Texto originalmente publicado no Imortais do Futebol e cedido à trivela. Acompanhe o site e também no Facebook.

Por Guilherme Diniz*

Depois do bicampeonato europeu conquistado pelo Benfica em 1961 e 1962, a Europa jamais viu o brilho de um clube lusitano até o ano de 1987. Décadas se passaram, vários esquadrões encantaram, mas nenhum que tivesse sangue português conseguiu desbancar alemães, italianos, ingleses, espanhóis, holandeses e até romenos na principal competição do continente.

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Foi então que uma turma vestida em azul e branco acabou de vez com a seca e faturou uma inédita e histórica Champions League sobre um time amplamente favorito e já tricampeão do torneio – o Bayern de Munique. Jogando em Viena, o Futebol Clube do Porto virou gigante, desbancou os alemães e levou a “Velhinha Orelhuda” para Portugal depois de 25 anos.

Não bastasse o título continental, os portistas viajaram até o gélido Japão para encarar outro clube cheio de tradição, o Peñarol, do Uruguai, e provou que nem mesmo um campo coberto de neve seria capaz de apagar a chama do Dragão e o futebol de Madjer, Gomes, Magalhães, Inácio, João Pinto e tantos outros que transformaram o Porto no primeiro – e até hoje único – clube português campeão mundial de futebol, uma façanha que nem mesmo o formidável Benfica de Eusébio e Coluna conseguiu. Mas não foi só isso. Eles venceram vários títulos nacionais e iniciaram naquele final de década uma hegemonia impressionante no futebol de seu país. É hora de relembrar.

Mudanças políticas e volta por cima

Depois de não esboçar reação alguma à hegemonia do rival Benfica nos anos 60 e em boa parte da década de 70, o Porto buscava voltar aos seus melhores tempos naquele começo de anos 80. E a busca começou depois que Américo de Sá, presidente do clube entre 1972 e 1982, deu lugar a Jorge Nuno Pinto da Costa, que iniciou um investimento pesado não só em melhorias para o futebol e em contratações, mas também em vários outros esportes praticados pelos portistas, tais como atletismo e hóquei em patins (este o primeiro a dar resultados, com a conquista da Taça das Taças de 1982, o primeiro título conquistado desde a implantação da modalidade no clube, em 1955).

No futebol, Costa foi buscar jogadores de talento que pudessem oferecer ao time azul e branco força suficiente para retomar o trono no Campeonato Português e beliscar alguma coisa, também, na Europa. Chegaram em 1982 o prata da cada Fernando Gomes, prolífico atacante que estava no Sporting Gijón, o zagueiro Eduardo Luís (ex-Marítimo), e o ponta Vermelhinho (ex-Águeda). Eles se somaram aos já titulares Zé Beto, João Pinto, Jaime Magalhães (das categorias de base) e António Sousa para formar a base da equipe que daria imensas glórias à torcida portista.

Na temporada 1983/84, o Porto fez bonito na Recopa e conseguiu chegar a sua primeira final europeia da história, após eliminar Dinamo Zagreb, então da Iugoslávia, Rangers, Shakhtar Donetsk (à época da URSS) e Aberdeen (do técnico Alex Ferguson). Na decisão, os portugueses tiveram o azar de encarar a poderosíssima Juventus de Giovanni Trapattoni e de craques como Gentile, Scirea, Cabrini, Tardelli, Platini, Paolo Rossi e Boniek.

A Juve se impôs, contou com algumas favorecidas da arbitragem e venceu por 2 a 1. O revés não abalou nem um pouco os jogadores do Porto, que seguiram em busca de um troféu, ainda mais após as chegadas do técnico Artur Jorge, do zagueiro Celso e de dois atacantes muito promissores: Paulo Futre, revelação do celeiro de craques do Sporting, e Rabah Madjer, argelino que mostrava muita intimidade com a bola e havia feito ótimas apresentações pelo Racing Paris e pela seleção da Argélia que disputou a Copa de 1982 e venceu a poderosa Alemanha logo na estreia por 2 a 1 (com um gol do atacante).

