Luis Suárez salva com a mão o que seria o gol da vitória de Gana nas quartas de final da Copa de 2010

[Especial] Os 15 maiores jogos dos 15 anos da Trivela

O que torna o futebol tão apaixonante? Os grandes personagens, a mobilização popular, a lembrança da infância, a oportunidade de extravasar. E não há nenhum outro momento em que se possa reunir melhor tantas sensações do que nos jogos épicos. A emoção à flor da pele, que leva milhares do choro ao riso, que provoca alegria e ódio, tudo em questão de segundos. E que servem para eternizar ídolos, esquadrões, golaços, conquistas.

Durante os 15 anos de Trivela, foram vários os grandes duelos vividos dentro dos estádios. Tantos que até foi difícil elaborar uma lista com 15 dessas batalhas históricas. Antes que você dizer que deixamos de citar algum jogaço cravado em sua memória, deixamos claros os critérios de escolha: tentamos mesclar o máximo de campeonatos, de maneiras diferentes de se tornar uma partida inesquecível. A prioridade foi dada às grandes decisões, mas confrontos sem taças em disputa, que tiveram grande representatividade, também foram incluídos. E também preferimos não privilegiar um time ou outro, incluindo o máximo possível de vencedores. Confira:

26 de maio de 1999: Manchester United 2×1 Bayern de Munique


O Camp Nou foi o palco de uma das maiores decisões de todos os tempos. Tanto United quanto Bayern estavam em campo para conquistar a Tríplice Coroa. E os bávaros, muito mais do que abrirem o placar com Basler, perderam um caminhão de gols – incluindo um chute por cobertura de Effenberg e uma bicicleta de Jancker, que estariam entre os mais belos da história da LC. Mas, como diria o sábio, a bola pune. Nos acréscimos, o famoso milagre dos Red Devils, com gols de Sheringham e Solskjaer – quando até Schmeichel já estava indo à área.

7 de junho de 2000: Palmeiras 3×2 Corinthians (5×4 nos pênaltis)


Os grandes rivais de São Paulo viviam seus momentos mais gloriosos no cenário internacional até então. O Palmeiras era o atual campeão das Américas, o Corinthians tinha o Mundial de Clubes. Mas só um deles avançaria na semifinal da Libertadores. A emoção já sobrou no jogo de ida, com a vitória por 4 a 3 dos alvinegros. Os alviverdes, porém, tratariam de dar o troco. Em jogo de duas viradas no placar, a vitória do Palmeiras foi garantida por Euller, Alex e Galeano. E, nos pênaltis, a consagração de Marcos no duelo com Marcelinho Carioca.

20 de dezembro de 2000: Palmeiras 3×4 Vasco


O jogo parecia ganho pelo Palmeiras. A equipe alviverde abriu 3 a 0 logo no primeiro tempo no Palestra Itália. O título da Copa Mercosul estava nas mãos. No entanto, o Vasco tinha um timaço. E tinha Romário. A reação começou aos 14 do segundo tempo, com dois gols de pênalti do Baixinho. Juninho Paulista empatou aos 41, em resultado que levava a decisão para os pênaltis. E o impossível aconteceu no terceiro minuto dos acréscimos, com Romário transformando o impossível em realidade.

23 de abril de 2003: Manchester United 4×3 Real Madrid


Eram os primeiros dias de Ronaldo no Real Madrid, quando ainda vestia a camisa 11 porque Morientes era o 9. E o melhor jogador do mundo em 2002 justificou sua posição com uma atuação inesquecível em Old Trafford. O Real havia vencido o jogo de ida das quartas de final da Champions por 3 a 1, mas tinha que enfrentar a pressão em Manchester para triunfar. Ronaldo, porém, tratou de carregar os galácticos nas costas. Foram três gols do artilheiro, que classificou o Real. No finalzinho, depois de o brasileiro deixar o gramado aplaudido pela torcida inglesa, o United salvou a honra e virou para 4 a 3. Mas, naquele momento, só um impossível 6 a 3 daria a classificação aos mancunianos.

25 de maio de 2005: Milan 3×3 Liverpool (2×3 nos pênaltis)


Olhando para o papel, o Milan era muito mais time do que o Liverpool naquela final de Istambul. Os italianos tinham 11 grandes jogadores em seu time titular, enquanto apenas Gerrard e Xabi Alonso poderiam ser considerados como craques no alinhamento inglês. E o primeiro tempo correspondeu à lógica, com os rossoneri abrindo 3 a 0 no placar. Porém, os Reds conseguiram sua façanha com apenas 15 minutos do segundo tempo, ao empatar com dois gols de seus ‘diferenciados’. Já nos pênaltis, quem fez a diferença foi Jerzy Dudek.

29 de junho de 2005: Brasil 4×1 Argentina


Um dos maiores momentos da história da seleção brasileira aconteceu a partir de 2002. Os meses posteriores à conquista do penta foram espetaculares, tanto pelos resultados quanto pela qualidade de jogo do time de Parreira. E o ápice foi atingido na final da Copa das Confederações de 2005. Uma goleada categórica sobre a Argentina, com show do ‘Quadrado Mágico’ composto por Ronaldinho, Kaká, Adriano e Robinho. Mas que também serviu para aumentar o oba-oba que tanto atrapalhou na Copa de 2006.

26 de novembro de 2005: Náutico 0×1 Grêmio


A famosa Batalha dos Aflitos, que selou o retorno do Grêmio à Série A. O nome do estádio não poderia ser mais propício, diante da possibilidade de acesso dos dois times. E o ápice da aflição aconteceu no 14º minuto dos acréscimos do segundo tempo, quando Galatto defendeu o pênalti de Ademar, quando os gaúchos já tinham perdido quatro jogadores expulsos. No fim, ainda houve tempo para o gol de Anderson, para concretizar o inacreditável.

25 de junho de 2006: Portugal 1×0 Holanda


Um jogo de Copa do Mundo com cara de Libertadores. O confronto entre portugueses e holandeses não ficou conhecido como ‘A Batalha de Nuremberg’ à toa. O árbitro Valentin Ivanov distribuiu 16 cartões amarelos e quatro vermelhos no jogo mais violento da história dos Mundiais. E, tanto quanto pegado, o duelo também foi muito bom. Os holandeses pressionaram bem mais no ataque, mas não passaram pelo goleiro Ricardo, e o gol de Maniche selou a classificação dos Tugas às quartas de final.

4 de julho de 2006: Alemanha 0×2 Itália


Alemães e italianos já tinham protagonizado um épico nas semifinais da Copa de 1970. E não deixaram a desejar no reencontro decisivo em 2006. Os alemães vinham empurrados pela massa que lotou o Westfalenstadion, transformando a muralha amarela em branca. Porém, a Azzurra suportou a pressão dos donos da casa, em um jogo equilibradíssimo. O placar zerado prevaleceu até os 14 minutos do segundo tempo da prorrogação, quando Fabio Grosso fez os italianos explodirem de alegria, em um triunfo complementado pelo belo gol de Del Piero.

16 de agosto de 2006: Internacional 2×2 São Paulo


O São Paulo era o atual campeão da Libertadores e do Mundial. Do outro lado, todavia, tinha uma equipe bastante qualificada do Internacional, em busca do título importante que não via a anos. A vitória por 2 a 1 no Morumbi aliviou os colorados, mas tranquilidade não foi o que existiu no Beira-Rio. Os gaúchos sempre estiveram à frente no placar. O problema é que precisaram segurar o resultado com um a menos no final do segundo tempo, tomando uma enorme pressão do Tricolor. Ao fim, o empate prevaleceu e a América se tornava vermelha.

2 de julho de 2010: Uruguai 1×1 Gana (4×2 nos pênaltis)


O jogo em si nem foi tão bom assim. Gana abriu o placar no fim do primeiro tempo, com Muntari, e Forlán igualou logo no início do segundo. Os ganeses pressionaram mais, mas a excelente defesa montada por Óscar Tabárez deu conta do recado. Isso até o primeiro minuto dos acréscimos do segundo tempo da prorrogação. Adiyiah cabeceou e Luis Suárez fez uma defesa mais bonita do que qualquer outra de Muslera no jogo. Expulsão do craque, pênalti para Gana. E o lance que selaria a classificação se transformou em desgraça. Com o empate, o Uruguai prevaleceu na disputa por pênaltis, com direito a cavadinha decisiva de Loco Abreu.

29 de novembro de 2010: Barcelona 5×0 Real Madrid


A rivalidade entre blaugranas e merengues havia se acirrado ainda mais na temporada anterior, com os seis títulos do Barcelona e as contratações milionárias do Real Madrid. Para desbancar os rivais, Florentino Pérez foi atrás de José Mourinho, o homem que os tinha eliminado na última LC. Mas o clássico do primeiro turno de La Liga não foi nada feliz aos visitantes, que foram massacrados no Camp Nou, em um ano no qual também amargaram a eliminação nos dérbis das semifinais da Champions e o vice-campeonato espanhol.

27 de julho de 2011: Flamengo 5×4 Santos


Não valia muita coisa e nem marcou uma grande campanha. Mas o épico da Vila Belmiro foi um dos melhores jogos da história do Brasileirão. O esperado duelo entre Neymar e Ronaldinho cumpriu o espetáculo. Um jogo marcado não só pelas reviravoltas no placar, mas também pelo gol antológico de Neymar, outro golaço de Ronaldinho, a pixotada de Deivid, o pênalti perdido por Elano. Daquelas partidas de deixar quem assistiu com o sorriso no rosto por uma semana.

23 de abril de 2013: Bayern de Munique 4×0 Barcelona


Ainda é cedo para cravar esse jogo como o fim de uma era ou o início de outra. Contudo, a imposição do Bayern de Munique marca a passagem do bastão àquele que se tornaria o novo time a ser batido no futebol mundial. O Barcelona já tinha sido desbancado duas vezes nas semifinais da Champions recentemente, mas com Inter e Chelsea estacionando o ônibus em frente ao gol. A diferença do Bayern foi o futebol ofensivo, a goleada incontestável. Que se tornou ainda mais impressionante com os 3 a 0 no Campo Nou.

26 de maio de 2013: América 2×1 Cruz Azul (4×2 nos pênaltis)


Jogo de volta da decisão do Torneio Clausura, clássico mexicano, Estádio Azteca com mais de 100 mil torcedores. As condições para um grande jogo eram evidentes. E, depois de perder o primeiro duelo para o Cruz Azul por 1 a 0, o América se encarregou de escrever a história. As Águias tomaram um gol logo aos 20 minutos de jogo, ficando contra a parede. Aos 44 do segundo tempo, o empate. E o triunfo que daria sobrevida auriazuis veio aos 48, em um lance de desespero do goleiro Moisés Múñoz que acabou nas redes. O América até teve chance de matar o jogo na prorrogação, mas só levou a taça depois dos pênaltis.