Rivaldo foi um dos grandes jogadores da história do Brasil. Na foto, comemorando gol em 2002 (AP Photo/Armando Franco)

Esqueça o fim da carreira, Rivaldo foi um craque e merece ser reverenciado

Tímido, pouco afeito ao marketing, discreto, nunca foi bom em entrevistas. Rivaldo brilhou por muitos clubes, mas marcou especialmente no Palmeiras, no Deportivo La Coruña e no Barcelona. Nestes três clubes viveu seus melhores anos da carreira. Apesar da discrição, Rivaldo foi enorme. Anunciou a sua aposentadoria neste dia 15 de março, aos 41 anos, depois de alguns anos jogando muito menos do que sabe. Talvez pela idade, talvez pelos caminhos que escolheu, provavelmente por um pouco de tudo. Precisamos lembrar, porém, que Rivaldo foi craque e o grande jogador da Copa do Mundo de 2002, a última que o Brasil venceu. E isso não é pouco.

No início dos anos, 1990 brilhou com a camisa do Palmeiras. Antes, tinha se destacado pelo Mogi Mirim, no Carrosel Caipira, ao lado de Leto e Válber. Foi para o Corinthians, teve muitos altos e baixos – algo que se repetiria por toda a sua carreira – e acabou comprado pelo Palmeiras, na época, uma potência financiada pela Parmalat. No alviverde, mostrou o seu tamanho como jogador. Vestiu a camisa 11 nas conquistas do Campeonato Brasileiro de 1994 e dos Paulistas de 1994 e 1996.

Rivaldo esteve em dois times históricos do Palmeiras. Em 1994, foi protagonista do time que levou o título. A escalação do Palmeiras no jogo que levantou a taça era: Velloso; Cláudio, Antônio Carlos, Cléber e Wagner; Flávio Conceição, César Sampaio, Zinho e Rivaldo; Edmundo e Evair. Em 1996, fazia parte do time dos mais de 100 gols no Campeonato Paulista, que encantou pelo grande futebol apresentado – e também pela rapidez que se desfez. O time era: Velloso; Cafu, Sandro, Cléber e Júnior; Flávio Conceição, Amaral, Rivaldo e Djalminha; Müller e Luizão.

Suas passagens por Deportivo La Coruña e Barcelona foram marcantes e foi pelo clube catalão que Rivaldo foi eleito o melhor jogador do mundo em 1999. Se tornou um jogador importante e respeitado no mundo todo atuando pela Europa, mas no Brasil já tinha mostrado o seu valor. Mesmo assim, sempre foi pouco valorizado.

O fracasso das Olimpíadas de 1996 deixaram uma marca importante na carreira de Rivaldo, mas ele logo conseguiu reverter isso. Em 1998, foi um dos principais jogadores do Brasil na Copa do Mundo da França, com jogos e gols fundamentais. Em 2002, foi o principal jogador da Copa, mais até que Ronaldo, com atuações e gols decisivos. Sem os dois, o Brasil teria muito mais dificuldade para ser campeão. Mesmo assim, nas duas, foi muito contestado antes do Mundial. Nunca pareceu receber o devido crédito pelo que fez, pelo talento que tem, por ter inspirado tantos jogadores da sua posição.

Rivaldo foi protagonista em dois times históricos do Palmeiras, no Deportivo, no Barcelona e na seleção brasileira em duas Copas o Mundo, com um vice e um título. Seus últimos anos de carreira, especialmente da passagem pelo Bunyodkor em diante, contando São Paulo, São Caetano e Mogi Mirim, foram muito abaixo do craque que vestiu a camisa 10 da seleção. Mais do que isso, Rivaldo foi uma sombra de si mesmo. Mas o momento da aposentadoria é muito pessoal e só o próprio jogador pode dizer quando é tempo de parar. Ninguém tem o direito de impedir um jogador que se sente em condições de atuar, mesmo que em um nível muito menor do que já teve. Esses anos não podem invalidar uma carreira brilhante de Rivaldo, com seus gols, suas jogadas brilhantes, sua criatividade e capacidade de decisão.

Rivaldo é um dos grandes nomes da história do futebol brasileiro. Poucos podem dizer que foram protagonistas de uma seleção no título de uma Copa. Rivaldo pode. Ganhou títulos importantes, jogou em grandes times em alto nível. Foi um dos maiores jogadores brasileiros desde Zico. Formou, com Ronaldo e Romário, um trio matador em muitos jogos pelo Brasil. E nunca pode ser esquecido.

Muito obrigado, Rivaldo. Você foi um craque. Que nunca nos esqueçamos disso.

Confira a despedida de Rivaldo no Instagram e alguns dos gols da passagem dele pelo Palmeiras, uma das melhores da carreira: