[Especial] Quinze motivos para você não perder a Liga Europa 2015/16

Para quem gosta de futebol, não necessariamente o dos maiores craques, a Liga Europa é uma enorme diversão. Pode não contar com a fama e as estrelas da Champions, mas possui uma abrangência e uma diversidade bem mais interessantes. A “segunda divisão europeia” integra muito mais os clubes de diferentes países. Prima pelas boas histórias, de equipes até os extremos geográficos – da Ilha da Madeira ao Cazaquistão, de Israel ao Círculo Polar Ártico. Dá até para ver a aurora boreal no meio de uma partida. E a disputa também se destaca por dar a oportunidade de muitos times se mostrarem ao mundo.

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No entanto, a Liga Europa 2015/16 está especial. Afinal, não perdeu a pluralidade que lhe é tão característica. Mas ganhou em peso. Muitos times de tradição na Europa estarão na disputa. Se o nível dos jogos costuma aumentar só nos mata-matas, desta vez a fase de grupos também se vê recheada de jogos de qualidade, com muitas equipes que buscam se reerguer no cenário continental. A mistura perfeita para uma excelente competição.

No nosso tradicional guia do torneio, damos os detalhes de dentro e de fora dos campos para que você acompanhar de perto a Liga Europa. E isso porque, nesta temporada, o torneio terá ampla cobertura dos canais de TV por assinatura do Brasil – em situação bastante diferente da que acontece na Champions, com o imbróglio envolvendo o Esporte Interativo. Confira os destaques:

Uma edição recheada de clubes históricos

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É verdade que a Liga Europa costuma ter muitos figurantes, equipes sem tanta tradição no cenário continental. Porém, a atual edição prima pela quantidade de times com um passado rico nos torneios europeus. Basta ver o currículo: 13 equipes já foram campeãs da Champions, da Liga Europa / Copa da Uefa ou da antiga Recopa Europeia. Enquanto isso, 22 já disputaram pelo menos uma final continental, quase metade entre os 48 concorrentes. Na lista de destaques, ninguém pesa mais do que o Liverpool e seus 11 títulos europeus. Se conquistarem a taça, os Reds podem, aliás, igualar o Sevilla como maiores campeões da história da Liga Europa / Copa da Uefa. Os ingleses já ficaram com a taça em 1973, 1976 (um ano antes de serem bicampeões da Champions) e 2001.

Os principais países, muito bem representados

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Além disso, cabe ressaltar como as forças estão bem distribuídas pelo mapa da Liga Europa. Grande parte dos países conta com um de seus maiores campeões nacionais presentes, ou ao menos algum time de representatividade. O maior exemplo está na França. A Ligue 1 tem quatro de seus sete maiores vencedores: juntos, Saint-Étienne, Olympique de Marseille, Monaco e Bordeaux somam 32 taças no torneio. Liverpool e Tottenham são duas referências da Premier League, enquanto Borussia Dortmund e Schalke 04 representam as maiores torcidas na região mais populosa da Alemanha. E, se em número de títulos eles não se destacam tanto, Athletic Bilbao, Napoli, Fiorentina e Lazio têm peso demais em seus países. Isso sem contar as potências de ligas menores: Ajax, Anderlecht, Sporting, Besiktas, Celtic, Basel, Rapid Viena, Partizan Belgrado, Sparta Praga. Desta vez, são apenas sete estreantes em fases de grupos de torneios continentais – metade dos 14 de 2013/14, por exemplo.

O Grupo A é a Jerusalém das camisas pesadas

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Nenhuma outra chave da Liga Europa combina tanta tradição e camisas pesadas quanto o Grupo A. Ajax e Celtic já conquistaram até a Champions no passado, enquanto Fenerbahçe é potência incontestável na Turquia e o Molde vive seu período de maior dominância na Noruega. Somando os números de cada um, juntos os quatro clubes já disputaram 159 edições de competições europeias. Só que os três principais candidatos do grupo possuem histórias ligadas à religião: o Ajax conta com raízes na comunidade judaica; o Fenerbahçe serve como bandeira do lado oriental da Turquia em um país majoritariamente muçulmano; enquanto o Celtic, fundado por católicos, trava uma rivalidade de forte cunho religioso. Considerando também a força dos ultras no trio, serão seis duelos que prometem muitos cuidados da polícia – e as ameaças começaram logo após o sorteio. No entanto, a qualidade em campo também deve ser grande, com as quatro equipes oriundas da Champions.

Os ibéricos e a dominância evidente na Liga Europa

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O Sevilla é o atual bicampeão da Liga Europa – e só poderá defender o tri se terminar em terceiro no seu grupo da Champions. Mas, ainda que os andaluzes sejam a grande força do torneio na última década (com quatro títulos, impacto semelhante ao do Barcelona na Champions), a taça se concentra essencialmente nas mãos de times espanhóis e portugueses. De 2003 em diante, são nove títulos para os ibéricos em 13 possíveis – e, na sobra, dois para os russos, um para os ucranianos e um para os ingleses. Os espanhóis levantaram a taça seis vezes neste período e ficaram em segundo outras duas, enquanto os portugueses tiveram duas conquistas e três vices. A conquista do Sevilla também permitiu à Espanha se igualar à Itália como maiores vencedoras do torneio, cada uma com nove conquistas. Athletic Bilbao e Villarreal defendem a honra de La Liga neste primeiro momento.

Qual será a postura dos ingleses?

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A Inglaterra está realmente ameaçada pela Itália no ranking de competições da Uefa. Por isso, se dar bem na Liga Europa também significa manter uma vaga a mais ao país na Champions. Contudo, os times locais costumam valorizar bem mais a Premier League do que o segundo principal torneio da Europa. E o problema já se deu desde as fases eliminatórias, com as quedas vexaminosas de West Ham e Southampton. Em um grupo sem tantas forças, o Liverpool deve avançar sem esforços. Já o Tottenham, se resolver mais uma vez empurrar com a barriga, fica pelo caminho contra Monaco e Anderlecht.

A crise migratória também no debate

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Se o futebol tem se envolvido bastante na onda de refugiados que entra na Europa, em um torneio tão plural, a questão também deverá estar presente. Há torcidas realmente engajadas na questão, especialmente as de Dortmund e Schalke 04. Em contrapartida, vários países que estão na rota das fugas disputarão a Liga Europa: Polônia, República Tcheca e Sérvia. Por lá, entretanto, o preconceito à questão tem sido bastante marcante, manifestado pelas próprias torcidas. Exemplo disso, os ultras de Viktoria Plzen e Legia Varsóvia levaram aos estádios faixas de repúdio aos refugiados. Já parte da torcida radical do Lech Poznan prometeu boicotar a estreia, já que € 1 de todos os ingressos da rodada serão doados à ajuda dos migrantes.

Dois clubes que resumem um conflito

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O Azerbaijão será representado por dois clubes na Liga Europa. O que, no fim das contas, também evidencia o forte conflito que existe no país com a vizinha Armênia. Pouco relevante até mesmo em seu país, o Gabala conquistou a classificação inédita à fase de grupos, sorteado na mesma chave do Borussia Dortmund. Contudo, por sua nacionalidade, o armênio Henrikh Mkhtaryan enfrenta problemas para conseguir visto ao país. Além disso, o Qarabag vai para a sua segunda edição consecutiva. O clube é uma bandeira da região fronteiriça do conflito, mudando-se da cidade de Aghdam para Baku após o início da Guerra Nagorno-Karabakh – que colocou os dois países no campo de batalha após o fim da União Soviética. Diante das 40 mil mortos de origem armênia e dos bombardeios até mesmo ao Estádio Imrat, o time se refugiou na capital, se tornando um símbolo de sua etnia e de suas origens.

O feito inédito da Albânia

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Entre todos os participantes da Liga Europa, o Skënderbeu Korçë é quem mais faz história por sua mera presença. Depois de surpreender na Champions e ficar a uma fase do torneio, o clube ganhou como prêmio de consolação uma vaga na fase de grupos da LE. O suficiente para ser o primeiro albanês da história a se classificar para a etapa principal de uma competição continental. No entanto, por mais que contenha vários símbolos nacionalistas, Skënderbeu não está entre os mais vencedores do país. Ascendeu justamente quando estava ameaçado pelo rebaixamento, quando passou a ser administrado por um grupo de notáveis da região de Korçë. Desde então, se tornou hegemônico na liga nacional, faturando os últimos cinco títulos do Campeonato Albanês.

O ressurgimento de um grande em Portugal

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O Belenenses segue ao lado do Boavista como um dos únicos clubes a quebrar a sequência de títulos do trio de ferro em Portugal. Foi ainda na década de 1940, mas nada que atrapalhasse a tradição do time de Belém. Entretanto, a torcida passou por dificuldades no Estádio do Restelo durante os últimos anos, disputando até mesmo a segunda divisão. Agora, é a vez de curtir o ressurgimento, com a vaga na Liga Europa conquistada logo na segunda temporada de volta à elite. E, pela primeira vez em toda a sua história, o Belenenses estará na fase de grupos de um torneio continental. Antes disso, tinha participado de dez edições das copas europeias, sempre eliminado entre a primeira e a segunda fase. Seu maior feito havia sido derrubar o Bayer Leverkusen de Cha Bum-Kun e de Rinus Michels (sim, a lenda holandesa, em seu último trabalho por um clube) na primeira etapa da Copa da Uefa de 1988/89.

Borussia Dortmund, o time a se assistir

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O início de temporada do Borussia Dortmund é excelente. Voando na Bundesliga, os aurinegros ainda marcaram muitos gols nas preliminares da Liga Europa – ainda que tenham passado alguns sustos. Devem levar a sério o torneio, do qual são duas vezes vice-campeões. Por mais que as participações na Champions sejam constantes, as chances de conquistar a LE são muito maiores. E, além do bom futebol que o Dortmund vem apresentando, vale ficar de olho no espetáculo que acontecerá também nas arquibancadas. Afinal, o Grupo C possui dois dos ambientes mais fantásticos da Europa: o Signal Iduna Park e o Estádio Toumba, onde o Paok é o responsável pelo show.

Grandes jogadores em destaque

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A mera presença de clubes tradicionais em seus países também ajuda oferecendo um bom número de talentos à Liga Europa. Prova disso está nos astros que são protagonistas em suas seleções nacionais. A Alemanha tem Reus, Hummels, Gündogan e toda a base do Dortmund. Van Persie é a grande atração do Fenerbahçe, recheado de veteranos. Capitão da França e um dos melhores goleiros do mundo, Lloris defende a meta do Tottenham. Hamsik segue como esteio do Napoli, João Moutinho dita o ritmo do Monaco, Benteke estrela o ataque do Liverpool. E isso sem contar os vários brasileiros, que deverão ser observados pela Seleção durante o torneio continental: Roberto Firmino, Philippe Coutinho, Felipe Anderson, Lucas Silva, Souza e Fabinho despontam, todos com convocados recentemente por Dunga.

A volta à casa da velha Recopa

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A final da Liga Europa 2015/16 acontecerá no St. Jakob Park, casa do Basel – que terá motivação extra para mirar uma boa campanha. Será a primeira decisão continental disputada no local desde que foi reerguido para a Euro 2008. Contudo, o antigo estádio, palco da abertura da Copa de 1954, foi um dos centros da Recopa Europeia. É o segundo local com mais finais do extinto torneio que reunia os campeões de copas, perdendo apenas para o De Kuip, em Roterdã. Entre 1969 e 1984, quatro vencedores ergueram a taça por lá: Slovan Bratislava, Dynamo Kiev, Barcelona e Juventus. Gramado que coroou craques do porte de Blokhin, Neeskens, Krankl, Platini, Boniek e Paolo Rossi.

Os eliminados da Champions se darão bem desta vez?

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A Liga Europa costuma se transformar a partir dos mata-matas. Afinal, além da peneira feita pela fase de grupos, o torneio incorpora oito equipes eliminadas na Liga dos Campeões. E, apesar de serem minoria, os times vindos da LC costumam impor respeito. Desde 1999/00, quando a regra foi estabelecida, seis campeões tinham caído na Champions anteriormente, o Chelsea sendo o último deles, em 2013. Na última temporada, todavia, eles se deram mal: cinco foram eliminados logo nos 16-avos de final, enquanto o Zenit foi o único a chegar até as quartas, não passando disso. Sevilla (2006, 2007, 2013 e 2014), Porto (2003 e 2011), Liverpool (2001), Valencia (2004), Zenit (2008) e Atlético de Madrid (2012) são os vencedores “100% Liga Europa”.

Também vale vaga na Champions

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Obviamente, a importância da Liga Europa está no título em si. Na oportunidade de conquistar um torneio continental, algo que a maioria absoluta dos classificados não teria a mínima chance na Champions. Entretanto, a vaga para a Liga dos Campeões 2016/17 também é um chamariz, tanto por complementar o objetivo de muitos nos campeonatos nacionais quanto por trazer uma excelente oferta financeira. Assim, o novo prêmio ajudou a LE a contar com um bom nível nos mata-matas em 2014/15, a primeira edição valendo a regra. Considerando a qualidade e o peso dos times desde a fase de grupos, tende a melhorar ainda mais.

Um mapa rumo ao oriente

A Liga Europa distribui os seus times de maneira muito melhor pelo território europeu do que a Champions. Menos concentrada nas grandes ligas, se espalha também pelo leste. E o oriente se faz bastante presente nesta edição – ainda que de maneira menos extrema do que na LC, onde o Astana representa o Cazaquistão. A edição de 2015/16 conta com 13 clubes da antiga Cortina de Ferro, sendo três da República Tcheca e sete da velha União Soviética. O Lokomotiv é o único representante de Moscou, enquanto Rubin Kazan e Krasnodar representam o interior da Rússia. Além disso, Besiktas e Fenerbahçe possuem suas sedes tecnicamente localizadas na Ásia – ainda que os alvinegros atuem na parte europeia de Istambul. Em relação às distâncias, a maior viagem será feita por Tottenham e Qarabag: são cerca de quatro mil km separando Londres e Baku.