Douglas Costa comemora gol contra a Real Sociedad na Liga dos Campeões (AP Photo/Efrem Lukatsky)

[Especial] A revolução do Leste Europeu – por Gustavo Hofman

Em 1999, Rinat Akhmetov ainda estava em seus primeiros anos na presidência do Shakhtar Donetsk. O Zenit nunca havia conquistado um título russo. Roman Abramovich aumentava seu poder na Rússia e nem pensava em ter um clube de futebol na Inglaterra. O Dnipro não sonhava em tirar grandes jogadores do futebol brasileiro. O CSKA Moscou nem poderia imaginar que um garoto do subúrbio carioca chamado Vagner Love seria um dos grandes jogadores de sua história.

Tudo isso há apenas 15 anos, uma década e meia. A transformação pela qual passou o Leste Europeu no futebol é um reflexo, também, da maior inserção da região na economia europeia e, consequentemente, mundial.

Shakhtar, Zenit e CSKA conquistaram títulos da Liga Europa. Bilionários surgiram na região e tornaram clubes medianos em potências econômicas. Times como Dnipro, Metalist Kharkiv e o gigante Spartak Moscou aparecem com frequência cada vez maior no nosso noticiário. Os campeonatos nacionais de Rússia e Ucrânia têm transmissão ao vivo para o Brasil.

Hoje em dia, o Leste Europeu não é mais aquele buraco negro do passado. Naturalmente, quando o jogador recebe uma proposta da Espanha e outra da Ucrânia, o país ibérico tem a preferência. O que mudou é a relação com esses países, agora tratados como destinos comuns e não mais alternativos. Ninguém mais se assusta com uma proposta milionário do Dinamo Moscou, por exemplo, ao volante sensação do Campeonato Brasileiro.

Russos e ucranianos dominam a região, mas cada vez mais brasileiros são figuras frequentes nas competições de Romênia, Bulgária, Hungria, Sérvia, Croácia, República Tcheca…

As seleções também melhoraram. Em 1999 União Soviética e Iugoslávia já não existiam, e de lá para cá as equipes cresceram muito tecnicamente, graças à evolução dos seus torneios nacionais e também pela maior presença de seus principais atletas nas grandes competições internacionais. Bósnia, Croácia e Rússia estão classificadas para a Copa do Mundo deste ano.

Além disso, atletas como Modric, Dzeko, Cech, Lewandowski, Berbatov e Arshavin são estrelas internacionais. Se buscarmos nesses últimos 15 anos os grandes jogadores que saíram da região, recuperamos nomes como Shevchenko, Suker, Hagi, Nedved e Boban. Talento suficiente para colocar o Leste Europeu no mapa do futebol.

Gustavo Hofman foi repórter e editor da Trivela. Em 2011, foi contratado como comentarista dos canais ESPN.