Posteriormente, a equipe ainda contrataria um seguro goleiro polonês de sobrenome quase impronunciável: Jósef Mlynarczyk (!), além dos brasileiros Juary (ex-Santos) e Walter Casagrande (ex-Corinthians). Pronto. Era hora de voltar a incomodar os rivais portugueses. E tentar uma nova boa campanha em solo europeu.

Fernando Gomes, maior artilheiro da história do Porto

O despertar do Dragão

Sob o comando de Artur Jorge, o Porto ganhou mais força ofensiva e se apoiou no talento de sua linha de frente composta por Fernando Gomes e Paulo Futre. Com a dupla, o clube azul e branco faturou com sobras o Campeonato Português de 1984/85, com oito pontos de vantagem sobre o segundo colocado, o Sporting.

A equipe portista venceu 26 jogos, empatou três e perdeu apenas um, marcando 78 gols (melhor ataque) e sofrendo míseros 13 gols em 30 jogos, melhor defesa disparada da competição. Fernando Gomes anotou 39 gols e foi o artilheiro do campeonato e também da Europa, vencendo a cobiçada Chuteira de Ouro. Aquele foi o primeiro título português da equipe desde a taça de 1979.

Na temporada seguinte, o Porto disputou a Champions League e por muito pouco não disputou as quartas de final. Depois de eliminar o Ajax, comandado por Johan Cruyff no banco e com vários jovens (muito) promissores como Ronald Koeman, Frank Rijkaard e Marco van Basten, com uma vitória por 2 a 0, em casa, e empate sem gols, fora, os portistas duelaram contra o Barcelona e perderam o primeiro jogo, na Espanha, por 2 a 0.

Na volta, o brasileiro Juary entortou a defesa catalã e marcou os três gols heroicos que colocariam os portugueses na próxima fase, mas Steve Archibald fez um tento solitário para o Barça e o placar agregado de 3 a 3 colocou os espanhóis nas quartas de final por causa do critério do gol marcado fora de casa. A vitória com gosto de derrota doeu, mas não havia drama. Era preciso fazer o caminho de volta e vencer mais uma vez o campeonato nacional.

Bicampeões

A temporada 1985-1986 marcou a entrada de Madjer no ataque titular do Porto e o brilho cada vez maior de Futre, que se mostrava impecável como ponta-esquerda ou até como atacante mais avançado. Com a dupla em campo, o Porto ganhou muito mais qualidade técnica e dificilmente ficava uma partida sem balançar as redes pelo menos uma vez, ainda mais com o matador Gomes em campo.

Com total dominância em casa (foram 14 vitórias e um empate), o time azul e branco foi bicampeão nacional com 22 vitórias, cinco empates, três derrotas, 64 gols marcados (melhor ataque, ao lado do Sporting) e 20 gols sofridos. O troféu deu ao Porto mais uma chance de disputar a Champions League, que seria levada muito a sério. E com ânimo extra após o título da Supercopa de Portugal de 1986, com direito a goleada por 4 a 2 sobre o rival Benfica em pleno estádio da Luz.

Rumo à Viena

Com um time muito bem montado e confiante no que fazia, o Porto entrou na Champions League sabendo da força dos rivais que a disputavam, mas consciente de que poderia ir bem longe no torneio. Na primeira fase, a equipe começou da melhor maneira possível sua caminhada ao aplicar sonoros 9 a 0 no fraco Rabat Ajax, de Malta, com quatro gols de Gomes, dois de André, um de Celso, um de Madjer e outro de Francisco Chagas.

Na volta, António Sousa fez o gol da vitória por 1 a 0 que colocou o Porto na segunda fase. Nela, a equipe encarou os tchecos do Vitkovice e superou o revés da ida (1 a 0) para vencer por 3 a 0 em casa, com gols de André, Celso e Paulo Futre. Nas quartas de final, os portistas enfrentaram o Brondby de Schmeichel, Lars Olsen e Brian Laudrup, e suaram para vencer o duelo de ida, em Portugal, por 1 a 0, gol de Madjer. Na volta, os dinamarqueses voltaram a complicar com um gol de Steffensen na primeira etapa, mas o talismã Juary empatou e classificou o Porto.

Na semifinal, a equipe teve seu primeiro grande desafio: enfrentar o Dynamo Kyiv, da então URSS, campeão da Recopa de 1985/86 e que tinha Valeriy Lobanovskiy no comando técnico e craques de enorme talento em campo como Mykhailychenko, Belanov (vencedor do Ballon d’Or de 1986) e Oleg Blokhin.

Se quisesse mesmo ser campeão europeu pela primeira vez, os portugueses teriam que superar aquele adversário fortíssimo não só com futebol, mas também com sangue frio, inteligência e precisão cirúrgica no sistema defensivo, que não poderia falhar diante de um time que não costumava errar quando tinha o gol à sua frente.

No primeiro jogo, no estádio das Antas, 90 mil torcedores lotaram o antigo alçapão do Dragão para empurrar os portistas rumo à vitória. Depois de um primeiro tempo sem gols, Futre abriu o placar logo aos quatro minutos da segunda etapa e colocou fogo no jogo. Menos de dez minutos depois, André, de pênalti, ampliou, mas Yakovenko diminuiu e a tensão ficou no ar até o apito final. O resultado de 2 a 1 não foi lá muito bom, pois o Dynamo era muito forte no Respublykanskyi Stadion, que recebeu centenas de milhares de pessoas para o segundo duelo entre soviéticos e portugueses.

Em 22 de abril de 1987, o Porto mostrou sua força e acabou com o rival nos primeiros dez minutos de jogo. Jogando na base dos toques rápidos e precisos, a equipe azul e branca não deixou o Dynamo se impor e abusou da velocidade de Futre e Madjer e da sempre perigosa presença de Gomes, que levava consigo os zagueiros e abria espaço para a penetração dos companheiros.

Aos três minutos, Celso cobrou falta da entrada da área, contou com o desvio da barreira e abriu o placar: 1 a 0. Sete minutos depois, após uma cobrança de escanteio, o artilheiro Gomes aproveitou uma bobeada da zaga soviética e mandou a bola para as redes: 2 a 0.

Com 4 a 1 no placar agregado, o Porto jogou com muito mais tranquilidade e nem sentiu quando o Dynamo descontou logo aos 11´, com Mykhailychenko. O placar permaneceu assim e o Porto, pela primeira vez em sua história, se classificava para uma decisão de Liga dos Campeões. Mas o time teria outro peso-pesado pela frente: o Bayern Munique, favoritíssimo, com Pfaff, Brehme, Matthäus e o técnico Udo Lattek.

Dragão épico

Às vésperas da grande final europeia, o Porto sofreu um baque ao perder seu fazedor de gols, Fernando Gomes, por causa de uma séria lesão na perna. Sem ele, o técnico Artur Jorge perderia o homem de referência na grande área e teria que deslocar Paulo Futre para o meio do ataque, embora ele pudesse escalar Casagrande ou Juary para a função.

Já o Bayern não teria o defensor Aughentaler, o atacante Wohlfarth e o meio-campista Hans Dorfner. Mesmo assim, os alemães ainda eram considerados grandes favoritos pela experiência, pela camisa e pelo talento do treinador Udo Lattek, multicampeão e consagrado como um dos melhores técnicos do continente – e do mundo.

Na final, disputada no Praterstadion (atual Ernst Happel Stadium), em Viena, mais de 60 mil pessoas começaram a ver o óbvio quando Ludwig Kögl, aos 25 minutos, abriu o placar para o Bayern. Se a vitória dos alemães era mais do que previsível, após aquele gol ela era quase consolidada.

Com mais posse de bola e mais chances de gols, os bávaros dominavam as ações e o quarto título europeu parecia questão de tempo. Mas, falando de tempo, os 15 minutos do intervalo fizeram bem à mente de Artur Jorge e de seus comandados. O treinador portista tirou um volante (Quim) e colocou o talismã Juary com o objetivo de bagunçar a defesa alemã e dar mais liberdade para Futre criar jogadas ao seu estilo, pelas pontas e com muita criatividade.

