Por Petrick Moreno

Após o triste episódio registrado no último dia 22, no Jalisco, uma discussão tem tomado quase que por completo os periódicos esportivos mexicanos: a erradicação dos “barras bravas” do futebol local. Para entender isso, voltemos ao ano de 1996, quando Andrés Fassi (homem forte do Pachuca) trouxe esse conceito de grupos de animação ao México, como uma maneira diferente de apoio ao time, com tambores, pratos, fumaça na entrada da equipe, instrumento de chamas em pequena escala, mosaicos, bandeiras, mantas, cânticos e toda espécie de ferramenta para dar vida ao jogo. Fassi tinha em mente a criação de um “12° jogador”, uma hinchada participativa e extremamente intensa nas partidas, algo que é comum no futebol sul-americano. Alguns têm até chamado Fassi de “o pai dos barras mexicanos”.

Desde então, muita coisa mudou no cenário do país. Depois da criação da primeira barra mexicana, Ultra Tuza (do Pachuca), várias outras foram criadas para apoiar as equipes, cada uma com suas particularidades e características distintas. La Monumental (América), Ritual de Kaos (América), La Rebel (Pumas), La Legion 1908 (Chivas), La Irreverente (Chivas), Barra 51 (Atlas), Libres y Lokos (Tigres), La Adicción (Monterrey) e várias outras marcam presença constantemente nos jogos.

Voltemos ao ano atual. Por razões obscuras, muitos desses artifícios usados pelas hinchadas foram vetados pela Liga MX. Talvez aqui seja diagnosticado um problema que tenha total ligação com atos violentos nos estádios. Um exemplo disso é que, se as “bengalas” (artifícios de iluminação como usados nos jogos do Galatasaray) fossem permitidas (algo comum em outros países, mas proibido no México), os policiais não precisariam intervir na partida do dia 22, e, consequentemente, aquela batalha campal horrível no Jalisco teria sido evitada.

Outro exemplo são as constantes multas por mosaicos nos estádios. Sim, você não entendeu errado: multas por mosaicos. Algo que constantemente o Tigres ignora e volta e meia exibe nas tribunas do Universitário, mesmo sabendo que serão sancionados economicamente.

É inegável que existam criminosos e bandidos infiltrados nessas hinchadas, e esses indivíduos devem ser identificados e banidos dos estádios para sempre. Jorge Vergara, dono do Chivas Guadalajara, iniciou uma discussão para acabar com esse modelo de torcida no México. O Atlas e o Pachuca se anteciparam e “abraçaram” suas torcidas nesse tema, evidentemente polêmico. Mas uma questão fica no ar. Será que a Liga MX não fomenta essa violência com tantas proibições, grande parte delas extremamente desnecessárias e com o único intuito de arrecadar dinheiro com tais sanções? Fica a reflexão.

As outras duas partes do especial serão publicadas nas próximas duas segundas-feiras.