam pelo caminho na fase de grupos. A Liga Europa, por sua vez, oferece espetáculos bem mais constantes. Se as arquibancadas por vezes demoram a lotar para os representantes das grandes ligas, nos países de menor expressão os ultras fazem as estruturas tremerem desde o princípio. E a empolgação aumenta à medida que as campanhas históricas se desenham. Sempre um assunto extracampo legal de se acompanhar.

Os 12 grupos da Liga Europa 2017/18

Grupo A: Villarreal-ESP, Maccabi Tel Aviv-ISR, Astana-CAZ, Slavia Praga-TCH
Grupo B: Dynamo Kiev-UCR, Young Boys-SUI, Partizan-SER, Skënderbeu-ALB
Grupo C: Braga-POR, Ludogorets-BUL, Hoffenheim-ALE, Istambul Basaksehir-TUR
Grupo D: Milan-ITA, Austria Viena-AUT, Rijeka-CRO, AEK Atenas-GRE
Grupo E: Lyon-FRA, Everton-ING, Atalanta-ITA, Apollon-CHP
Grupo F: Copenhague-DIN, Lokomotiv Moscou-RUS, Sheriff Tiraspol-MOL, Zlin-TCH
Grupo G: Viktoria Plzen-TCH, Steaua Bucareste-ROM, Hapoeel Be’er Sheva-ISR, Lugano-SUI
Grupo H: Arsenal-ING, Bate Borisov-BEL, Colônia-ALE, Estrela Vermelha-SER
Grupo I: Red Bull Salzburg-AUT, Olympique-FRA, Vitória de Guimarães-POR, Konyaspor-TUR
Grupo J: Athletic Bilbao-ESP, Hertha Berlim-ALE, Zorya Luhansk-UCR, Östersund-SUE
Grupo K: Lazio-ITA, Nice-FRA, Zulte Waregem-BEL, Vitesse-HOL
Grupo L: Zenit-RUS, Real Sociedad-ESP, Rosenborg-NOR, Vardar-MAC