Além disso, Madjer poderia abusar mais dos dribles e também aparecer como elemento surpresa. Dito e feito. O Porto foi totalmente outro no segundo tempo e mudou os prognósticos. Mais incisivo, o time azul e branco encolheu o Bayern em seu próprio campo e chegou ao gol de empate aos 32 minutos, quando Madjer recebeu dentro da área e mandou para o gol de Pfaff de calcanhar, num dos gols mais bonitos da história das finais da Champions League.

O tento impulsionou os portistas à virada, que aconteceu três minutos depois, após outra boa jogada de Madjer, dessa vez pela esquerda, que deixou um zagueiro para trás e cruzou na medida para Juary mandar para as redes: 2 a 1.

Com a vitória na mão, o Porto jogou com muita inteligência os minutos finais e deu show com sua defesa muito bem postada, que deixou os atacantes alemães em constantes impedimentos. A equipe lusa esteve mais perto do terceiro gol do que os germânicos do empate.

Sem esboçar reação, o Bayern caiu e o Porto fez uma histórica e inesperada festa: depois de 25 anos, um clube português era campeão da Europa. E, pela primeira vez, o Porto conquistava o mais cobiçado troféu de todo o continente. Foi a consagração de vários talentos revelados no próprio clube e do argelino Madjer, que provava ser um dos maiores tesouros revelados pela África naquela década.

O gol de calcanhar de Madjer

Aquecimento para o Mundial

Campeões da Europa, os portistas iniciaram a preparação para a disputa do Mundial Interclubes de 1987 sem o técnico Artur Jorge, que foi para o futebol francês. A saída do “professor” fez o clube azul e branco buscar o iugoslavo Tomislav Ivic, que vinha de bons trabalhos no Anderlecht e no Hajduk Split (atual Croácia).

Exímio estrategista, Ivic fez do Porto uma equipe ainda mais forte taticamente e deu a primeira mostra de seu trabalho com o título da Supercopa da Uefa em cima do Ajax, com duas vitórias por 1 a 0, tanto na Holanda quanto em Portugal.

Antes da viagem ao Japão, os portistas mantiveram uma boa vantagem no Campeonato Português e trataram de conhecer melhor o seu adversário na final intercontinental: o Peñarol-URU, pentacampeão da Libertadores, tricampeão mundial e em busca do tetra sob o comando de Óscar Tabárez e com o talismã Diego Aguirre.

Campeões do gelo

Porto e Peñarol duelaram sob muita neve no Japão

No dia 13 de dezembro de 1987, Porto e Peñarol entraram no Estádio Nacional de Tóquio (JAP) e não pisaram em um gramado, mas sim em neve. Muita neve! O inverno na cidade à época estava mais rigoroso do que de costume e o verde deu lugar a um branco sem fim, que obrigou o juiz a colocar em campo uma bola amarela bem chamativa.

De amarelo também jogou o Peñarol, que deixou de lado sua tradicional camisa aurinegra para se destacar no gelo japonês. A tática uruguaia ajudou o Porto, que soube distinguir o que era gelo e o que era Peñarol durante um jogo duro e que impossibilitava passes precisos ou jogadas mais trabalhadas.

Além da neve sobre o gramado, ela continuava a cair do céu e dificultava ainda mais a prática do futebol. Fosse hoje, o duelo com certeza seria adiado. Mas, na época, os jogadores tiveram que fazer o possível e o impossível para decidir o título naquele dia.

O primeiro gol do jogo saiu no final do primeiro tempo, quando Fernando Gomes fez uma bonita jogada na área, cortou um zagueiro e chutou para o gol. No segundo tempo, era impossível prever mais um gol com a bola penando tanto para rolar, mas Vieira conseguiu empatar para os uruguaios, aos 35 minutos, levando o duelo para a prorrogação.

Nela, brilhou a estrela de Madjer, que roubou a bola de um zagueiro, viu o goleiro Eduardo Pereira adiantado e chutou por cobertura, conseguindo a proeza de marcar um golaço na neve e dar o título mundial ao Porto. Em sua primeira decisão, o Porto conseguia o que o rival Benfica não conseguiu em 1961 e 1962: ser campeão mundial interclubes.

Enfim, um clube português era o melhor do mundo. E Madjer, que já havia brilhado na Liga dos Campeões, se consagrava de vez como o melhor jogador da final, que impulsionou sua eleição como o Melhor Jogador Africano do Ano pela revista France Football.

Ano de ouro em Portugal

Depois de brilhar na Europa e no mundo, o Porto voltou suas atenções para sua casa na temporada 1987/88. Sem sucesso na Liga dos Campeões (a equipe foi eliminada na segunda fase, pelo Real Madrid), os portistas faturaram mais um Campeonato Português com outra campanha exuberante: 29 vitórias, oito empates e apenas uma derrota em 38 jogos, com 88 gols marcados (melhor ataque) e apenas 15 gols sofridos (melhor defesa).

Jogando em casa, os dragões venceram absolutamente todos os 19 jogos que disputaram, com destaque para as vitórias sobre Benfica (3 a 0), Os Belenenses (7 a 1), Rio Ave (5 a 0) e Salgueiros (5 a 0). Depois do título nacional, o Porto também faturou a Copa de Portugal, com vitória por 1 a 0 sobre o Vitória de Guimarães, no Estádio Nacional de Jamor.

O gol do título foi marcado por Jaime Magalhães e a conquista foi sofrida, afinal, os portistas já estavam com um enorme cansaço físico e mental depois de tantas finais seguidas, o que beneficiou o Vitória, que vendeu caro a derrota.

À espera de Mourinho

Após quatro anos inesquecíveis, o Porto perdeu sua força no cenário continental e vários heróis deixaram o clube, mas o Dragão iniciou uma hegemonia marcante em Portugal. A equipe venceu os Campeonatos Portugueses de 1989/90, 1991/92 e 1992/93, e faturou um histórico e inédito pentacampeonato em 1994/95, 1995/96, 1996/97, 1997/98 e 1998/99, com enorme destaque para o artilheiro brasileiro Jardel.

Nos anos 2000, o clube voltou a formar uma geração de ouro e, sob o comando de José Mourinho, reconquistou a Europa com um futebol tão competitivo e marcante como o do time dos anos 80, numa trajetória que você pode ler clicando aqui.

Mesmo com o brilho do time campeão europeu e mundial de 2004, o torcedor do Porto jamais se esquece do esquadrão dos anos 80, que trouxe de volta o orgulho portista, conquistou a Europa no mais improvável cenário e o mundo no mais hostil e perigoso território. Até que tudo foi fichinha, afinal, dragões se impõem onde e quando eles querem e desejam, como bem sabem os torcedores do Porto. Um esquadrão imortal.

Os personagens

Jósef Mlynarczyk: chegou em 1986 já famoso por suas atuações pela Seleção Polonesa, terceira colocada na Copa de 1982, e pelo Widzew Lódz, e mostrou sua habitual segurança participando de todos os grandes momentos daquele Porto campeão europeu e mundial. Com boa estatura (tinha 1,86m) e ótima colocação, foi um dos responsáveis pelo baixo número de gols sofridos da equipe entre 1986 e 1988. Encerrou a carreira no próprio Porto, em 1989, e virou ídolo da torcida.

Zé Beto: jogou toda a carreira no Porto e era titular absoluto do gol do time até a chegada do polonês Mlynarczyk. Com a forte concorrência, perdeu espaço e viveu seus últimos momentos na reserva, ainda mais com a ascensão do jovem Vítor Baía. Zé Beto ainda teria vários anso de carreira, mas perdeu a vida em 1990, aos 30 anos, após um acidente de carro.

João Pinto: com notável espírito de liderança e muita aplicação tática, foi um dos melhores laterais-direitos da história de Portugal e do próprio Porto. Só vestiu a camisa do clube na carreira, entre 1981 e 1997, e conquistou quase todos os títulos possíveis. Foi o capitão que ergueu a Liga dos Campeões conquistada pelo clube em 1987.

Eduardo Luís: depois de se destacar pelo Marítimo, chegou ao Porto em 1982 e ficou até 1989 como um dos principais nomes da zaga da equipe. Bom nas jogadas aéreas e nos desarmes, brilhou nos grandes títulos conquistados pelo clube no período e chegou à Seleção Portuguesa.

Geraldão: zagueiro brasileiro que chegou ao Porto em 1987, após boas apresentações pelo Cruzeiro-BRA. Muito forte fisicamente, marcava vários gols em cobranças de falta. Foi titular na conquista do Mundial Interclubes.

Celso Gavião: assim como Geraldão, tinha venenosos chutes em cobranças de falta. Foi essencial na conquista do título europeu de 1987 com gols e ótimas atuações no miolo de zaga. Jogou de 1985 até 1990 na equipe lusitana.

Lima Pereira: com quase 1,87m de altura, o zagueirão se impunha pela presença física e ganhava quase todas nas bolas aéreas. Não foi titular absoluto do time, mas esteve em campo na final do Mundial de 1987. Jogou de 1978 até 1989 no Porto e disputou 20 partidas pela Seleção Portuguesa.

Augusto Inácio: absoluto na lateral-esquerda, Inácio ganhou quase tudo o que disputou com o Porto entre 1982 e 1989. Não marcava gols, mas era muito eficiente na marcação e na ligação entre a defesa e o ataque. Disputou a Copa de 1986 por Portugal e virou técnico de futebol após pendurar as chuteiras.

Jaime Magalhães: outra cria do Porto, Magalhães foi uma das grandes estrelas do meio de campo da equipe entre 1980 e 1995. Ganhou inúmeros títulos e se destacava pelo passe e pelas aparições no campo de ataque. É reconhecido como um dos melhores na história futebolística de seu país e disputou 20 partidas pela Seleção Portuguesa.

Quim: volante que fazia o simples, Joaquim Carvalho de Azevedo jogou de 1984 até 1989 no Porto e foi titular em muitas das partidas da equipe no período. Chegou à Seleção, mas disputou apenas quatro partidas.

Rui Barros: o baixinho chegou em 1987 ao Porto e cravou seu espaço no time titular com grandes apresentações na Supercopa da UEFA, no Mundial e também no Campeonato Português. Rápido e com ótimos passes, marcou muitos gols e rapidamente chamou a atenção da Juventus, que o contratou já em 1988. Disputou 36 jogos pela Seleção Portuguesa e voltou ao Porto em 1994, onde encerrou a carreira em 2000.

António André: forte e imponente, foi um dos principais jogadores do Porto naqueles anos de ouro. Marcava bem, apoiava bem, passava bem e não media esforços para desarmar um adversário. Disputou mais de 270 jogos com a camisa do clube e jogou de 1984 até 1995 na equipe portista.

António Sousa: teve duas passagens pelo Porto e nas duas venceu títulos. Atuou como meia no esquema tático do técnico Artur Jorge e fez ótimos jogos. Não marcava muitos gols, mas era fundamental na marcação e na construção de jogadas. Disputou 27 jogos pela Seleção Portuguesa.

Rabah Madjer: o argelino já havia tido seus minutos de fama na Copa do Mundo de 1982, mas foi com a camisa do Porto que ele se mostrou um jogador de muito talento e estrela. Veloz, ágil, inteligente, incrivelmente habilidoso e com faro de gol para os momentos decisivos, Madjer foi um ídolo instantâneo do Porto e mostrou-se um dos principais jogadores do mundo naquele final de anos 80. Em 1987, viveu o auge da carreira com os títulos da Europa e do mundo, com golaços em ambas as finais. No mesmo ano, foi eleito o Melhor Jogador Africano do Ano, deixando para trás jogadores como Roger Milla e Omam-Biyik. Entre 1985 e 1991, ganhou 10 títulos com a camisa do Porto e se consagrou como um dos melhores jogadores estrangeiros da história do clube.

Vermelhinho: o ponta jogou de 1982 até 1989 no Porto e teve destaque nos primeiros títulos daquele esquadrão, mas a concorrência com Futre e Madjer o levou para a reserva. Em 1984, na Recopa da UEFA, o atacante marcou um golaço nas semifinais contra o Aberdeen que encaminhou a classificação portista para a final.

Paulo Futre: chegou ainda garoto ao Porto e se revelou um dos principais jogadores portugueses daquela década de 80. Habilidoso, com ampla visão de jogo e com notável domínio de bola, Futre cativou os torcedores do Porto e foi um dos grandes craques do time entre 1984 e 1987. Logo após a conquista da Liga dos Campeões, foi jogar no Atlético de Madrid-ESP e iniciou uma longa carreira internacional, com passagem por clubes da Espanha, Itália, França, Japão e Inglaterra. Pela Seleção, jogou 41 jogos e marcou seis gols.

Fernando Gomes: é o maior artilheiro da história do Porto com 352 gols e um dos principais atacantes da história do futebol português. Com um impressionante senso de colocação, Gomes fez a alegria dos portistas durante anos e se tornou o maior goleador do Campeonato Português em seis ocasiões: 1976-1977 (26 gols), 1977-1978 (25 gols), 1978-1979 (27 gols), 1982-1983 (36 gols), 1983-1984 (21 gols) e 1984-1985 (39 gols), além de ter vencido a Chuteira de Ouro em 1983 e 1985.

Casagrande: chegou ao Porto com muita expectativa após sua ótima passagem pelo Corinthians, mas jamais conseguiu repetir o futebol dos tempos do Timão em solo português. Sob forte concorrência, o Casão viu do banco o time azul e branco conquistar a Europa. Em 1987, o atacante foi jogar na Itália e conseguiu, enfim, voltar aos bons tempos.

Juary: o atacante foi uma das revelações do Santos campeão paulista de 1978 e passou por vários clubes antes de desembarcar no Porto, em 1986. Por lá, mostrou seu futebol rápido, esperto e muito oportunista e foi um verdadeiro talismã em vários jogos, incluindo a final europeia de 1987, quando entrou no segundo tempo, jogou muito e marcou o gol do título. Após brilhar com a camisa azul e branca, voltou ao Brasil em 1988 e encerrou a carreira no Moto Clube, em 1990.

Artur Jorge e Tomislav Ivic (Técnicos): Jorge foi o grande mentor do Porto multicampeão daquele anos 80 e depositou enorme confiança em seus jogadores, provando a eles que nada era impossível. Foi o primeiro técnico português campeão europeu (o Benfica bicampeão dos anos 60 teve como técnico o húngaro Béla Guttmann) e deixou uma base de ouro para seu sucessor, Ivic, continuar o trabalho com mais títulos marcantes e enorme dominância sobre os rivais no Campeonato Português.

Grandes feitos: Campeão Mundial Interclubes (1987), Campeão da Liga dos Campeões da UEFA (1986-1987), Campeão da Supercopa da UEFA (1987), Tricampeão do Campeonato Português (1984-1985, 1985-1986 e 1987-1988), Campeão da Copa de Portugal (1987-1988) e Campeão da Supercopa de Portugal (1986). Foi o primeiro (e até hoje único) clube português a se tornar campeão mundial interclubes.

Time base: Jósef Mlynarczyk (Zé Beto); João Pinto, Eduardo Luís (Geraldão), Celso Gavião (Lima Pereira) e Augusto Inácio; Jaime Magalhães, Quim (Rui Barros), António André e António Sousa; Rabah Madjer (Vermelhinho) e Paulo Futre (Fernando Gomes / Casagrande / Juary). Técnicos: Artur Jorge (1984-1987) e Tomislav Ivic (1987-1988).

*Sobre o autor

Guilherme Diniz é jornalista desde 2009 e decidiu criar o Imortais do Futebol em 2012, ao perceber que não existia em nenhum lugar informações detalhadas sobre times, seleções e craques sem ser em revistas esporádicas (e incompletas), textos dispersos na wikipedia ou em sites diversos. Com isso, ele criou o blog e foi alimentando-o dia após dia até transformar um hobby em um árduo trabalho que chegou a mais de 370 textos em apenas dois anos. Desde então, mais e mais pessoas acompanham os textos, que já viraram até fonte de pesquisa e de artigos, e curtem a página do blog no Facebook.